quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

12 A 19 de Fevereiro de 2013. DIÁRIO DA CIDADE DOS LEILÕES DE ESCRAVOS




12 de Fevereiro
A luz fugiu-nos às 09.12 horas e lembrou-se de aparecer às 13.25 horas.
E na Espanha a corrupção é impressionante. Dir-se-á que toda a classe política, incluindo a Casa Real, está envolvida em actos de corrupção despoletada pelo tesoureiro, Barcenas, do Partido PP. É que nem o primeiro-ministro Rajoy, escapa. Quer dizer: as quadrilhas de malfeitores democráticos conseguem tapar os olhos dos eleitores, arvorarem-se de super-democratas, tomam o poder, e chamam-lhe democracia. É como se de repente gigantescas comportas do mar se abrissem e engolissem as águas num colossal abismo. Assim está servida a Espanha. E mesmo ao lado, Portugal, as consequências já se advinham, sentem-se catastróficas.
Afinal a corrupção alastra-se como uma epidemia, já é pandemia. Se não se fizer já uma limpeza geral, coisa mais natural do mundo - os camiões do lixo já estão prontos?! – assistiremos a mais um filme de ficção científica, daqueles do célebre realizador americano, John Carpenter.
13 de Fevereiro
A recolonização portuguesa.
Vivemos ou não, a maior hipocrisia de todos os tempos?
Nenhum país se desenvolve dependendo de quadros estrangeiros.
E sempre a fumarem, além do futebol, é o único passatempo de que dispõem, um ecossistema. Português! Se deixares de fumar, a tua capacidade instalada funcionará em pleno.
Há um ano que o português se instalou em Luanda. Pobre na miséria e no espírito, conseguiu contrato por tempo indeterminado como gestor numa empresa de informática. Ninguém lá na empresa conseguiu descobrir o que é isso de gestor, sim, sim, gestor de quê? Oh! Mas isso resolve-se facilmente, de uma assentada, e assim foi, o português atribuiu-se várias categorias a saber: gestor de estoques, gestor de clientes, gestor do pessoal, gestor do parque auto, gestor de informática, até ver. Só mesmo um português ultrapassado no tempo e no espaço. Por aqui se pode ver porque é que Portugal está no limbo da Europa e do mundo. Mergulhado numa tumba cadavérica e dela não deseja sair. E ao destruir Portugal, é necessário exportar essa loucura a que chamam gestão, para outros países. O eleito? Angola, pois então. Aqui há também uma questão que interessa ressaltar: se as empresas são todas do Minoritário, ou a ele ligadas, como é possível falar de economia nacional? Não será preferível chamar-lhe, desastre económico empresarial?
E o português relembrando, saudando, forçando, subjugando ainda o tempo colonial vira-se para o mwangolé, outra vez seu escravo de trabalho e açoita-o: «Vocês não gostam de trabalhar, são muito preguiçosos… olha, vou mandar vir técnicos de Portugal para fazerem o vosso trabalho.» Mas, o mwangolé habituado, já calejado, de tão enraivecidos e degradantes répteis humanos, serenamente enfrenta o neocolonialista português e demonstra-lhe a verdade: «Há dois anos que aqui trabalho como estagiário, faço o vosso trabalho em todas as áreas de redes, coisa que vocês não conseguem, não sabem, e sempre com a mesma categoria, e até agora nunca fui aumentado no vencimento.» O português fica engasgado, envergonhado, não sabe o que há-de dizer, tocaram-lhe na ferida do falso profissionalismo, pois o Minoritário apoia qualquer ser abjecto que escravize os mwangolés, e desculpa-se como qualquer parvalhão usa fazer: «Desculpa, não me referia a ti, tu sabes trabalhar, referia-me aos outros angolanos que são muito preguiçosos e que não gostam de trabalhar… vou mandar vir mais portugueses!»
Com tanto analfabetismo português à solta, que será de Angola? Só o Minoritário o sabe, ou parece que não, porque não restam dúvidas que isto vai explodir, vai sim senhor! Mas como o Minoritário é o detentor da verdade, e ele é que sabe tudo.
14 de Fevereiro
Sempre na mesma, imutáveis: ou não estão, ou então ainda estão numa reunião e não se sabe quando é que ela acaba.
14.57 horas. Espantei-me, mas, não se houve nenhum som? Nem uma buzina de um carro? O roncar louco de uma motorizada? Impressionante! E outra vez de repente, houve-se sim o terrível som do gerador do banco millennium Angola, e do seu fumo mortal, os tais que funcionam, são a alavanca, os mentores dos tumultos da derrocada desta merda.
15 de Fevereiro
É demais! Uma aterradora lavagem cerebral, que é sintonizar uma rádio e sai desporto. Outra, a mesma coisa, e ainda outra ibidem. Estamos encostados à parede da política, religião, poluição ambiental, sonora, bancária e desporto. E isto extermina o ser humano, a civilização.
Espoliaram a energia eléctrica às 11.27 horas.
E os cidadãos terão acesso às novas notas (de cinco e dez mil kwanzas,) diz o BNA. Cidadãos?! Quais?! Cidadãos só uma minoria do Minoritário, os outros são os estrangeiros. É por demais evidente que estas notas servem para facilitar a vida das empresas do Minoritário, e dos seus estrangeiros que movimentam muitos, muitos milhões de kwanzas/dólares. Entretanto, o mano Luther Rescova da Juventude do Minoritário disse que só desenvolvendo a economia haverá bem-estar. Mas, se a economia está concentrada num pequeno grupo Minoritário, como é que ela se desenvolverá?
Na hecatombe das deportações dos escravos no quilombo de Angola, quem mais sofre são as crianças. Uma coisa não entendo: porque será que o UNICEF não ergue a sua voz de condenação? PORQUÊ?!
E ao pensar no dia de hoje, no plano de trabalho para amanhã, incluo: oh! Não sei se haverá energia eléctrica, água e internet.
Isto é África!
E como ninguém consegue domar a aberração que domina Angola, não sei por quanto mais tempo assim permaneceremos, mais meio século? Um século? Eternamente? Tudo indica que sim.
Enquanto em todo o mundo há uma crise financeira, a tal global, em Angola não, há crise de corrupção.
Espoliaram a luz às 10.27, e devolveram-na às 13.01 horas.
16 de Fevereiro
O professor é como o governo. Se o professor não sabe para ele, quanto mais para ensinar, mesmo assim o aluno é contemplado com um diploma… de burro. É como o governo, não sabe ensinar, dirigir, então ao povo impõe-lhe o decreto governamental da burrice.
17 de Fevereiro
07.40 horas, o Governo da escuridão apagou-nos a luz.
18 de Fevereiro
Segundo o Dr. Elias Issac (director da Open Society – Angola), o que ele viu no bairro do Mayombe-Cacuaco, onde milhares de moradores viram as suas casas a serem demolidas (1 e 2 de Fevereiro de 2013), mulheres, crianças... Angolanos como nós debaixo da chuva porque não tinham lugar para se refugiar. Nem o ditador Idi Amin (Uganda) ou o Mobutu Sese Seko (RD do Congo) tratavam o seu povo da mesma forma. In Florindo Chivucute. Facebook
19 de Fevereiro
Continuamos na mesma.
O deputado da UNITA, Manuel Saviemba, ligou para o 113, e de lá responderam-lhe: «O seu número de telefone está na lista negra.» Denunciou ele na Assembleia Nacional durante a discussão do OPE – Orçamento do Petróleo do Estado.
Aproveito para denunciar, que quando tive uma ligeira altercação com um engenheiro de comunicações, ele contactou a MOVICEL e bloquearam-me o telemóvel. Ainda continuamos num Estado de Direito da ditadura. O Estado são eles, é deles.
Onze horas e vinte e oito minutos. Escuto a Rádio Ecclesia, o locutor informa que a cidade de Luanda em algumas ruas está intransitável. Buracos, poeira, lixo e cheiros nauseabundos. Fiquei com a impressão de que Luanda ficará com o trânsito paralisado, isso também já não surpreende ninguém, creio, desde que os fluxos petrolíferos abasteçam os nossos fazendeiros.