sábado, 21 de maio de 2016

DIÁRIO DE UM FAMINTO (12)



De facto o ódio não resolve nada, por isso usem a cabeça. Há sempre uma solução para tudo. Sobretudo, nunca entrem em pânico. Há que manter a cabeça fria.
Todos querem dominar o mundo, mas esquecem-se que o mundo tem milhões, muitos milhões de pessoas.

O mais importante é pensar… se nos deixarem, claro, o que por aqui é quase impossível porque somos comandados por um exército de não pensadores.
António Pereira de Campos. Escola Secundária do Fundão. Concordo com a sua... insinuação... contudo pelo que vemos e lemos, o mundo entrou todo, sem excepção, na corrupção e por inerência dessa corrupção, envolveu-se nos off-shores. Como o dinheiro não tem religião, partido ou cor, se não entrar no nosso País, irá entrar noutros Países também não escrupulosos. As decisões têm de vir de cima, porque isolados nada conseguiremos e tudo se manterá favorecendo outros e deixando o nosso País (Portugal) na... agonia... da falta de fundos/dinheiro.
Isto por aqui está a ficar bom demais porque me confidenciam, me garantem que a mulher é a serpente mais perigosa que existe no mundo.
Creio que deve ser criada uma lei universal que obrigue as famílias a viverem para sempre juntas e, mais do que tudo, em paz.
Como é muito triste assistir à ruína de tudo.
O segredo de viver, de sobreviver neste mundo, é sem dúvida alguma a hipocrisia. E necessita-se de muita experiência para se atingir tal desiderato.
Onde há fome, há muita confusão.
Na província de Benguela os centros de hemodiálise estão em risco de parar porque não têm medicamentos, porque a centralidade de Luanda não os envia. São cerca de quatrocentos doentes que abandonados não conseguirão sobreviver, porque o petróleo os abandonou. Petróleo, o grande amigo de alguns e feroz inimigo de milhões.
Por aqui todos os caminhos nos levam à infelicidade.
E os mwangolés descobriram o segredo de como acabar com a miséria e a fome. Vão todos os dias para as igrejas rezar, na vã, na falsa esperança que um malvado bispo ou padre lhes salve. Mas não, porque quanto mais rezarem, mais fome será a sua salvação.
Sem acção, as palavras ficam inúteis. Como aquele ao que se grita que não nade na praia no local do perigoso redemoinho. Ele insiste, é arrastado no turbilhão das águas e desaparece.
Dúbias ambições políticas não conduzem a nada.
Creio que por vezes a oposição angolana confunde-se muito com o partido no poder. É só linguajar e isso não nos liberta da miséria e da fome, muito pelo contrário, é o acentuar da desilusão. Têm que dar lugar a outras vozes, rejuvenescer.

Os mercenários portugueses tudo fazem para se manterem no saque.
Incluindo o declararem-se grandes amigos do povo angolano e louvando os desaires da miséria e da fome da grande maldição do petróleo.
Como o português – mais um - andarilho cigano, Francisco Moita Flores, em entrevista ao Jornal de Angola para defender o seu negócio da voraz rapina que considera que "muitos dos críticos das decisões das autoridades angolanas estão armados de um paternalismo moral, muitas vezes a rondar a beatice". E o diabólico dinossauro adianta para encher os seus bolsos, enquanto nós por aqui já não acreditamos nessa tal maldita esperança: “ Na maioria são ignorantes das realidades que criticam.” Mais um para a majestosa fogueira da bastilha.
Quando alguém diz – e todos dizem – que Angola não tem dólares nem euros, aparece sempre um militante do PCP-Partido Comodista Português, ou similar, a defender que as divisas dos bancos são enviadas para as ruas. Mas o que acontece é que nas ruas também não há dólares nem euros. Creio que já é hora dos comunistas/comodistas portugueses abandonarem a política da terra queimada, porque isso também os incendiará. Como é impressionante verificar que passado um ror de anos a África negra ainda contrata, depende de mercenários para ultrajar e manter na miséria e na fome as populações à mercê, reféns de tal bandidagem. Ó brancos!, deixem os autóctones em paz.
Um amigo português confidenciou-me que a principal característica deste mercenarismo é que quando um português está com angolanos fala mal dos portugueses e quando está com portugueses fala mal dos angolanos. Mas, se estamos na miséria extrema como é possível ouvir esses mercenários tecerem considerações de que Angola ainda é um paraíso, o local eleito por Deus para se viver. Essas intempéries de palavras provocam ódio, mal-estar, desgraça e como sempre sucede, os inocentes é que sofrem as consequências.
Para tais mercenários o que importa é defender a corrupção como factor de desenvolvimento, que daqui a pouco tempo tudo se resolverá, uma nova vida surgirá. Sim, sim, só para eles e para nós nada será.
Pois não, eles nunca falam da corrupção, porque senão não se alimentarão. E devido a isso só provocam mais confusão. Quem nos dias de hoje não se sente aterrorizado pelo simples facto de ser assaltado em qualquer lado, até em casa. Como o último exemplo de há dois dias, de noite quatro bandidos tentaram entrar no prédio, mas foram interceptados por seguranças, senão seria uma razia em todos os apartamentos. Claro que para os mercenários isto são coisas normais, não há motivos para alarmes.
Angola é a pátria, o santuário dos mercenários.
E nesta correnteza de incerteza um caudal é certo: o desgovernado submarino Angola continua no seu mergulho para as profundezas abissais, porque não há ninguém com coragem para assumir o seu comando e o liberte da incomensurável tragédia que se faz presente do comando ausente.
Entretanto a Ibéria, uma companhia aérea espanhola anunciou que a partir do próximo dia um de Junho de 2016 não efectuará mais voos para Angola. Significa que a crise se agudiza, que outras companhias seguirão o mesmo caminho e depois só … a nado.

Frases
A diferença entre uma democracia e uma ditadura consiste em que numa democracia se pode votar antes de obedecer às ordens. (Charles Bukovski. 1920-1994)
As guerras demoradas terminam sempre com a destruição ou a desgraça dos dois beligerantes. (Xenofonte. ?430-354 BC)
A tirania é um hábito com a propriedade de se desenvolver e dilatar a ponto de tornar-se doença. (Dostoyevsky. 1821-1881)
Destino: aquilo que autoriza os crimes do tirano e serve de desculpa para os fracassos do idiota. (Ambrose Bierce. 1842-?1914. Um escritor americano conhecido pelas suas curtas histórias, desaparecido no México onde nunca foi encontrado)
Entretanto, bajulando os pintos vão piando, e sem asas, inúteis voos vão alçando.