quarta-feira, 4 de setembro de 2013

23 A 28 de Agosto de 2013. Diário da cidade dos leilões de escravos




23 de Agosto
A história actual de Angola e da humanidade é a continuação da história dos massacres das populações.
Não faças da política um passatempo, porque senão ficas como a criança quando nela se entrega um brinquedo.
Quando não se constroem escolas, constroem-se muitos condomínios e muitas prisões.
O escritor e etnólogo angolano Óscar Ribas (1909-2004), não lhe davam valor porque era negro.
Farinha de milho para os escravos.
Mais de dezasseis toneladas de farinha de milho impróprias para consumo, e já à venda ao público, foram apreendidas pelo INADEC no Cacuaco, num armazém dessas inúmeras empresas de trading - empresas que negociam tudo – que facilmente se instalam em Angola, pois as comissões obedecem à única política vigente no mercado em Angola – a corrupção - e importam tudo o que é merda e morte para o nosso consumo. O INADEC suspeita que essa farinha é proveniente do Brasil. E como ainda não há diferença entre os porcos e os mwangolés. (Texto com base no noticiário das 12.30 da Rádio Ecclesia.)
Delinquentes fazem de Maputo estado de sítio. Claro que é o que se vive – e seguirá em Luanda - porque os regimes são muito igualitários.
24 de Agosto
Eles não sabem o que é isso de Cunene: uns pensam que é um banco recém-inaugurado, outros estão muito convencidos que é mais um campo de petróleo. Aliás, convém esclarecer que para essa gente, Angola é um campo de petróleo, só tem petróleo, sem habitantes, um caso único no mundo.
25 de Agosto
Se a tal fábrica de armamento que se construirá em Angola – preferencialmente em Luanda para que quando explodir mate muita gente e destrua muitos bens da população – se os chineses estiverem envolvidos nisso, o que é muito natural, Angola será com toda a certeza outra vez trincheira firme de mais um Darfur, pois a intenção é mesmo essa. Abastecer de armas os mwangolés e países vizinhos para que se aniquilem entre si, e depois a divisão de Angola em um bocado para ti e outro para mim.
26 de Agosto
O jornalista Celso Malavoloneke – que de jornalista não tem absolutamente nada, tal como no nazismo – e outros seguidores da mediocridade, da destruição do jornalismo, e que se notabilizam pelo excelentíssimo trabalho, a destruição total e completa do MPLA. Então não é que o Celso atreveu-se na Rádio Ecclesia – mais uma vez profundamente estúpido, coisa que muito o caracteriza – com muito à-vontade a criticar a origem dos financiamentos que o Rafael Marques de Morais obtém. É que o Celso recebe dinheiro da corrupção jornalística do regime ainda leninista, e o Rafael é financiado por regimes democráticos. Então temos: o Celso defende a ditadura leninista e o Rafael defende a democracia. E quando a justiça chegar o Celso abonará em sua defesa em conjunto com os seus amigos, que não senhor, nós sempre defendemos a democracia em Angola – apenas éramos mal-entendidos - isto é, os financiamentos da corrupção que apoiavam a cem por cento, e dela principescamente viviam.
27 de Agosto
Quando a mediocridade se instala nos meios de comunicação de um país, o seu Governo enferruja-se e acaba por sucumbir. Pois onde só há ferrugem, há desabamentos.
Não sabem fazer nada, dizem maldosamente dos mwangolés. Pois, se além da corrupção a governação não sabe fazer nada, o povo também não.
Parece-me admirável a coragem dos mwangolés que ainda resistem à informação das rádios, TVs e jornais com noticiários de há cem, ou mais anos atrás. E ainda os admiro mais quando comentam a falsidade dessas notícias. Afinal investir no analfabetismo também é um bom negócio.
Mas, um governo que parte casas isso não tem nenhuma sabedoria, porque qualquer delinquente o faz.
Mais: esse governo não foi eleito para partir casas, mas sim para as construir. Só isso basta para provar que houve fraude eleitoral.
É perfeitamente impossível o Poder depender de jornalistas bajuladores. Porque esse Poder está minado, e como tal essas minas de bajuladores explodirão e com o Poder acabarão.
A jovem vizinha está possuída pelo choro. Bastou olhar para ela e logo se lamentou, explicou o porquê de tantas lágrimas: «Ontem, quando cheguei por volta das vinte e três horas, depois de estacionar o meu carro, e já quase na entrada do prédio, um jovem gatuno aparece-me de repente, roubou-me a pasta com os documentos e outras coisas pessoais que me fazem muita falta, incluindo vinte mil kwanzas. Ai meu Deus, estou tão triste, e agora o que é que eu vou fazer sem documentos, sem os meus cartões de crédito!» E continua a chorar, não se sabendo quando vai terminar, e lembra-nos o terror que cada vez mais se fortalece: «Olhem, não vale a pena andar aí na rua à noite, se de dia já é o que é… é que todos os vizinhos aqui dos prédios já foram assaltados assim à entrada deles. Isto está um horror! Ninguém escapa.»
28 de Agosto
O segurança tinha dois mil kwanzas conseguidos só Deus sabe como. Talvez nalgum biscate de ajudar algum vizinho aflito do prédio. Viu um jovem com umas pastas bonitas e decidiu comprar-lhe uma. O jovem não tinha troco, porque parece que não mas dois mil kwanzas é muita massa a quem não é permitida a aproximação de um campo petrolífero e lhe obrigam a confinar-se no campo de concentração de Luanda. E o segurança entregou a nota no jovem que rápido se prontificou em ir trocá-la. E o segurança ainda hoje continua à espera do jovem, ele fugiu-lhe com o dinheiro. E o segurança confessou que os seus filhos em casa continuarão a passar fome, porque ele contava com esse dinheiro para os socorrer. Ah! Petróleo não mata a fome, mas enche os bolsos dos magnatas petrolíferos. Onde o petróleo abunda, as populações são como que gaseadas à Síria.
CONSELHO DA REVOLUÇÃO
Resolução especial sobre a lei da nacionalidade
Reunido em sessão extraordinária sob a presidência do nosso benemérito benfeitor, grande amigo e defensor do povo angolano, este Conselho decidiu por unanimidade o seguinte:
§ A partir desta data o angolano é considerado ilegal e criminoso, e como tal a sua caça é permitida. Devem ser perseguidos implacavelmente – vale-tudo, incluindo o uso de armas químicas - e conduzidos aos campos de concentração já improvisados para o efeito.
No interesse da Pátria e de alguns estrangeiros permitir-se-á o seu uso para as mais variadas experiências no interesse da ciência. Serão criados comités especializados de estrangeiros que imediatamente depois dos angolanos escorraçados para os seus locais zoológicos, os estrangeiros ocuparão os seus lugares onde construirão as suas residências, os seus condomínios. Prioridade será dada aos nossos amigos sinceros chineses e portugueses, pois sem eles a nossa permanência no Poder não será possível. Que os angolanos regressem aos seus covis donde deles não devem jamais sair.
Cumpra-se e publique-se
O CONSELHO DA REVOLUÇÃO
A guerra química da Síria: creio que se não se tomasse a atitude que Obama e os seus aliados acabam de decidir – um castigo exemplar – a Síria e seus amigos ao exterminarem populações com o uso de armas químicas, nem bebés escapam, estavam na experiência do saber se os outros países deixariam incólume essa selvajaria, e então incrementariam os ataques, o alvo mais próximo seria Israel. Quer dizer: ficavam com as mãos livres para utilizarem a guerra química onde desejassem. Até onde chegámos, e mais onde chegaremos? 
Mas como é que os jovens se podem dedicar aos estudos se não têm dinheiro para comprarem livros?
E o petróleo destruiu Cabinda: peixe foi-se. E tudo o petróleo espoliou, desgraçou.
E os portugueses regressam, novamente em força. Vão mobilizados para o cumprimento do serviço militar obrigatório no ainda ultramar português, na defesa do cristianismo e da civilização. Evangelizar os gentios é preciso, pois ainda não conseguiram sair da condição de demónios, de fervorosos crentes da feitiçaria.