quinta-feira, 26 de maio de 2016

O SUBMARINO ANGOLA (01)



INTRODUÇÃO

Esta é a idade moderna dos submarinos dos países da submersão, que mergulham os seus povos na exclusão, na permanente subversão. Antes foi a idade dos séculos dos reis, agora ainda não se sabe que tempos são estes.
Como uma pessoa que abalou, como uma pessoa que diz adeus a tudo em que acreditou.
As populações perderam a esperança, morrem à fome, mas a Igreja sempre caridosa diz que isso é a vontade de Deus.
Quando o vice-presidente do submarino Angola viaja num avião particular, desses dos tais jet stream, para o Uganda em representação do presidente da república, algo está mal, muita coisa está muito mal porque não é possível perante a anunciada crise petrolífera, sem medicamentos nos hospitais para salvar crianças, as principais vítimas porque indefesas, as pobres coitadas não se sabem defender - que morrem como moscas atacadas por insecticida, o vice-presidente vá esbanjar, a riqueza evidenciar num avião de alto luxo. Crise para nós, opulência para eles. Ó santo Deus! Diabólico Deus que não passas de uma grande merda, pois permites, incentivas tais desprezos pela vida humana. E sendo assim, só o demónio nos salvará.
Depender única e exclusivamente do preço do petróleo, assim como creio que o mais indicado é não perder tempo com essa coisa que dá pelo nome de oposição – os chamados partidos políticos da oposição – porque já nos bastam as desgraças que temos. Oh, como é tudo incipiente!
As nossas vidas dependem dos submarinos políticos, sociais, económicos, da corrupção e nos últimos tempos, dos desastres naturais da política do deixa andar.
Por mais que se tente combater essas tragédias naturais e as outras humanas também naturais, - é tudo tão natural - os submarinos das nossas vidas mergulham-nos no mais profundo abismo das nossas almas. E por todo o lado se escutam os sacerdotes do falso Deus – sim, essa coisa de Deus é a mais atroz falsidade que uma seita de seres humanos, os profetas da malvadez inventaram e que apesar de já quase todos sabermos que isso é a negociata criminosa que abastece a associação de malfeitores da Igreja, ela mantêm-se hipocritamente como a defensora da verdade de Deus, quando na verdade é a grande impostora. O submarino da Igreja é o nosso pior abismo porque ela é a origem dos abismos. Porque morrer em nome de Deus em vão, todos perecerão.
As igrejas do submarino de Angola tentam por todos os meios arrastar o submarino de Angola para o abismo religioso, e creio que já o conseguiram, porque seguem escrupulosamente as estratégias do Ruanda de, quantos mais genocídios melhor. De padres não tem nada e de Bispos é o submarino do abismo da Igreja que se anuncia.
Dominar um povo? É muito fácil. Basta o submarino corrupto de Angola e vacinas diárias da corrupta religião. E com uma dúbia oposição política, o casamento é mais que perfeito, é eterno. Tal e qual como a arca da aliança, o cristianismo é o maior inventor de mentiras. A religião é o submarino político da repressão. Como a hipocrisia dos adultos que fingem esquecer que já foram crianças, que já foram filhos, e tratam os seus filhos como seres de outro mundo.
Disse o Bispo do Uíje, citado por Sediangani Mbimbi: “ o cristianismo veio para África nas costas do Diabo.”
E na sua imensa podridão, de presos políticos vive uma nação, é esta a sua angolanização, a sua condição, é também esta – como não podia deixar de ser - a sua (C)constituição.
Hoje, 13 de Maio de 2016, os preços da comida subiram outra vez. Rápida e seguramente, quer se queira, quer não, não haverá salvação. Sem dúvida alguma que neste momento, e nos próximos, Angola está com desmesurada força desestruturada e descontrolada, porque hoje – e amanhã - os preços da comida voltaram – voltarão - a subir, o que significa que Angola está na bancarrota. Como disse um amigo meu, Angola acabou!
E o submarino dos portugueses, que navega ao deus-dará, muito confiado no submarino de Angola, vive os seus derradeiros dias: “Daniel Rosário. Boa tarde a todos, infelizmente, devido a actual situação do país o meu cunhado viu-se obrigado a comprar euros na rua, mais propriamente na zona da marginal de Luanda junto á Ensa, neste momento está metido numa carga de trabalhos em Portugal, porque metade dos euros eram FALSOS, cuidado pessoal.”
No fundo quer queiramos quer não vivemos como Robinson Crusoe. Angola é a nossa ilha dos náufragos. Como o sempre viver da expectativa da oposição política e da sua incipiente democracia.
Na boca da população: enquanto eles não saírem do poder, a miséria e a fome continuarão, e os preços mais subirão.
Para quê esperar mais que o preço do petróleo suba, para quê perder tempo com isso.
Pela noite já avançada vai uma jovem deficiente física de uma perna, bem cedo vitimada pela poliomielite. Dizem que tem vinte anos. É a miséria total, completa que a faz encostar nos seguranças que vigiam o desespero dos seus clientes dos assaltantes que esfomeados tentam por todos os meios sobreviver. A jovem aleijada manobra para um pequeno grupo de seguranças tentando vender o seu corpo em troca de cem kwanzas – ao que o valor do corpo chegou, ao zero – e logo os seguranças fazem fila. Despachou um grupo deles. Mesmo aleijada consegue facturar, a cupidez saciar. Os seguranças depois de se fartarem do seu corpo prometeram-lhe que dentro de dois dias lhe pagariam. E ela veio para lhes cobrar os serviços prestados e eles pagaram-lhe… com pancadaria, surraram a desgraçada. E ameaçaram-lhe que “queres mais, não te chega?!”.
Ao que chegámos, em que cada país é um submarino onde as suas populações se sentem inseguras porque não sabem se é hoje que chegou a sua hora. Nos dias de hoje é tão facilmente morrer. Quer dizer, saímos de casa e não sabemos se voltaremos para junto dos nossos filhos, se os veremos, porque estamos à mercê, reféns do que se chama civilização. Dum lado a opulência e do outro a subserviência. Dum lado a democracia e do outro a cleptocracia e a democracia que apoia a tirania. A democracia que abandona a África à sua sorte.
E o submarino Angola vai mergulhando, nas profundezas se afundado.

Ao longe ouve-se o cantar de uma música “estamos a sofrer, tenham pena de nós.”