segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Xuxuadas e Camel toe





Afinal não foi Mary Quant que inventou a minissaia.
Quando a moda ditava seios pequenos, as bandagens cuidavam de pressioná-los, quando a cintura precisava ser fina, os espartilhos faziam o trabalho de espremer as costelas e afinar a silhueta. E para quem tem horror a uma barriguinha, saiba que ela também já esteve na moda. "Na Idade Média, as mulheres usavam enchimento por baixo das roupas para manter o ventre saliente e arredondado", lembra a professora de moda do Senac, Débora Caramaschi. A história da lingerie se confunde com a da roupa íntima feminina. Segundo Débora, o primeiro registro de preocupação da mulher em cobrir o seio acontece entre os séculos 3 e 4 antes de Cristo, quando elas usam tecidos em forma de bandagem e túnicas até os tornozelos. A coordenadora do curso de design de moda da Faculdade Belas Artes, Valeska Nakad, afirma que na civilização de Creta, na Grécia, por volta de 2.000 e 1.400 a.C apareceu um corpete simples que projetava os seios. "Era inspirado no ideal de beleza feminino da época, a Deusa das Serpentes", disse. Na Idade Média, entre os séculos 5 e 15, surgiu a cota, uma túnica com cordões, considerada o ancestral do corset, disse Valeska. Segundo a coordenadora, também existia um corpete que era amarrado nas laterais ou nas costas e costurado à saia, conhecido como bliaud. "Ainda havia o soquerie, uma cota muito justa conhecida como guarda-corpo", citou. No período da Baixa Idade Média, entre os séculos 5 e 10, o ventre saliente e arredondado, combinado a seios e quadris pequenos, compunham a beleza da mulher. "Elas usavam enchimento por baixo da roupa para aumentar o ventre e bandagens para pressionar os seios", afirmou a professora de moda Debora Caramaschi. De acordo com a professora de história da moda na universidade Santa Marcelina, Miti Shitara, o período foi marcado pela "silhueta gótica" - seios pequenos e ombros caídos. In moda.terra.com.br
Nem só de lavar a louça vive uma mulher, disse-me uma amiga que andava praticamente com os seios nus para atrair os homens, mas agora – continuou – com essa da xuxuada, eles caem, são atraídos como num poderoso íman, anzolados... é tiro e queda! E rematava que assim se torna mais fácil pegar um bosse, um deputado ou um general. É nacional, é bom e eu gosto!
Claro que a moda do despir quanto mais a mulher é sempre um bom negócio, apesar de que hoje em dia os machos andam muito exigentes, recatados, cautelosos devido ao pavor da Sida. Mas se a moda pega os lucros ficam fabulosos.
E o amor anda por aí perdido às toneladas nos collants xuxuados, de desejos ardentes, sonhados. Já deixou de se entender onde começa e onde acaba o amor.
Nele tudo se compra e tudo se vende. Vale tudo, as suas regras de conduta estão adulteradas, como perdidas num oceano desconhecido, que por mais esforços que se façam ninguém o consegue reencontrar. Mas contudo ainda se acredita no lugar-comum de que a vida é bela.
E depois da “tchuna baby”, eis o tempo - o templo - do collant xuxuado, que pelos vistos, “chegou, viu e venceu.”
Já me imagino de olhar fixo nessas flores desenhadas, nesse chamariz super sexual numa sociedade desregrada onde se copia tudo. Aqui uma questão: porque será que muito raramente vejo uma jovem a ler um livro? Porque se procura tudo o que é mais fácil, e não custa nada oferecer o corpo, mais tarde é que são elas.
Há imemoriais tempos que os puristas debalde se esforçam por manterem os mesmos costumes, os mesmos modos de viver, como se as regras sociológicas fossem imutáveis ou dependessem de um reduzido número de indivíduos que ditam as regras do como se vestir, ou quais as partes do corpo que devem ser exibidas em público. Isto tem constituído a milenar luta entre os academistas que se opõem a qualquer reforma e os reformistas que sempre pugnam por ela, pois até o clima nos impõe novas mudanças. E desculpem-me o chavão de Lavoisier (1743-1794), «Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.»
Safo, (VII antes de Cristo) a maior poetisa da literatura grega, a sua poesia de conteúdo erótico revelava o protesto da mulher pela dominação masculina, daí dando origem ao lesbianismo, da ilha de Lesbos, e á palavra, lésbica.
No ano de 1863 tem lugar a exposição do salão dos recusados - das obras recusadas - no Salão de Paris da Real Academia Francesa de Pintura e Escultura. Manet e Césane estavam entre os proscritos. Assim se originou o Impressionismo, de Impressão, nascer do sol, (1872) de Claude Monet.
A Maja Nua, uma das mais célebres obras de Francisco de Goya, (1746-1828) em 1814 a Inquisição confiscou-a por a considerar obscena.
A Odalisca é um quadro do pintor Ingres (1780-1867) que retrata a nudez de uma mulher do Império Otomano que podia chegar até a esposa do imperador.
O quadro de Corbet, (1819-1877), A Origem do Mundo, é considerada a obra mais “escandalosa” da história da pintura, porque mostra ao pormenor o sexo feminino, a vulva em todo o seu esplendor.
Já as brasileiras quando os portugueses as descobriram com apenas uma tanga que mal lhes cobria o sexo, deslumbraram-se, enlouqueceram-se de lascívia, mas os sacerdotes cristãos logo os advertiram que isso não era gente, eram coisas, eram demónios. As senhoras portuguesas andavam vestidíssimas da cabeça aos pés, mas mais tarde acabaram pela ostentação da nudez, porque afinal andarem muito tapadas prejudicava a ventilação dos seus sexos e daí as doenças vaginais. Não foi por acaso que se inventaram as saias.
Quando actriz Ursula Andress, no filme, “007 Contra Dr No” ousada sai do mar em biquíni, é o fim do escândalo e o triunfo de mais uma moda.
Antes a sua condenação foi violenta, condenada ao ostracismo: “O pedaço de pano foi, durante muitos anos, considerado escandaloso e a sua utilização foi proibida pelo Papa Pio XII no final da Segunda Guerra Mundial por atentar contra os padrões seguidos pela igreja.”
“Sempre a dizer mal daquilo que é novo, a sociedade apelidou o modelo de imoral e condenava o seu uso nas praias ditas "de família"
“Sabiam que houve países que proibiram completamente o uso do biquíni? Portugal, foi um deles... Mas não nos podemos esquecer que, nessa época, era Salazar quem mandava...”
Da minissaia pouco ou nada há a dizer, pois a sua história é demasiadamente conhecida excepto que não foi Mary Quant quem a inventou pois: “A mais antiga cultura conhecida em que as mulheres usavam minissaias era a Duan Qun Miao, que literalmente significa "saia curta Miao" em chinês. Isso foi em referência às saias curtas "que mal cobrem as nádegas" usada por mulheres da tribo, e que eram "provavelmente chocantes" para os observadores do povo han durante a Idade Média e Idade Moderna.”
Ainda hoje há países que proíbem o uso da minissaia, invocando que não desejam que os costumes ocidentais os pervertam.
Seguem-se-lhe o Hot Pants, um invento de Mary Quant – um calção muito curto que deixa as pernas à mostra - o monoquíni, o topless – só biquíni, xuxas à mostra - o microbiquíni e o fio dental que desafiam o conservadorismo, pois o fim é esse mesmo, escandalizar, provocar.
As praias de nudismo consideram-se normais desde que em circuito fechado e que nunca venham para as ruas, porque é muito escandaloso, passível de violação pois chama, apela o convite ao sexo.
Hoje, nas passarelas da moda, manequins desfilam minúsculos tecidos interiores transparentes que mal lhes cobrem os seios e a genitália, que são aliás por demais nítidos, pois mostram tudo. E não é nenhum escândalo, é perfeitamente normal.
As nossas muílas até ao Namibe andam de seios ao léu e não se consideram indecorosas - muito pelo contrário - são um monumento nacional.
Há muita pedofilia por aí, até as meninas-crianças gemem: «Ai tio, não me faças doer.»Mas não se houve o desenvolver nenhuma campanha nacional para acabar com este escândalo, com esta aberração que de tão vulgarizada que está, já ninguém lhe liga. É o prato do nosso dia-a-dia. É “pedofilar” para a frente.
Sempre assim foi e sempre assim será, com ou sem reminiscências do Cristianismo o collant xuxuado seguirá em frente. “A reacção não passará!”.
(Fontes das pesquisas: Internet)
Imagem: recado.info