sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Luanda. A lapidação de uma gatinha



A gatinha recém-nascida estava num passeio de uma rua refugiada na base de uma árvore. Não entendia o que se passava, qual era a acusação do mal que fez, porque crianças decidiram lapidá-la. Atiravam-lhes pedras decididos a acabarem com a sua curta vida, conforme os ensinamentos dos gloriosos libertadores revolucionários do homem novo.
Foi salva nos derradeiros momentos, pois a morte já se adivinhava porque a criançada (?) reforçou-se de munições e de mais tropas.
Chegada em casa e logo baptizada Pipoca, foi sanada de algumas escoriações, alimentada a biberão com leite, e colocada numa casinha apropriada para gatos, uma caixa de papelão com dois bocados de tecido. Depois de devidamente recuperada dos cuidados intensivos já queria estudar, andar pela casa, conhecer o mundo que a cercava e miava de contentamento.
Depois foi transportada para o quintal de uma tia, e lá naturalmente se desenvolvia.
Cerca de dois meses depois recebemos a notícia que outro grupo de criançada (?) lapidou-a. Deixaram-na a sangrar da boca, não resistiu à lapidação da morte.
Creio que uma sociedade onde as crianças matam animais indefesos sem dó nem piedade por pura diversão, não acalenta futuro, é por isso que matar seres humanos em Luanda é a coisa mais natural do mundo.