terça-feira, 12 de janeiro de 2016

O REI DO PETRÓLEO (16)



RCE - República dos Comités de Especialidade, algures no Golfo da Guiné.

LIBERTEM OS PRESOS POLÍTICOS, JÁ!

Em Roma sê romano, na RCE sê corrupto.
Andam todos de cabeça perdida. A água para todos: no prédio colocaram um aviso – afinal é em todos os prédios – a ameaçar que a EPAL, Empresa Provincial de Água de Luanda, vai cortar o abastecimento porque ninguém paga os consumos. Quarenta anos depois... e agora que ninguém tem dinheiro... mas privar a água a quem tem as contas em dia, como se fosse um vulgar caloteiro… então pagar regularmente as contas não adianta nada porque também sofrerá as consequências. Então, pagar ou não pagar eis a questão! Não adianta pagar! Porque a água me vão cortar, faltar. Quarenta anos de dívidas que têm de ser perdoadas porque o culpado disso é o governo que nos abençoou com tal apocalipse, e passar a contar os consumos de por exemplo de há três meses atrás. Quando nadavam no dinheiro do petróleo nunca se preocuparam com a cobrança dos consumos. Agora que a fonte do petróleo secou, estão sem dinheiro, a população também, como é que vai ser? Só os demónios o sabem. Um governo de loucos e para loucos.
Onde há muito dinheiro todos sabem trabalhar. Onde não o há, só uma minoria sabe trabalhar.
É como a Polícia que continuamente diz que está tudo sob controlo... tudo sob controlo da bandidagem.
Os chineses continuam travestidos de colonos. Em Viana, arredores de Luanda, numa fábrica de tijolos, furaram a conduta de abastecimento de água para fabricarem a tijolada. A rua é açoitada por enchente sem parar e as casas próximas também. Os moradores já fugiram da zona porque não dá para viver assim na área invadida por bandidos chineses. Estes e outros chineses têm que ser expulsos, creio que alguém o fará.
E a nova lei geral do trabalho que acaba de entrar em vigor foi feita para os chineses. De tal modo que o vice-presidente de uma central sindical disse na Rádio Despertar que essa lei é assassina!
E Marcolino Moco, ex/primeiro ministro de Angola e ex/secretário-geral do Mpla disse que estamos a viver pior que no tempo do colono.
Não há povos burros, os seus dirigentes é que o são.
Numa das suas infindáveis reuniões, o rei do Petróleo produziu um memorando interno que qualifica as populações como presos políticos. Podendo-se prender e torturá-las até à morte se necessário – coisa muito fácil na RCE – por qualquer um. E logo de seguida se inaugurou o campeonato nacional – no futuro será internacional com destaque para as principais ditaduras mundiais e outras emergentes, são tantas as candidatas que se torna difícil contá-las – da caça ao preso político, portanto das populações. Os estádios de futebol às moscas encher-se-ão de multidões obrigadas à força das baionetas, de multidões nas prisões. Os chineses e portugueses aplaudiram de imediato tais medidas repressivas com overdoses de bajulação para garantirem o seu ganha-pão dos servos da escravidão, considerando tais inovações como ajustes ao sistema revolucionário da RCE. Reforçando que são de extrema importância para a paz, harmonia social e sãos princípios de convivência humana. Sim, só eles são pessoas, gente, seres humanos e nós… uns reles montes abjectos de merda.
Se não resolverem o desastre económico, nem adianta pensar em política. Esfomeados seguem a ideologia da fome.
"Há muitas petrolíferas que estão a ponderar sair do país se o cenário mundial não mudar" "Se não houver uma significativa redução dos custos, tudo vai parar", disse o director-geral da Total em Angola, Jean-Michel Lavergne, em declarações à agência financeira Bloomberg, nas quais explicou que caso as condições não melhorem, a indústria petrolífera angolana "vai desaparecer", partindo do princípio que o preço do barril de petróleo se mantém nos 60 dólares. As novas normas sobre as emissões o desperdício, aliadas aos preços baratos, significam que algumas companhias estão a pensar em sair do país.” In  m.economico.sapo.pt
Nuno Garcia. “Um Exmo. Sr. agente da autoridade, apreendeu-me o carro e recusou-se a emitir qualquer auto de apreensão. A quem devo recorrer, aos Direitos Humanos?”
Suzana Neves. “Fui mandada parar. Não por ter cometido qualquer infracção, mas porque sou branca. O agente disse que tínhamos de chegar a acordo ou me apreendia o carro. Disse-lhe para me passar a multa e insistiu que tínhamos de chegar a acordo. 40 minutos depois, e saturada da situação, perguntei - lhe o q queria... queria 5000 kzs. Fui buscar a carteira e dei - lhe. Perguntou - me se lhe estava a dar o dinheiro de livre e espontânea vontade. Olhei para ele e disse "estou - lhe a dar o dinheiro porque se não, não me deixa ir embora"... sorriu e perguntou se eu ia fazer queixa dele.”
Os preços sobem, sobem, pouco faltando para ser diariamente, antecipando a grande catástrofe económica e social, da qual já não resta nenhuma dúvida… do fim do país. O caos total aproxima-se com passos de gigante engolfando os prisioneiros da grande fome. O apocalipse da exterminação da população pela fome, parece um plano premeditado das forças do mal.
Nesta abençoada sanzala de prédios que brevemente cairão aos pedaços porque já ultrapassaram o tempo de vida, devido ao seu mau uso, geradores, partir paredes, infiltrações de água, o supra-sumo da destruição. Na rua das Sirenes não há amontoados de lixo como nas outras sanzalas que mais parecem aterros sanitários onde o lixo engole tudo, incluindo os cidadãos que há muito deixaram de o ser, foram transferidos para canis ao ar livre e claro lá vivem como cães sem dono, sacanas de cães vadios. A rua das Sirenes é muito civilizada, o lixo é recolhido todos os dias, porque creio que o Governo me respeita como cidadão e como tal mereço-lhe muita consideração, talvez por ser um exemplo de cidadania. E na energia eléctrica também há muitos meses que não há problemas, raramente há cortes. A rua das Sirenes é o paraíso de Luanda. Este Governo gosta mesmo muito de mim.
De um mwangolé a explicar como conseguiu construir a sua casa: construí a minha casa e sinto-me muito orgulhoso porque numa empresa onde trabalhei roubei o suficiente para isso. Consegui roubar seis computadores. Roubar nas empresas onde trabalhamos é garantir a nossa sobrevivência.
Pois, nós não somos um Estado soberano, somos o estado de um soberano.
E a grande depressão de 1927 varre a RCE.
A Grande Marcha da Fome ladeada pelos seus comités de especialidade da extrema miséria, faz a sua entrada triunfal em todas as províncias da RCE. Já cadavéricas, as populações são obrigadas a assistirem aos intermináveis comícios realizados de noite e de dia por todos os locais e no fim caem mortas. Logo os corpos são recolhidos e enviados para uma vastíssima necrópole mandada erguer pelo coveiro da nação. Tinha no seu frontispício os dizeres: AQUI JAZEM AQUELES QUE OFERECERAM AS SUAS VIDAS EM HOLOCAUSTO AO NOSSO ARQUITECTO DE TUDO.
Sob escoltas militares e sob constantes ameaças de morte a quem não ousasse participar ou quem não tivesse forças para caminhar, era logo pronto para fuzilar. E aos poucos as populações desapareciam na chacina da Grande Marcha da Fome. E o grande obreiro da nação nas vestes de Deus vangloriava-se dos seus poderes que consistiam em, deus no céu e eu deus nesta terra, olhava extasiado para as multidões de moribundos que lhe agradeciam por tudo quanto ele fez e fará pelo bem-estar da nação, do seu partido e da população. E cantavam em uníssono: Honra e glória ao continuador do nosso guia imortal. E os bajuladores aplaudiam, gritavam para a multidão: prisão e morte para os presos políticos. Um só chefe, uma só democracia. VIVA A NOSSA DITADURA!