domingo, 22 de novembro de 2015

OS PRESOS POLÍTICOS DAS PRISÕES/CEMITÉRIOS


Povo esfomeado
É povo revoltado
É governo derrubado
E isso está assegurado

Passa o carro do deputado
Sob o olhar do povo esfomeado
Olhar profundo, esbugalhado
Deputado é o que nunca será semeado

O m por onde passa
Só deixa desgraça
Com ele a miséria grassa
E a sua fome nos despedaça

O m por onde passa
Só deixa ruínas, fumaça
O m é a nação da devassa
O m é o poder da mordaça

O m tem a sua constituição
Que não é desta nação
O m está no auge da traição
Dos presos políticos e da corrupção

E prosseguem as forças das chacinas
Banco millennium da morte nos persegue
Quer-nos asfixiar, da morgue fazer minas
Parem-no antes que esta porra vos cegue

A hora da vossa partida está a chegar
Depois felizes vamos ficar
Nas terras espoliadas vamos morar
E da vossa repressão vamos escapar

Este poder é muito desumano
Não sabe o que é um ser humano
E por isso os tumultos já são diários
Não admira que haja tantos obituários

Estão plenas de morte as instituições
Presos políticos jazem nas prisões
A repressão abate-se nas multidões
Mas ninguém combate contra milhões

E quem a TPA e a RNA ouve e vê
Fica atrasado mental, nada mais lê
Nós temos disto que nos defender
E não em vão nos deixarmos morrer

Como os presos políticos vão morrer
Assim já foi sentenciado pelo poder
E da tal ditadura do poder popular
Os seus deputados não irão escapar

Imagem: Setenta anos da Coreia Do Norte. ELPAIS