terça-feira, 30 de agosto de 2016

A QUEDA DO IMPÉRIO ANGOLANO


Ano 1 A.A.A. Ano do Apocalipse de Angola

Em Angola não existe classe política.
A questão é que não há solidariedade, e não a havendo esta sociedade não tem hipótese de sobrevivência. Analfabetismo é vandalismo. Não parece que estamos em 2016 e custa a acreditar ver um povo, mais um país caminhar para a destruição, porque dela já não se consegue sair. A classe política está cada vez mais enjaulada, macacada. Uma classe que perdeu o fôlego, afoga-se no redil do refrão “vamos ganhar as eleições!” Não se importando se a população morre à fome ou não. Os capitães da oposição discursam para o vento que se encarrega de transportar e lançar a oratória na irremediável poeira do tempo. Com tal liderança oposicionista não se vai a lado nenhum. Está-se mesmo a ver que até à chegada das eleições, antes haverá seguramente derrocada. Tal obsessão pelas eleições e nada mais, a população que se dane, revela que há interesse pelo poder mórbido, isto é: cai um anacrónico poder para outro se levantar. Ainda falta um ano para mais uma desgraça eleitoral. Povo moribundo não pode votar. Antes do votar há que lhe dar emprego para se alimentar. Com tal classe política as eleições de nada servirão, porque apenas a hipocrisia e a mentira vencerão. Um exemplo: onde está a oposição nos actos de demolição. Casas demolidas e de recheios atirados às chamas do ímpeto da paixão da especulação imobiliária. Já não se fabricam cérebros. Onde a maldade campeia tudo se incendeia. Tudo o que é irresponsável é bem-vindo. Angola está à mercê do demo. Cada um puxa a brasa para a sua sardinha. Sem espírito de solidariedade não há mudança. A bandeira da maldade desfralda os tons das exéquias da falsidade maquiavélica. E a promessa da liberdade e da democracia foi atirada para o lixo, onde os famintos a afastam com desprezo na luta diária para conseguir seja o que for, porque no lixo dos contentores jaz a bandeira da nossa liberdade e da nossa democracia. E o ganha-pão da religião está na cada vez mais miséria e fome da população. A religião necessita urgentemente de purificação. O pobre político que fala partidário, logo sem ideias, é mais uma mortalha da próxima metralha. Todos juntos mas separados na defesa dos interesses pessoais. Estes políticos parecem anormais. Estes políticos são como os padres a pregarem nos seus púlpitos que é necessária mudança, mas sob a batuta do mesmo deus. De Angola só restam sacerdotes sem sacerdócios e políticos sem políticas. Já destruíram Angola, o que mais querem destruir? Em Angola o comboio não apitou três vezes e por isso mesmo aguarda-se pelo último comboio do Katanga. Está tudo tão deprimente, tão ausente, que já nada mais se sente. O insípido presente perde-se no nevoeiro não dissipado do passado. Não acreditar no falso palavreado dos padres e dos incipientes políticos que fingem que nos defendem, pretendendo convencer-nos que são esmerados revolucionários, grandes e honestos líderes, quando no contacto pessoal são sacanas, malvados e desonestos. Mas há sempre alguém que é honesto, o difícil é encontrá-lo. E por aqui também não adianta nada andar com uma candeia à procura deles porque muito dificilmente algum se encontrará. 
Quem não se beneficiou e esbanjou o dinheiro da corrupção que levante a mão. Sem oposição há estagnação. Os carneiros aguardam a voz de comando, isto é: bíblia numa mão e na outra a corrupção. Que tempo tão corrupto. Corromper é preciso, viver não é preciso. Já não há receitas, só despesas.
Existe sempre um dia, assim como existem anos e silêncios. Talvez que o nevoeiro do infinito do tempo se dissipe e o tempo se lembre de ti. Existe sempre um dia.
É preciso podar as árvores e as pessoas porque nas próximas chuvas, que já não falta muito, pois o cacimbo já está a morrer, e as pobres árvores que tanta falta nos fazem desabarão porque não suportarão o peso das chuvas e a consequente fúria das tempestades. Uma árvore é muito importante, comparada com um político, este é insignificante, pois a árvore revela a sua grandeza e o político a pequenez da sua fraqueza.
Quando nos metemos com as pessoas erradas, sai tudo errado.
Projectos megalómanos sim, microempresas não!
Se não há tecido empresarial das microempresas, então Angola está moribunda.
A Igreja é o pilar das ditaduras, com ela ninguém sobrevive. As ditaduras terrenas elevam-na para a ditadura do Céu. A Igreja e as ditaduras suas amigas são as destruidoras das famílias e das nações.
Nas lixeiras de Viana, arredores de Luanda, aumenta o fluxo de eleitores nas urnas do lixo. Muito rápido será multidões a aguardarem pelos carros do lixo a despejar para comida procurar. Exercer o seu direito de voto, isto é: no lixo votar, para da fome escapar. E já em várias províncias há relatos de mortos por intoxicação alimentar devido a comida imprópria para consumo.
E os submissos carneiros da oposição escutam os seus conselhos com atenção.
Enquanto Angola depender, viver da propaganda nazi, acabará como a Alemanha na segunda guerra mundial. Quando as falências empresariais e a fome se generalizam, quando definitivamente se instalarem, falta pouco ou quase nada, então a propaganda religiosa anunciará com grande júbilo “o fim de Angola está próximo!” e as igrejas vão-se encher de gente à espera do redentor que há mais de dois milénios tarda em chegar, e que desta vez é que virá mesmo, está mais que certo pois ele já comunicou aos nossos profetas que já está a desembarcar. Evangelizar é as consciências alienar.
E mais um desastre eleitoral se aproxima. Nós temos uma política comum que é: as riquezas de Angola são para nós, para a população é a crise. Não existe população que goste de um presidente que a mata à fome. A falsa propaganda política conduz ao,: o feitiço vira-se contra o feiticeiro. E vozes da população já começam a chamar que “O Mpla é o mata povo.” Sem excepção toda a gente se queixa desta terrível crise, desta situação.
À noite as ruas são tomadas por bandidos que espreitam onde assaltar. Nas escadas dos prédios decretou-se o terror porque os bandidos voam sobre as suas vítimas como morcegos. Ao que isto está a chegar, já nem em casa se pode estar.
Sim, é muito bonito um carneiro político da oposição dizer que “o governo é corrupto, a situação está caótica, não há ninguém que não se queixe, a fome é o comandante do exército dos famintos, governo das demolições anárquicas, este governo tem que sair, tem que acabar” etc., e pronto, está tudo resolvido. E que há o receio de fazer manifestações porque o governo das ordens superiores manda matar os manifestantes. Mas que diatribe! Então as populações morrem fartamente de fome e de doenças provocadas pela falta de assistência médica e medicamentosa. Que deus nos livre e guarde. Claro que a democracia e a liberdade exigem, têm um preço a pagar.
Angola, o país dos dízimos, não surpreende que esteja dizimada.

Regressámos ao tempo do poder popular de 1975.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

BOLOR NAS VEIAS



Lixo é nação
São os intelectos da ilusão
Que passeiam no calçadão
É a arte de desmobilizar militantes
É a fuga para trás
Em Angola já não existe ninguém
Em quem se possa confiar
As pobres almas caminham
Para a morte
Os cemitérios esperam-nas
Mais uma desilusão
Outra colonização
Não há quem saiba pensar
Só roubar
Políticos de meia-tigela
Cavam trincheiras
Para depois jurarem
Que a fraude eleitoral
Foi livre, justa e transparente
Depois tomam o barco choramingas
Que em Angola está tudo mal
Mas a comunidade internacional
Cansada de tantos queixumes
Diz que a fraude eleitoral
Foi livre e justa
Depois com o tempo tudo se esquece
E a oposição mais se enfraquece
Desaparece
E os fantasmas da oposição regressam
Que este governo é corrupto, ladrão
Que fez fraude na sua eleição
E sempre assim sucessivamente
O governo acena-lhes e promete
Liberdade, democracia e pão
Tudo reinará como antes
Miséria fome e corrupção
Angola mais um país em vão
Mais hipócritas e falsos políticos
Surgirão
E as mãos lavarão
Nas águas da podridão
Porque não sabem fazer mais nada
Paupérrima oposição
Sem manifestação
Os carneiros pastam
Lânguidos e serenos
Nos estatais terrenos
Armazenados em vastos currais
Esta Angola não parece um país
Assemelha-se mais
A um bando de indisciplinados pardais
Quem só sabe destruir
Jamais nada irá construir













terça-feira, 16 de agosto de 2016

HORIZONTES FUNESTOS



Nas senzalas
“E contudo elas não se movem”
Na república dos famintos
Eu quero ser deputado
À espera que o preço do petróleo suba
Casa das leis
Um bom espectáculo circense
Os imbecis fazem dinheiro sem dinheiro
E fugir daqueles que acreditam em deus
Defendem o seu ganha-pão
Só se ouvia
O silêncio da hipocrisia
Da totalidade da classe política
E das suas políticas
Angola faliu
Porque em cérebros não se investiu
Sem formação
Os escravos libertos estão
E de plantão
Na escravidão
Angola, o país dos políticos e dos doutores
Na classe política não dá para confiar
Só dá para desconfiar
Os palhaços políticos já estão aí
Hoje e todos os dias há circo
Do lodo do cais deste país
Levantar ferro é preciso
E a fórmula já está encontrada
Para o desenvolvimento económico e social
Viver da propaganda dos partidos políticos
Acaba-se com a miséria e a fome
É só palavras, palavras
Oh pobres coitados
Os líderes políticos abandonaram Angola
O lixo do intelecto humano supera
Em muito o das ruas
Quanta mais religião mais escravidão
Para quê acreditar
Em quem não se pode confiar
São tantas estruturas a desabar
Pesadas, não se pode trabalhar
O horrível disto
É que não há nada de positivo
Tudo se conserva negativo
No silêncio deste sepulcro
Deus é uma história para crianças
Destinada a ludibriar adultos
Tantos doutores pelos quais
Somos constantemente violados
Pela alta voltagem da hipocrisia
Nem sabem o que é um técnico de contas
Só tem macacos ainda não tem pessoas


domingo, 14 de agosto de 2016

O APOCALIPSE DE ANGOLA


República das torturas, das milícias e das demolições

Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 1 A.A.A. ano do Apocalipse de Angola.
Mas, quanto aos tímidos, e aos descrentes, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos devassos, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte. (Apocalipse 21 8)
Angola está entregue à sua sorte, à morte.
Famintos não perdem tempo com políticos. Famintos não aturam políticos. A ideologia dos famintos é o morrer à fome. Os famintos votam no partido da fome, e ele é muito vasto. Esta pátria é obra de famintos. Não, aqui não há famintos, só há fome. Onde as bestas dominam está garantido um exército de famintos. Eis os quatro cavaleiros do apocalipse da fome: religião, fome, bancos e corrupção.
Citando de memória Raul Danda, vice-presidente da Unita, “essas notas novas de dólares que andam por aí nas ruas saem donde? Já me disseram que o BNA-Banco Nacional de Angola está envolvido no circuito ilegal de divisas.”
O apocalipse de Angola na rota da fome: um amigo confessou-me que a avalanche da morte regressou depois de uma breve interrupção. De facto, devido à fome, o corpo adoece e como não há dinheiro para comprar medicamentos, morre-se facilmente. E conforme noticiado pela Rádio Despertar, na penitenciária do Cavaco em Benguela, morreram dez reclusos devido ao frio e à fome. A situação agudiza-se, esperam-se mais mortos.
Creio que a Igreja é inimiga da civilização, mais creio ainda que a Igreja usa e abusa do terrorismo psicológico, senão vejamos: perante o caos económico e social da fome que já passou a uma das maravilhas de Angola, a TPA, a televisão pública de Angola, noticiou que, “os bispos da Secam reconhecem os esforços do governo no apoio à população.”


terça-feira, 26 de julho de 2016

O SUBMARINO ANGOLA (10)



República das torturas, das milícias e das demolições

Diário da cidade dos leilões de escravos

Uma senhora foi beber, depois como não tinha dinheiro para pagar, deixou lá o filho menor como pagamento.
De um comentador da Rádio Despertar, “a Assembleia Nacional é um teatro e a oposição fica a assistir.”
E em Viana, arredores de Luanda, no porto seco, foram despedidos anarquicamente cento e quinze trabalhadores sem direito a indemnizações. (Denúncia de um ouvinte na Rádio Despertar)
Não há nada que aqui se faça que não tenha máfia.
Há quarenta e um anos sempre a viver com as calças nas mãos, é o fim meus irmãos.
O mais interessante do Submarino Angola era a sua colecção de desaires ostentada a bordo como num museu de grandes naufrágios. Que interessa falar, noticiar nos meios de informação exclusivos que projectam o ridículo do que não se fez e do que se aposta fazer, ou que se poderá fazer, parangonas sem nenhum significado apenas para iludir a quem, pois se já ninguém acredita em tal propaganda política. Mas a teimosia em publicitar coisas que não existem mais apoiava o grande naufrágio do Submarino. Sem infra-estruturas é a mesma coisa que uma universidade sem professores. Tudo se afundou, ninguém notou, ninguém escapou.
Justino Pinto de Andrade é muito bom como intelectual, mas como político é uma nulidade.
Um português sem vinho é um homem morto.
Do jornal Expansão: “Sem qualquer justificação, o BNA deixou de divulgar as vendas mensais de divisas e a sua distribuição por bancos, casas de câmbio e de remessas. Mais. Retirou do site as vendas mensais até Março anteriormente disponíveis.”
Para a oposição: tudo o que é repetitivo é cansativo. É como aquela palavra de ordem do partido dos intelectuais: “ Vamos diversificar a nossa economia.” E estão certíssimos, porque a economia é de uso exclusivo deles.
Este país só vive de actividades políticas, de actividades económicas não, economia, o que é isso?!
A Igreja e as igrejas não fazem socialização, fazem corrupção.
Mais de trezentos trabalhadores da empresa de recolha do lixo de Luanda, ELISAL, foram sumariamente despedidos. E parece que têm direito a uma irrisória indemnização.
Com a economia no caos, como é possível diversificar a economia? Se antes com montanhas mágicas de dinheiro não foi possível diversificar a economia, agora sem dinheiro não é possível diversificar seja o que for, excepto a corrupção que essa está sempre apta a corromper qualquer circuito. E com os mesmos que nunca conseguiram fazer nada, agora farão o quê?!, absolutamente nada. Não dá! Isto precisa de mudanças urgentes, mas atenção, mudar para pior não.
“Era habitual, desde logo, que os governadores se enriquecessem por meios ilegais. Logo, quando terminavam as suas funções e os provincianos apresentavam juízo contra eles ante o Senado, era habitual que este fizesse vista grossa. Todo senador esperava a sua oportunidade para fazer uma boa operação ou já o havia feito. Mas o saque devia de estar dentro de certos limites, Verres não conhecia limite algum. Bateu todos os recordes de vilania. Seus roubos eram incríveis e até roubou a mesma cidade de Roma, pois se embolsou com o dinheiro que se lhe havia dado para pagar os barcos carregados de cereais que os transportavam de Sicília a Roma.” In A República Romana. História Universal de Isaac Asimov.
Ricardo Lobo: “Olá a todos. Procuro casa, terreno, imóveis, viaturas em Portugal. No continente ou nas ilhas. Em qualquer estado. Pago em kwanzas. Obrigado e um bom haja a todos.”
O Submarino Angola continuava desgovernado e mergulhava numa espécie de fossa abissal económica e social, sem ninguém que o colocasse no rumo certo porque em Angola os intelectos parece que também desapareceram. Só se fala até à exaustão mas para resolver os problemas não, ninguém não. Todos falam a mesma coisa mas ninguém é capaz de salvar o Submarino Angola e trazê-lo à superfície e o salvar da grande e bizarra tragédia marítima, fazendo crer que só o caos interessa. O Submarino Angola tem muitos milionários mas eles preferem abandoná-lo à sua sorte, até já há quem o chame de, república da miséria e da fome de Angola. Todos se empenham nos seus assuntos pessoais como se em Angola já não existisse população. Os políticos da praça dão a impressão que estão num campeonato de política, e que vença o pior, o incrível é que todos dos partidos políticos da oposição dizem a mesma coisa como se fossem telecomandados, e não se apercebem disso. Fica bonito falar de política porque eu sou o bom desta tralha, o imbatível em retórica o resto que se lixe. Que não resolvam muito rapidamente o maremoto dos famintos que se aproxima depois contem-me como foi.
Já não há nada a fazer pelo Submarino Angola que repousa bem fundo no apocalipse de Angola.
Amigo leitor, não perca na próxima edição do Folha, a série, O Apocalipse de Angola.



sábado, 23 de julho de 2016

O MPLA ME LIBERTOU



Mas mesmo assim diz
Que estou feliz
Porque estou no meu país
O Mpla me libertou

Com tamanha absurda oposição
Sem imaginação
O Mpla me libertou

Como posso ser comedido
Do emprego despedido
Sem dinheiro, desfalecido
O Mpla me libertou

Fiquei sem casa
Foi demolida
A minha vida bem fodida
O Mpla me libertou

Já não há divisas
Para importar medicamentos
E alimentos
O Mpla me libertou

Os bancos não têm
Credibilidade nacional
E internacional
O Mpla me libertou

O marido sem dinheiro para comer
E a esposa a beber
As crianças a padecer
O Mpla me libertou

A oposição é a nossa mudança
Não faz para merecer confiança
Tudo é composto de desconfiança
O Mpla me libertou

A família já está sem salvação
Tanto tempo perdido em vão
Tanta tristeza de partir o coração
O Mpla me libertou

Já tive família, quem a destruiu?
A engoliu
Ela sumiu
O Mpla me libertou

Não há fábricas de comida
Uma coisa está garantida
O Mpla me libertou















quarta-feira, 20 de julho de 2016

O SUBMARINO ANGOLA (09)



REPÚBLICA DAS TORTURAS, DAS MILÍCIAS E DAS DEMOLIÇÕES

DIÁRIO DA CIDADE DOS LEILÕES DE ESCRAVOS

“Formar filho do pobre é formar inimigo.”
Onde há muita fome há muitos assaltos.
Fernando Heitor, economista angolano, na Rádio Despertar, que cito de memória: Deixemo-nos do eurocentrismo, há uma crise profunda, não há divisas, deve-se explicar à população para mudarem de hábitos alimentares, deixemo-nos de eurocentrismos. Se não há pão, pode-se substitui-lo por banana-pão ou batata-doce. O arroz pode ser substituído pela mandioca. Se não há divisas, há que impor os produtos nacionais. Sobre a subida dos preços e açambarcamento, isso evita-se abastecendo devidamente o mercado, havendo quantidade suficiente os preços baixam, e não adianta perseguir as pessoas que vendem nas ruas ou nos estabelecimentos comerciais porque isso não resolve nada.
Mais dois assaltos patrocinados pelo comité de especialidade dos assaltos: Um no dia 08 de Julho, 2016, em frente da Igreja Adventista do Sétimo Dia, na rua Rei Katyavala. Foi aí pelo meio da manhã, o vizinho chegou, estacionou o seu carro, saiu e logo foi assaltado. Eram dois gatunos que queriam o carro, mas vendo que havia muita gente e a coisa não dava, preferiram não arriscar, levaram-lhe a pulseira daquelas bem caras e um telemóvel topo de gama. Bazaram numa moto-rápida, a vizinhança não se apercebeu de nada.
O outro foi nas traseiras da mesma igreja no dia seguinte, um sábado. Outro vizinho chegou pelas vinte horas, estacionou o carro, viu três jovens, pensou que eram lavadores de carros, fez marcha para a sua casa mas foi brutalmente interrompido por um deles que lhe ordenou, “entra no carro!” Já todos nele sentados, disseram ao vizinho para conduzir normalmente e que não fizesse nenhuma tentativa para evitar o assalto pois tinha pistolas apontadas. Chegaram algures no bairro do Golfe, abandonaram o vizinho, roubaram-lhe tudo, deixando-o com a roupa que trazia, exigiram-lhe o Pin do cartão de crédito bancário. Antes de o abandonarem entregaram-lhe quinhentos kwanzas para ele apanhar um táxi Hiace e mandaram-no à vida. O vizinho não sabia onde estava, lembra-se que era lixo por todo o lado. Os gatunos levantaram do multicaixa cento e cinquenta mil kwanzas. No outro dia ele foi ao bairro do Golfe e encontrou lá o carro abandonando. O vizinho confessou que ficou sem nada. 
A vizinha estava sentada na porta do prédio, chegou outra vizinha e perguntou-lhe se ficava ou ia embora, respondeu-lhe que não, então a vizinha levantou-se e disse que “tenho medo de ficar aqui sozinha, vou-me embora.”
“É difícil encontrar homens sãos numa sociedade enferma.” (Isaac Asimov, 1920-1992)
No tempo do império romano era assim: Panem et circenses. Alimento e diversão. No tempo do apogeu do império angolano do petróleo também era assim. Agora é: famintos não têm diversão.
Com ou sem oposição, isto já não tem solução.
Marido com muitas mulheres é muita miséria.
Os caminhos da miséria e da fome nunca têm fim. Os humanos parecem estar no estádio final da evolução porque estão na batalha final do suicídio colectivo.
O que é que farei com tal multidão de bestas à minha volta, tanta gente desesperada à procura do caminho de Deus, mas na realidade oram ao demónio que está em todo o lugar. Há muito que o demónio invadiu a Igreja e dela se apoderou. Já não há sacerdotes, há demónios. Por isso mesmo, acreditar em Deus é acreditar no demónio.
Já não suporto este refrão: “ vamos vencer as eleições de 2017.” Famintos moribundos não votam.
Está muito difícil conseguir recargas da Unitel. Estou aqui com vocês graças ao quilapi, - a verdade é que estou a acumular dividas e não sei como as vou pagar, claro que não perco a esperança – até quando não sei, creio que isto vai ficar uma espécie de campo de extermínio, onde estão os partidos políticos da oposição? Não sei não! Alguém sabe?! Uma coisa sei muito certa: onde não há intelectos há miséria e fome. Isto não é vida, não é futuro.
A aflição de José Carvalho: “Venho aqui demonstrar a minha indignação raiva, revolta o que lhe queiram chamar o meu colega que é português teve a infelicidade de atropelar una criança na estrada de Luanda Catete a criança que largou a mãe e começou a correr na estrada esta foi colhida pelo carro do meu colega que tem o seguro do carro em dia. Prestou assistência à criança levando-a ao hospital, a polícia levou o meu colega para a esquadra de Viana isto aconteceu no Domingo sem motivos para tal mantém-no preso na esquadra até ao momento, desde que ninguém sabe como ele está pois não me deixam contactá-lo. Tenho levado a comida mas nem sei se ele a recebe, pois já ouvi os seguintes comentários quando entrego a comida na polícia " e nós só cheiramos " outra vês entreguei a comida as 18 horas e disse-me o polícia " a esta hora não entregamos comida tem de se pagar a passagem" quando lhe pergunto como está, respondem a rir ”está na cela está bem.” Desde Segunda-feira que liguei para o número SOS do consulado de Portugal que atendem com simpatia mas até ao momento o que fizeram foi dois telefonemas para o comandante da Polícia nem se dignaram de ir à Esquadra com este tipo de apoio muito obrigado. A minha empresa está a fazer o possível para o tirar de lá pois a empresa onde ele trabalha não lhe paga há 4 meses está-se a borrifar. O que lhe está a acontecer pode acontecer a qualquer um de nós pois já vi que neste caso não cumprem a lei nem existe bom senso, nem apoio de quem o deveria prestar para que serve o consulado de Portugal.”
Para a minha amiga Manuela Joaquim: tu és maravilhosa! Creio que foi Deus que te enviou à Terra para salvares as pobres almas carentes e sofredoras. Continuo na luta para sair do desaire económico e social em que nos abismaram. Depois te premiarei com o devido reconhecimento, penso numa estátua da Afrodite aangolana para te imortalizar, tu mereces. Luta para seres feliz.
O Fahrenheit 451, agora é dos presos políticos em Angola. (Obra de Ray Bradbury (1920-2012), sobre a queima de livros do totalitarismo.)
Vida do muangolé é beber para morrer. Angola, a nação alcoólica: depois de quarenta anos, a república dos alcoólicos angolanos. O álcool aniquila os cérebros de quem mais nada sabe fazer, é só beber. Toda a noite música muito estridente, muitos cigarros de quem nada sabe e não tem o que fazer. Pobres cadáveres deambulando.
Garante a oposição: “Não vamos fazer manifestações para evitar o pretexto do poder para nos aniquilar.” Mas o poder está a aniquilar.
A corrupção destruiu o império romano e o império do petróleo de Angola.

E o Submarino Angola lá ia, para onde ninguém sabia, no rumo do inferno facilmente se previa.

sábado, 16 de julho de 2016

O SUBMARINO ANGOLA (08)




República das torturas, das milícias e das demolições

Diário da cidade dos leilões de escravos


Por aqui a miséria e a fome estão à espera de reforços.
Um país atolado na maldade, na hipocrisia, na falsidade e na corrupção nunca será democrático. E isso de oposição é pura fantasia. Oposição é rendição. O mais notável é a hipocrisia dessa oposição em relação aos presos políticos. Com esta oposição, não. De qualquer modo acredito na oposição, não acredito nos actuais oposicionistas.
“Naturalmente, quando um magistrado era enviado a governar uma província, habitualmente cuidava de que não todo o dinheiro que arrecadava fosse enviado a Roma. Uma parte ficava em suas mãos. Era norma que um funcionário governamental romano a quem se outorgava uma província devia enriquecer-se. Disto se segue que, em geral, as províncias eram mal governadas (nem sempre, por suposto, já que até nos piores tempos há alguns funcionários honestos).” In A República Romana. História Universal de Isaac Asimov.
No Submarino Angola um deputado comentou que devido à crise da corrupção e para prevenir os tumultos dos famintos, o melhor era começar já a andar atrás deles com armas apontadas nas cabeças para evitar o pior. Outro deputado apoiou e recomendou que nas próximas reuniões o Submarino deveria descer mais, até aos cem metros de profundidade e se necessário descer ainda mais porque o imperialismo nunca desarma, só deseja a escravidão dos povos, o imperialismo é o principal inimigo da socialização, o opressor dos povos, disse com descomunal entusiasmo lembrando-se dos anos dourados da grande revolução que era para durar séculos, milénios, mas não, quem sabe, talvez ainda seja possível. Há que lutar para isso, disse, sonhando com a nostalgia do passado, dos milhares de bandeiras vermelhas com uma estrela no meio, essa estrela sempre cintilante que guia os povos à vitória, à libertação do homem.
Todos os caminhos conduzem a Roma. Em Angola todos os caminhos conduzem à corrupção.
Famintos de Cabinda ao Cunene a corrupção saúda-vos! Em Angola todos os caminhos conduzem à fome.
Ouvi na rua que os trabalhadores da função pública vão ficar com os salários do mês de Agosto congelados. Se é verdade ou não, não sei, também não dava para perguntar porque eram pessoas desconhecidas. Não vale a pena arriscar porque nunca se sabe. Mas ainda consegui ouvir de um interlocutor que “ não sei, porém, dos executores do povo, tudo se espera.”
Entretanto o BPC, Banco de Poupança e Crédito, sem dinheiro diz aos seus clientes que vai fazer reforço.
A África não produz cientistas, produz ditadores, políticos de feira, famintos, feiticeiros e corruptos.
Amigo leitor, não perca tempo com a Igreja e as igrejas e com os partidos políticos, porque são a principal maravilha da desgraça dos muangolés.
Angola tem um imenso exército de irresponsáveis, e outro imenso exército de “espantalhos” políticos. E devido a isso Angola não sobreviverá.
Cuidado! Não vejam a Tpa, televisão dos “pacatos” de Angola, porque destrói os cérebros, isso já foi provado num estudo. Nunca se perguntaram porque é que estão assim tão burros? É da Tpa, seus burros!
Deve ter cerca de vinte anos, está bem vestida de calça preta justa tipo colante e camisola que lhe chega até aos joelhos. O cabelo postiço é da nova vaga, comprido, caído em cascata um bocado para além dos ombros. Ela tem beleza de modelo. Está grávida, pelo volume da barriga está com sete meses de gestação. Caminha com um saco plástico de cor verde-claro fechado na cabeça com coisas para vender. Facilmente se nota que a jovem não faz parte da arraia-miúda, do conjunto habitual das miseráveis das ruas. Esta é de “boas” famílias. Significa que isto está no estádio final da involução… da morte da classe média.
Há muito que faz parte do sistema, actualmente e nos próximos dias, acho que já nem merece tal designação, o correcto será chamar-lhe o fim da quimera, de mais uma utopia de governantes e governados que se convenceram de que com o dinheiro do petróleo e a corrupção não seria necessário mais trabalhar, e com o apoio militante da Igreja, Deus zelaria tal como um segurança o futuro de quem esbanjasse o dinheiro sem nada obrar. E todos eram ricos, riquíssimos e pareciam que tinham algo gravado porque das bocas lhes saía a célebre frase que tudo fazia estremecer à sua volta “cuidado não se metam comigo, não sabem quem eu sou.” E havia sempre alguém que corroborava, ainda mais amedrontava as massas populares, “sim é verdade, cuidado porque ele trabalha na presidência porque eu já o vi de lá sair algumas vezes.” O patrão muangolé, tal patronato é há dezenas de anos reincidente no abandono dos seus trabalhadores, tem vocação precoce para o empresariado, já nasceu assim, dizem, viaja para o estrangeiro, para Portugal, com as suas mulheres, ter muitas mulheres é sinal de riqueza, de homem muito macho, e hoje traz muita miséria e fome, – aqui as prateleiras do minimercado Pomobel na rua rei Katyavala quase só tem garrafas de água mineral, isso tende a espalhar-se, é mais uma epidemia da boa governação, graças ao genial plano da saída da crise – o empresário muangolé carrega o dinheiro com ele e deixa os trabalhadores sem salários, e depois quando do regresso a Luanda diz com ar mais natural deste mundo que não tem dinheiro. Da maneira que as coisas estão, vão muito piorar, qual quê, isto é que é diversificação da economia. É mera irresponsabilidade, é natural, habitual.
Contrariamente à propaganda oficial de apoio aos camponeses para a habitual propaganda oficial da diversificação da economia, se o saco de adubo está a trinta e dois mil kwanzas, claro que o camponês não tem dinheiro para comer, quanto mais para comprar adubo.
Outra vez mergulhado na causa da estapafúrdia oposição, é que não há intelectos senão vejamos: até agora não ouvi nenhum avatar da oposição explicar em detalhe a situação do caos económico, e isso, parece que não, é extremamente importante. Confesso que estou saturadíssimo de há longos anos ouvir todos os dias os mesmos discursos de que foram desviados mais milhões de dólares do erário público, a governação é péssima, corrupta, deixa morrer a população, abusar da intolerância política, que em 2017 vamos ganhar as eleições. Não dá para ouvir mais, parece a Tpa e restante família da comunicação partidária. Ó “espantalhos”políticos da oposição, então não sabem que chegados a um certo ponto cansamo-nos de os aturar?! É necessário inovar, criando outros modos de actuação, quais?, não é a mim que compete isso, era só o que faltava. Se repetem constantemente o mesmo discurso é porque não sabem dizer mais nada, não tem imaginação para criar outras formas de luta, para aguçar, despertar, para os eleitores saírem do estado hipnótico. Também é verdade que a fina flor da oposição, os seus oradores se esmeram para atraírem o povo, na verdade ludibriá-lo com discursos a insinuarem que eu sou o melhor de todos, comigo a governar não haverá mais miséria e fome. Que nós da oposição somos a chave que abrirá as portas da felicidade e jamais haverá tristeza. Portando-se como grandes homens de virtudes, muito honestos, extraordinários no apoio social, quando contactados pessoalmente, descobre-se que afinal veneram o reino da falsidade e até do desprezo. Infelizmente creio que ainda não há noção do que é oposição. Oposição é falar, falar até nos cansar, não, chega, basta! Os discursos da vaidade adormecem-nos como um narcótico.