sexta-feira, 11 de março de 2016

DIÁRIO DE UM FAMINTO (01)



Breve introdução.
Esta é a Angola da África, do continente da incompetência, da irresponsabilidade, das epidemias, da miséria, da fome - o muito célebre continente da fome – da corrupção, do nepotismo, sem cientistas, das ditaduras, dos presos políticos, das prisões arbitrárias, dos palácios presidenciais, das guardas presidenciais, da democracia hipócrita, do viver das doações internacionais, dos conflitos permanentes de toda a espécie, do quem está no poder jamais dele sai porque foi eleito democraticamente por Deus, da Igreja e das igrejas, da feitiçaria, das montanhas de lixo, sem identidade cultural, sem esperança no futuro, das chacinas diárias, partidos da oposição incipientes que apenas pretendem o poder e que por isso mesmo abandonam as suas populações, da fuga desordenada pois África é um gigantesco campo de concentração, do assassinato dos seus intelectuais porque são um perigo para o poder, dos permanentes milhões de refugiados, etc, … África, o continente em vias de extinção da sua população.
16 de Fevereiro de 2016
Vinte horas sem energia eléctrica. É a estratégia da luta contra a crise. Viver aqui, assim, é uma tortura. Uma pessoa todos os anos pensa que no próximo ano não estará mais aqui. Mas quando o ano está prestes a acabar, digo para mim, que ainda não foi este ano que consegui daqui fugir. Maldita armadilha que nos fizeram.
Quase um milhão de dólares que o governo de Angola deu para a nona edição do livro, História Geral de África. Mas, se Angola está numa crise onde nem dinheiro tem para pagar à empresa do lixo no Cacuaco, os seus trabalhadores há quatro meses que não recebem, e também não tem dinheiro para pagar a recolha do lixo em Viana.
Manos e manas, vamos todos para as igrejas orar, e também para a igreja nossa mãe da feitiçaria, porque é a única maneira muito fácil que temos de resolver os problemas da fome. Sim, porque isso da fome é feitiço que nos fazem. E esse feitiço é muito difícil de vencer porque foi um poderoso feiticeiro que o fez.
Hoje comi arroz simples, o que está conforme com a actual conjuntura chinesa. Depois, depois… depois é o fugir daqui a todo o custo para não morrer de fome. Entretanto enviei mensagem a um amigo para que me apoiasse com latas de atum, de sardinha, etc, mas até agora nada. Ele está fora, não sei quando regressa. Pedi a outro amigo que está também no estrangeiro para que me apoiasse, mas ele respondeu que onde está não pode fazer nada.
Paulo Jorge Neves Santos: acho engraçado as pessoas com dupla nacionalidade, quando estão com portugueses falam mal de Angola e dos angolanos, quando estão com os angolanos dizem mal de Portugal e dos portugueses.
17 de Fevereiro de 2016
Carpent tua poma nepotes. Teus netos colherão os teus frutos. Segunda parte de um verso de Virgílio (Éclogas, IX, 50). O homem não deve unicamente pensar no presente e em si próprio, mas também no porvir e nos vindouros. (In Dicionário Lello, edição de 1977)
Julgamento de presos políticos não nos mata a fome!
Aqui jaz Angola, paz à sua alma!
Angola é uma corrente sem argolas.
E desunidos jamais venceremos.
Governo burro, povo burro.
E lá vamos, já lá estamos na idade da pedra.
Este país está uma bastilha, prende-se e mata-se tudo e todos porque, é a lei da rolha, lei da selva, lei de Murphy, lei do cão, lei do menor esforço, sem lei nem rei. A única preocupação deste regime é a actuação, a constante perseguição a quem seja da oposição, nitidamente para a decepar porque é muito perigoso pensar. O regime impõe-nos a lei da selva da fome. Não conseguimos alimentar-nos porque os preços são o inferno que os estabelece. É que agora já não é a miséria quem mais ordena, é a FOME! Os estrangeiros estão em debandada nesta pátria há muito arruinada. E não há a mínima preocupação do regime, nem um mínimo esforço para combater a fome, parecendo mostrar interesse em acabar com a espécie do homo angolense. O regime está sitiado no seu palácio, como num castelo fortificado. Mas, assim se pode chamar, de maníaca perseguição aos verdadeiros democratas e lutadores da liberdade. Assim, lá vai no dia 16 de Fevereiro, outra vez, Filomeno Vieira Lopes, economista de profissão e membro da comissão política do BD-Bloco Democrático, – o regime parece ter um ódio feroz aos competentes economistas e técnicos de contas, porque só assim se justifica o caos devido à corrupção pela não apresentação de contas – responder em juízo pelo uso que faz do seu pleno direito de cidadania. Mais um interrogatório na bastilha do regime.
Ó regime que nos assolas, que destróis as nossas vidas. Pára com essa farsa do julgamento dos presos políticos e resolve o mais rápido possível o problema da fome. Uma população com todas as classes sociais a verem o navio da morte a atracar por causa da fome, significa que um violento tempo nebuloso se aproxima, e não há forças que o consigam enfrentar.  
Aqui jaz Angola, paz à sua alma!
Mensagem de um mwangolé recebida no meu telemóvel: muito difícil chegar até aqui, (bairro zango 3, em Viana, arredores de Luanda) por causa da chuva.
Para os propagandistas da falsa realidade de Angola que dizem que a situação actual já a passámos em 1975 e anos seguintes, cumpre-me esclarecer que isso é falso porque nesses anos antigos havia muito dinheiro que os portugueses deixaram, e agora é ao contrário, NÃO HÁ DINHEIRO!
18 de Fevereiro de 2016
Vamos ficar como a Venezuela, que também começou assim como Angola, e acabou sem nada nas prateleiras dos estabelecimentos comerciais devido à falta de divisas. Entretanto, um grupo de portugueses no Facebook, creio que disfarçados de agentes secretos, insurgem-se em tom de calúnia e categóricos afirmam que não há motivos para alarmismos. Há suspeitas que sejam militantes do PCP-Partido Comunista Português, porque lembram a actuação dos anos seguintes da independência com a sua falsa propaganda de comunistas/comodistas, ou estarão a ser pagos para desestabilizar Luanda.
A crise. Gabi Gabriela: Preciso de vivenda no (condomínio) Nova Vida por 180.000 kwz, alguém tem?
Virgílio Fontes Pereira, presidente da bancada parlamentar do Mpla, demitiu-se.
Quem não tem capacidade de prever o dia de amanhã, não serve para governar, não vive, não nos deixa viver e logo destrói as nossas vidas.
Com dinheiro ou sem ele há sempre crise, porque em Angola quem preside é a corrupção.
Se o governo é doentio, claro que tudo é doente.
Um partido (Mpla) que só serve para enriquecer o presidente e a sua família. (Marcolino Moco, em entrevista à Rádio Despertar.)
Um iluminado do poder sempre eterno, estamos também numa epidemia de iluminados, disse de acordo com os preceitos marxistas-leninistas que devido à crise devemos abandonar a carne e comer peixe, mas o pobre diabo não sabe – afinal o que é que um marxista-leninista sabe, NADA! – que o peixe está mais caro que a carne. O petróleo é a fonte de inspiração da eternidade deste governo da corrupção.