sexta-feira, 18 de março de 2016

RÉQUIEM AOS CORRUPTOS



Repouso eterno aos corruptos
E à sua prole deixada
Dos valores dissolutos
Parece que estão de abalada

Mas não, há que ganhar tempo
Para ver o que isto dá
Sente-se o peso do desalento
Do levar as riquezas para o lado de lá

Aqui não dá para um gajo se safar
Mas dá sempre para roubar
Então há que aproveitar
Enquanto esta merda estiver a dar

E depois da vida erguida na vanguarda
Vê-la destruída, na derrocada
Retornar sem nada, do para onde fugir
Pela violência ter que abdicar, sair

Se não vês, isto não sentes
É porque muito mentes
Pobre bajulador encerrado
Na ditadura enjaulado

Diversificar a economia
É diversificar a corrupção
A corrupção é a academia
Desta corrupta governação

E nesta abençoada corrupção
Dela uns poucos proveito tiram
Presos políticos os que sofrerão
No desespero com tudo nos atiram

A corrupção tem muitas estratégias
Para sair da crise inventada
A corrupção tem muitas tragédias
A sua destruição está lançada

Nos hospitais do terror
As crianças morrem abandonadas
Sob a bênção do nosso benfeitor
As suas almas são encomendadas

Como é possível nesta civilização
Reinar tanta barbaridade
Deixar morrer crianças como punição
Do nosso chefe, da sua santidade

Era inevitável acontecer
O fim inglório do regime
Está a acontecer
Libertemo-nos de tudo o que nos oprime