terça-feira, 2 de maio de 2017

SE A CORRUPÇÃO ACABAR MUITO DINHEIRO VAI SOBRAR



Ano 2 A.A.A. Após o Apocalipse dos Angolanos.
Ano da diversão da economia com corrupção e sem energia eléctrica. Ano em que a oposição ameaça sair à rua.

República das torturas, das milícias e das demolições
Diário da cidade dos leilões de escravos

Esta é a barragem que Deus nos deu. Mas afinal quantas albufeiras têm a barragem de Lauca? Duas, quatro, cem, mil? Não se sabe quantas? Lauca, a barragem de gente maluca. Só mentir para as nossas almas afligir.
Os que trabalham e sabem trabalhar estão proibidos de o fazer.
Há dois meses que Luanda está como paralisada pela falta da energia eléctrica (EE). Aqui na buala referente ao mês de Março foram 133 horas, e em Abril até agora, 26/04/17 foram 143 horas, totalizando 276 horas. Não há limites para tanta destruição. É um fornecimento ocasional, tipo fazer pouco das pessoas – sempre tenho dito que aqui não existem pessoas – pelos vistos em Angola uma barragem não serve para fabricar EE, serve para desfabricar. Sem EE a palavra de ordem é criar uma nação de desempregados, de assaltantes e de bandidos que já nos estremecem por toda a Angola porque a todo o momento estão presentes em todos os locais, não sabendo quem regressará a casa do Pai, criando uma instabilidade social nunca vista, tipo guerra civil entre bandidos e população. A situação é deveras muito crítica e para a sanar apenas se escutam as mesmas vozes, das quais ninguém acredita porque o cansaço domina as mentes, a população está como que apática, incluindo o não acreditar na classe política, especialmente a da oposição que passa o tempo a falar de eleições e não se dedica de igual modo à falta de EE e à miséria e fome que também já passaram a instituições nacionais, só lhe faltando a inclusão nas maravilhas de Angola.
Dando ensino medíocre à população apoiado pelas igrejas que ameaçam que Deus castigará quem pecar, com tais condições é muito fácil ludibriar um povo, e reforçando que quem governa o faz de acordo com o poder de Deus na Terra. Isto é um poderoso ópio que hipnotiza. E povo hipnotizado é fácil de ser levado.
Se andares com os bons serás bom, se andares com a péssima governação serás péssimo. Se a corrupção acabar muito dinheiro vai sobrar.
O que acontece quando alguns vampirizam o bolo e milhões a ele não têm acesso? É difícil de explicar? Claro que não! 
Atualização: Hoje, 27/04/17, com mais catorze horas sem EE, o mês de Abril faz 157 horas, o que desde Março totaliza 290 horas sem EE. A poluição dos geradores mata crianças – quem quer saber delas – e isto porque são particularmente vulneráveis, e também isto é um vulgar acto criminoso. A nossa saúde periga e isto faz parte da campanha da irresponsável matança. Estão a rebentar com tudo, a criar revolta porque essa é a missão que lhes compete. São exímios destruidores, quer dizer, temos todos que ser bandidos, insensíveis e mortíferos. É esta cidade que os adoradores da Idade da Pedra criaram. Sem EE e com a política do gerador, Luanda, Angola, a rastejar na política do povo sofredor. Creio que não têm noção do que é EE e muito menos para que serve. A afogarem-se na imoralidade perderam a noção da realidade. Quarenta e dois anos de vigarices bastam! Já não me restam dúvidas de que existe um plano macabro para acabar com tudo e com todos. Um holocausto. Miséria e fome são as palavras de ordem do poder. Qual é a intenção de acabar com as empresas enviando-as para a falência? Há interesses neocoloniais estrangeiros e da corrupção nacional para acabarem com a nação e com a sua população?
Além disso, com tantos desliga e liga da EE, rebentam com os cabos, equipamentos informáticos, eletrodomésticos, etc., e como não são permitidas indeminizações, é só miséria e fome. E os asseclas ainda teimam que a nossa vida vai melhorar. Mas o que é que melhora neste inferno? Num governo do inferno e para o inferno a única coisa que melhora é a intensidade das chamas. Privando as pessoas de um bem fundamental para a sua existência, como é a EE, isto é um atentado terrorista.
Sem EE todas as nossas esperanças de uma vida melhor morrem, nem chegam a nascer. É como se bandidos nos assaltassem e sem nada nos deixassem.
A minha última descoberta: Luanda e Angola não têm condições para crianças viverem. A única condição, assim se pode dizer, é o necrotério.
Quando ouvi na Rádio Ecclesia que, “eu sou o cónego Apolónio Graciano” corri num frenesi desligar o rádio, e logo de seguida respirei muito fundo, muito satisfeito por me ver livre de um grande peso que atormentava a minha alma.
O filho da mana Antónia de vinte e um anos é liambeiro, os polícias apanharam-no – não é a primeira vez e pelos vistos não será a última – em pleno delírio depois de mais uma recarga de liamba. Prenderam-no e para o libertar exigem trinta e cinco mil kwanzas em troca da sua soltura.
O que o fanatismo faz: quando uma fanática religiosa em circunstâncias ocasionais, normais, vê o sexo de um homem grita como possessa, “ meu Deus salva-me das tentações do demónio!” A relação sexual é considerada pecado. Creio que não vejo grande diferença entre religião e corrupção. Onde o analfabetismo reina a religião impera. Quando o Estado não faz justiça, esta é feita pelos cidadãos e então as fogueiras da Inquisição renascem num atroz retrocesso. É como se fosse uma igreja para todos.
E alguém perguntou à oposição porque é que se deixam manobrar, na onda levar, e não reage. E a oposição respondeu que “mas o que é que eu vou fazer?” E repetia-se, “mas o que é que eu vou fazer? pois se os tribunais são do poder, que fazer? Que fazer?”
Quando o preço do petróleo baixa, baixa, a corrupção sobe, sobe. Se o PIB sobe e a miséria e fome sobem, sobem, significa que a economia funciona com bases erradas, ou é de presumir que as bases estão adulteradas.
O que é necessário é aprontar santuários para peregrinar.
Sem saúde, sem educação, sem economia, vem o analfabetismo. Somando a falta de EE e a mentira sistemática da corrupção vem a miséria. Acrescentando o apoio da religião que dita que tudo o que acontece de mal é a vontade de Deus e que como tal se deve reprimir, açoitado conforme a lei de Deus, vem a morte pela fome.
O M é o maior, e pelas afirmações categóricas de que vão ganhar as eleições por maioria, agora e sempre, e que no Cuanza-Sul manterão os cinco deputados, etc., sugere que as eleições estão antecipadamente ganhas por artes mágicas.
Mas para quê aquecer a cabeça, isto é África e nada mais - dizem por aí - há a dizer, fazer. É uma pena que África seja para esquecer. Mas para os aventureiros não, porque nela muito facilmente encontram o seu filão. Há séculos que assim é.
No passado domingo 23/04/17 pelas dezasseis horas, a meio da rua da Liga Africana, vi horrorizado um miniautocarro que circulava a alta velocidade com crianças a bordo, e num trecho em que a rua não está em condições de circulação, devido à água que corre e faz buracos. De tão pregado ao chão que fiquei nem consegui tirar-lhe a matrícula.
Uma vez que a diversão da economia é e será sempre a sagrada miragem, continua-se a importar tudo.
No noticiário da RR, Rádio da Rua, há muitas vozes que afirmam categoricamente que o mano João Lourenço, candidato à presidência da República, ou como dizem, o presidente de Angola, escapou do envenenamento no Cunene ao ser convidado para comer o prato tradicional que é obrigatório para visitantes.