quinta-feira, 6 de junho de 2013

24 A 29 de Maio de 2013. Diário da cidade dos leilões de escravos




24 de Maio
O vizinho do terceiro direito lá continua a aprimorar o seu apartamento. Bate, bate, parte, parte, destrói, destrói. Parece que está na mudança dos mosaicos e dos azulejos, a única coisa que sabem fazer para alugar um apartamento a estrangeiros.
25 de Maio
Uma aventura nas profundidades.
Não percamos tempo com isso do dia de África. Vejo-a cada vez mais mergulhada na miséria dos seus sepulcros, e no esforço do esbanjamento dos dinheiros das populações pelos seus governantes, a que chamam de povo, na publicidade mundial dos mercenários da informação, que a África está muito bonita, apetecível para o turismo sexual. Que a África é o único continente que apesar do colapso da economia mundial, a África cresce… na miséria. É isto mesmo, África é sinónima de miséria, de corrupção e de embarcações da morte no rumo da vida na Europa. África ainda é incapaz de reunir os seus intelectuais numa causa única pela sua liberdade e democracia. África ainda é um continente perdido, já não são abutres, mas agora onde cada país do mundo escraviza os africanos na extracção de minerais valiosos e cria movimentos de libertação, angariando generais, isto é o que há de mais em África, qualquer um é general. África é o continente dos generais, dos chacais à toa descontentes que obrigam crianças a trabalharam nas minas para extraírem o coltan para os celulares das ainda poderosas multinacionais, essas que promovem o terrorismo mundial e que depois tudo fazem para o conter sem o conseguirem, pois quem luta a favor da miséria num planeta povoado por milhões, muitos, muitos milhões de miseráveis tem a batalha perdida e os políticos terão o fim que merecem: as fogueiras da nova inquisição. Não, não quero ouvir falar do dia de África porque os seus filhos continuam incapazes de se libertarem dos seus ditadores, porque só pensam nos seus assuntos e nas suas carreiras pessoais. Quantos mais franceses virão para continuarem na libertação, isto é, na imposição da escravidão dos seus recursos minerais, creio que não é necessário abordar a nova descoberta chinesa de África oferecendo umas migalhas a que chamam de ajuda, de financiamento, é que assim mais uma vez lá estão os africanos subjugados. Qualquer um lhes serve para a manutenção da escravidão. E quem está habituado a viver na miséria dela não quer sair, ela é o seu modo de vida, e quem o tentar os contemplados pela miséria não deixam, impedem-nos.
No dia 23 de Maio cliquei em duas ligações da Unita no Club-K e não consegui aceder. Tentei também no Angola24horas e também não consegui. Enviei uma mensagem no Facebok a um meu amigo e ele disse-me que demorou cinco minutos para a conseguir ler, onde ele me alerta que há um filtro, espionagem, nas comunicações.
No dia 24 de Maio tomo conhecimento no Facebook de um editorial do insigne jornalista William Tonet, director do jornal Folha 8. Clico na ligação e entro no Club-k, faço a cópia do texto mas ele está bloqueado, não consigo. Fiquei surpreendido porque há já meia dúzia de anos que uso o navegador Mozila, é o melhor que há, tentei gravar a página, não consegui e: «Porra! esta merda está mesmo fodida!» Pensei
Como já não sou nenhum amador nestas andanças, fui para o outro navegador, Opera, aguardei que ele se actualizasse pois uso-o para casos de emergência como este, e ele diz-me que não consegue gravar a página, então: «Porra, esta merda está mesmo muto perigosa, os clarividentes estão na loucura final do controla tudo e todos, isso mesmo que antecipa a queda dos históricos ditadores, apesar de que eles nunca se apercebem, e na viagem final arrastam consigo algumas multidões de mortos, tipo faraós.» Assim meditei.
Tentei o Internet Explorer do Windows e consegui gravar a página. Depois cliquei no lado direito do rato e instruí o programa para a abrir com o Word. Consegui, copiei o texto do jornalista William Tonet e publiquei-o no meu blogue.
Manos e manas redobrem de cuidados porque nunca estivemos tão vigiados como agora… no estertor final.
E uma modesta dúvida me percorre os vasos sanguíneos: Mas eu sou assim tão incómodo para o regime que mereça tamanha vigilância electrónica?
A brigada dos piratas informáticos do exército chinês já se aquartelou em Luanda?
26 de Maio
Isso que eles chamam de energia eléctrica – não sei porquê – abandonou-nos às 22.03 horas. Os geradores têm pouca saída, um apagão resolve o problema desta facturação.
27 de Maio
A luz deles chegou às 02.18 horas.
Dezoito horas e doze minutos. Ouve-se o intenso troar das sirenes policiais na defesa da democracia e da consolidação de doze anos de paz e dos desaparecidos que ousam reivindicar os seus direitos. NINGUÉM ESTÁ AUTORIZADO A MANIFESTAR-SE, porque a democracia ainda é um sonho, o petróleo asfixia-a.
Pedrowski Teca no Facebook: "Só nos dão valor quando os jovens se manifestam. Até os salários sobem" disse um polícia anti-terror.
Luanda 27 de Maio de 2013. Vigília sobre dois jovens manifestantes, Kamulingui e Kassule, há um ano desaparecidos. “Acabo de receber a notícia que o Mandela foi torturado e atirado para as imediações da shoprite (supermercado). As clínicas estão a rejeitá-lo, a única que parece disposta a recebê-lo é a Providência. Os jovens estão sem fundos (fonte Adolfo) ” Facebook
28 de Maio
Os doentios podem chamar-lhe chauvinismo Acaba de chegar ao meu conhecimento uma série de atropelos à lei laboral (?) por portugueses. Um exemplo: mwangolés que continuam estagiários há dois anos sempre com o mesmo vencimento. Uma portuguesa mal chegou, passados seis meses aumentaram-lhe o vencimento. Os portugueses têm direito a comerem e beberem o que bem lhes apetecer, os mwangolés, nada. Os portugueses não fazem nada, fingem que trabalham. Obrigam os mwangolés a trabalhar sem parar e dão-lhes uma sandes com um copo de água, se a houver. O tratamento é discriminatório, selvagem, racista, do tipo: "Vocês não gostam de trabalhar." Mais portugueses e portuguesas chegam, mas mal preparados na área e logo saltam por cima dos mwangolés, no complexo do colono. A coisa começa a aquecer e os portugueses arriscam-se a levarem uma grande surra. Porque é que fazes isto, José Eduardo dos Santos, neste MPLA irreconhecível, sangrento, que nos amarra, algema na nova brutal selvajaria? Isto assim não vai nada bem, todos o sabemos menos o nosso grande clarividente. Quer dizer, sempre a ferver para a panela rebentar de vez, o que se poderia evitar, mas não. ISTO ESTÁ DEMAIS, BASTA!!! Quem são os terroristas?!
29 de Maio
Apagaram-nos a luz às 08.51, ela acendeu-se às 09.43 horas. E lá se foi outra vez - esta energia eléctrica chama-se outra vez - às 11.55 e no gozo festejou-nos às 13.31 horas. Será que houve alguma manifestação e alguém das milícias confundiu alguma torre de alta tensão, prendeu-a, torturou-a e ela não aguentou e sucumbiu? Entretanto a recém marca de geradores MPLA já faz sucesso no mercado. Comprem geradores MPLA, assistência técnica nunca garantida.
A ciganada portuguesa - até as prostitutas os evitam, se queixam, porque furtam-se ao pagamento dos serviços prestados, aprenderam com os seguranças? - enxovalha os mwangolés para que estes, devido aos maus tratos abandonem os empregos, e mais piranhas portugueses e portuguesas ocupem os lugares vagos. Isto já não é um vulcão, é uma bomba atómica. É que todos os dias oiço relatos de conversas mantidas com os camonianos onde se exaltam os feitos da descontrolada invasão do exército tuga – todos os dias caras novas, e o meu emprego está então aonde?! - que outra vez em força, e em conluio com as forças nacionais mais retrógradas pretendem que nas galés e nos seus porões se reinicie a inundação de escravos, nas fazendas outra vez. E outra vez de chicotes em punho, brandem-nos ameaçadores sobre as costas calejadas dos mwangolés. Vêm incrustados de vícios e de imoralidades porque Angola está outra vez colonizada.
Imagem: Ermelinda Freitas