segunda-feira, 24 de novembro de 2014

24-29Out14. República das torturas, das milícias e das demolições





Diário da cidade dos leilões de escravos

24 de Outubro
Às 11.59 a energia eléctrica do PIB sempre em alta voltou, mas como sempre nunca se sabe por quanto tempo. Das 12.11 até às 17.58, outra vez na escuridão. Às 18.10 – este petróleo está mesmo muito mal – a luz apagou-se. Isto é mesmo magia, só pode.
Banco millennium Angola, o banco do estado falhado de Angola que nos mata com o seu gerador da morte. Quando sairemos do precipício de Angola?
Sem lei, não temos onde queixar-nos. É mentira, não há paz nenhuma. As pessoas continuam a morrer até gaseadas. Dantes era a guerra contra a Unita, agora é a guerra do petróleo. A guerra continua em grande força nesta república da morte e da guerra de Angola. O uso dos geradores tem que ser proibido nos prédios e obrigatoriamente substituídos por energia solar. Parece um filme de ficção científica ou de um país em guerra, porque só se ouve o barulho de geradores. É como se estivesse numa ilha cercado de fumo mortal por todos os lados. Mas não, como estamos no reino da morte, e quem governa factura, é gasear, é gasear. Obrigam-nos a respirar o veneno desta cidade perigosamente envenenada pelo fumo mortal do progresso económico e social dos geradores. Quantos mais cadáveres, mais desenvolvimento económico. E por isso mesmo estou rodeado de demónios. O inferno mora aqui. Uma grande desgraça acontecerá e quem sobreviverá? Estou cercado por monstros que me perseguem para me devorarem. Isto parece um laboratório onde cientistas loucos fazem experiências macabras com os nossos corpos. É uma sociedade onde reina a hipocrisia, onde não há nada que justifique ficar mais de dois dias sem energia eléctrica. Mas creio que estou errado porque Luanda vive permanentemente assediada por ciclones, terramotos e tempestades violentas. E assim facilmente se percebe que apenas teremos energia eléctrica ocasionalmente. Governar é aterrorizar. E desta histeria hipócrita jamais sairemos. Os portugueses inventaram o colonialismo e nós inventámos a hipocrisia. Não podemos viver de falsidades. Não existe coisa mais horrorosa do que aqueles por quem lutámos e aos quais lhes oferecemos o poder de bandeja, e depois como recompensa nos tratam como cães vira latas. É por isso que deixei de confiar nos partidos políticos. E tudo começa e acaba em tragédia.
25 de Outubro
Desde as 10.15 horas que o banco millennium Angola, na rua rei Katyavala faz o trabalho que lhe compete, matar-nos. Este trabalho é obra de portugueses da Teixeira Duarte, e como ao longo dos anos permanecem insensíveis, - quem mata é insensível - claro que os povos lhes chamam de brancos racistas. Estamos com as janelas e portas fechadas pois o fumo do seu gerador da morte é muito intenso. Apesar de uma vizinha já ontem, - tipo porta-voz – queixar-se que os olhos lhe ardiam – o primeiro sintoma de envenenamento – e que o seu neto de cinco anos respirava com dificuldade, - é capaz de já ter lesões pulmonares, pois este fumo é altamente tóxico – uma funcionária chefe do banco de nome Teresa, respondeu-lhe hipocritamente que: «Mas eu estava convencida que isso já estava ultrapassado.» E a vizinha acrescentou que os brancos nos querem matar. Outra vizinha falando de assaltos comentou: «Os brancos estão a ser muito assaltados.» E outra vozinha disse: «Não tenho pena nenhuma deles, isso ainda é pouco, deviam fazer-lhes muito pior, que Deus me perdoe!» As grandes revoltas começam com coisas pequenas.
As crianças e bebés precocemente morrerão vítimas deste hediondo crime na Luanda cidade dos horrores, à qual os portugueses chamam paraíso. Estão loucos, não têm noção do que dizem. Como pode um inferno ser um paraíso. Pobres coitados! Já vêm para Angola por mil e quinhentos dólares mensais aumentando as filas da miséria e da morte, vivendo sempre aterrorizados pelos assaltos, pelo caos que criam ao tentarem impor outro Portugal em terras africanas. Ganham o dinheiro que nos pertence dos empregos que nos espoliam. Sempre com a mania de que em Angola não há ninguém que saiba trabalhar. Exportar miséria e insucesso empresarial para Angola é a solução encontrada para quem no seu país não consegue safar-se. Em Portugal não têm ideias, em Angola tem-las em demasia.
Isto está tão podre, tanto da oposição como do partido que nos enterra tudo, que não adianta mais bater nas mesmas teclas. Angola é um estado falhado.
Às 10.15 horas a luz do petróleo chegou, por quanto tempo? Pois, das 14.14 até às 14.58, o inimigo destruidor deu cabo da nossa vida.
Luanda está a ser invadida por quadrilhas de malfeitores.
Comentário de um vizinho sobre a chaminé da morte do banco millennium Angola: estamos aqui há muitos, muitos anos, aguentámos muita coisa, não fugimos daqui, e agora chega aqui qualquer filho da puta e trata-nos como se esta merda fosse deles.
26 de Outubro
O saudosismo colonial de Jose Ferreira, no Portugueses em Angola:
“Em Angola eles nao perdem os passaportes , eles dizem que os perdem para ver se as pessoas pagam muito dinheiro para os ter de volta , é so gatunos no governo de Angola , a ver quem rouba mais seja policia ou simples cidadão tods a gamar os Brancos isso sim , me digam se eles perdem o dinheiro gamado aos Brancos , não perdem”
Há 26 horas. Banco millennium Angola, a instituição da morte: Há vinte e seis horas que o gerador do banco da morte nos massacra. Querem-nos matar! É na rua rei Katyavala em Luanda. Oh! Como é adorável o senhor da morte do petróleo. A invasão dos punhais sangrentos nesta cidade das trevas deixa rios de sangue que transbordam nas margens enraivecidas sedentas de vingança, de ódio. Os punhais da morte regressaram em força, e espetam-nos o racismo da decadente superioridade. Estes punhais da morte sedentos desejam outro Ruanda. Estes punhais da morte tudo fazem para que o retorno do colonialismo se anuncie vitorioso. Mas já punhais da vitória se erguem e apunhalam a corja invasora criminosa. Este petróleo é como um gigantesco cemitério de campas abertas que aguardam cadáveres. Este campo da morte está ao rubro. Neste campo de petróleo os barris não têm líquido, têm esqueletos vítimas da facturação do inferno.
CMTV. “Portugal sem bombeiros, os profissionais emigraram preferencialmente para os EUA, onde numa semana ganham o que ganhavam num mês em Portugal.”
Creio que um dos maiores erros do PR e da história de Angola, foi o PR ordenar a invasão de Angola por portugueses para que fiquemos burros, pois com eles nada temos a aprender, e isso só se explica talvez pelo gozo pessoal que o PR sente por nos ver outra vez na escravatura da Idade Média. Assim, Luanda virou a cidade dos acampamentos de ciganos. Apenas um exemplo: basta ver a actividade bancária exercida pelos portugueses, conseguiram transformar os bancos em cantinas bancárias.
Claro, e assim as quadrilhas do lixo português vêm para Angola. CMTV: “O banco millennium chumbou nos testes de estresse da Comissão Europeia.” Mas em Luanda não, nos testes da corrupção e da destruição das nossas vidas ninguém chumba.
27 de Outubro
“Há que aprender a navegar entre falsos amigos e verdadeiros inimigos.” Paulo Coelho
Se o MPLA teimar na exclusão social, de tudo, daqueles que nele votaram e apoiaram, enviando-os para a morte, até mata crianças como é o caso do gerador da morte do banco millennium Angola/teixeira duarte/sonangol. Pelos vistos o MPLA transformou-se numa sanguinária máquina da morte, apenas lhe interessando a divisão daquilo que nos pertence, os lucros do petróleo. Então que prepare as malas para uma longa viagem sem regresso do… inferno.
28 de Outubro
Da Lwena: em Angola já ninguém tem amor ao próximo.
Do Nosso Técnico: “os brancos ficam a tomar café e nós é que trabalhamos!”
Em Luanda o crime compensa.
O estilo dos discursos dos nossos politiqueiros e politiqueiras é idêntico na arte, na hipocrisia e no cambalacho. São apenas palavras que saem da boca e que o vento arrasta e deposita em lugares abandonados e que nem o lixo da história os conseguirá reciclar.
29 de Outubro
Bancos em Luanda. Depositamos o nosso dinheiro nos bancos de Luanda e quando o queremos, o dinheiro desapareceu e os bancos não se responsabilizam, pois de bancos só têm o nome. Destruam os corruptos.
Se em Angola está mais que provado que não existe jornalismo, porque é que insistem em chamarem-se de jornalistas?