quarta-feira, 30 de março de 2016

DIÁRIO DE UM FAMINTO (04)



04 de Março de 2016
Hoje de manhã foi chá de casca de banana. A meio da manhã pão com alho. Ao almoço arroz com quatro rodelas de chouriço.
Banco do garrafão, um banco para todos os angolanos: Luiz Vaz: Deve-se a algo chamado corrupção! Porque é incrível como mesmo tendo USD na conta, dizem que levam cerca de 1 mês (sim 1 mês) a transferir USD do BAI para o BFA. Entretanto andam a brincar com o meu e o vosso dinheiro.
05 de Março
“Quando aconselhado pelo irmão a deixar a presidência, José Eduardo dos Santos terá respondido: “se eu deixar de mandar, vocês estão todos mal”. E não será apenas a família; há um enorme grupo de multimilionários em Angola, com a maior parte do dinheiro já fora do país, que, no caso do desaparecimento de José Eduardo, vão ter que criar manobras de diversão bastante arriscadas, a mais simples das quais consiste em criar bodes expiatórios e apontá-los às multidões famintas. Aí estarão, de novo, os brancos, com particular destaque para os portugueses.” In África Monitor
06 de Março
Nito Alves, um dos muitos jovens presos políticos na República das Jaulas de Angola: “De forma arrogante, foi estas palavras que saíram da boca dos homens dos serviços de investigação criminal que vieram aqui na comarca (prisão de Viana) para me obrigar a assinar um documento que legitima a nova acusação que estão a elaborar contra mim, me fizeram ameaças chegando ao ponto de dizer que vou apodrecer na prisão enquanto continuar a perturbar a ordem e a tranquilidade pública.”
Hoje foi arroz com arroz.
Mensagem de um amigo: “Há muita morte no bairro em que vivo, Golfe 2, zona do 28 de Agosto, Luanda. Fome, doença e tudo mais. Nunca vi coisa igual.”
A situação da fome cada vez se complica mais. Não se fala de outra coisa. Também se fala muito dos horrores dos hospitais como se fossem morgues dos filmes de terror.
O mês da fome das mulheres angolanas desempregadas, mas mesmo que tentem vender qualquer coisa são sistematicamente espoliadas em nome dos maus costumes dos corruptos que dizem que isso é atentado contra a saúde pública, dos seus filhos e maridos também desempregados pela ideologia norte-coreana, das suas famílias completamente destruídas, arrasadas, abandonadas ao morticínio dos preços tão subitamente adulterados da comida, de tudo, sendo impossível viver nesta pocilga humana onde nem os porcos conseguem sobreviver devido às investidas dos vampiros governamentais que insistem em contratarem asiáticos e portugueses para nos saquearem, nos chuparem o sangue dos nossos ossos porque de manada já não nos resta nada. Porque o sangue fresco já há muito o carregaram, dos nossos corpos sugaram, e a fome só nos deixa ossos mas mesmo assim a nomenclatura insiste na contratação de vampiros estrangeiros. Uma das condições principais da fome é o seu preço sempre a subir desordenado devido à máfia governamental e dos seus tentáculos asiáticos e portugueses, da incondicional estratégia da luta a favor da crise. Eis mais um diabólico dia da mulher angolana partidária, com a sua fome solidária. Viva a fome da mulher angolana!
Há muito que considero que a mulher angolana é a mais bonita do mundo, mas pela determinação na sua destruição, custa-me imaginar o que dela restará. Talvez que alguém lhe faça uma escultura de Afrodite, e de Mona Lisa uma pintura.
E com o marasmo dos partidos políticos da oposição, a mulher angolana está-lhes gratíssima, revoltadíssima pela gloriosa escravidão. E se não se encontrarem alternativas políticas urgentes, a mulher angolana e as suas famílias nem rastejar conseguirão, nesta fome, sem chão, sem nação.
09 de Março
Provérbio Hindu: “As línguas dos bajuladores são mais macias do que seda na nossa presença, mas são como punhais na nossa ausência.”
Ao instaurar um processo-crime pela não comparência em tribunal no julgamento dos presos políticos, referente à formação de um governo de brincadeira publicado no Facebook, contra Marcolino Moco, Justino Pinto de Andrade, Makuta Nkondo, Filomeno Viera Lopes, Abílio Kamalata Numa, Alexandra Simeão, William Tonet, José Patrocínio, Sdiangani Mbimbi, etc, é de ver que o que se pretende é eliminar as cabeças pensantes da oposição, numa palavra, acabar com a oposição e instaurar novamente o partido único, anunciando a visível desgraça que tomará conta de Angola, pois uma coisa destas trará funestas consequências, o desenlace final de quem procura solucionar os problemas de uma nação pela violência física e política, e não move um dedo para lutar contra a corrupção.
10 de Março
Oh! Como é muito salutar e revigorante alguém de um momento para o outro aparecer como milionário sem fazer absolutamente nada, e da sua habitação transformada em palácio, rir de extrema felicidade ao observar nas redondezas a população miserável e faminta. Isto sim, isto é que é viver.
Comunicado da CEAST - Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé: “Nos últimos tempos, a pobreza das nossas populações tem-se agravado de maneira preocupante. A instabilidade económica parece que está a paralisar paulatinamente os agentes económicos, impossibilitando-lhes a renovação de mercadorias, por falta de poder aquisitivo (divisas). Aqui e acolá, tanto no sector público como no privado, registam-se atrasos de salários e subida vertiginosa de preços de bens elementares.”

Vinte e duas horas sem energia eléctrica. É esta a estratégia para a saída da crise. É claro que de vez em quando convém fazer alguns cortes de energia eléctrica para que as empresas partidárias que vendem geradores consigam vender alguns.