quinta-feira, 13 de outubro de 2016

ANGOLA, OS CARNEIROS SAÚDAM-TE



República das torturas, das milícias e das demolições

Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 1 A.A.A. Ano do Apocalipse dos Angolanos.

Angola só tem reservas líquidas para 191 dias de importação.

Psiu! Não despertem os carneiros, deixem-nos dormir.
Do Novo Jornal: Protesto de rua para o dia 26 de Novembro contra a nomeação de Isabel dos Santos como presidente da Sonangol. A missiva foi subscrita, entre outras personalidades, pelo antigo primeiro-ministro Marcolino Moco, pelo jornalista William Tonet, pelo professor universitário Fernando Macedo e pelos activistas Luaty Beirão e Sizaltina Cutaia.
Mas que ideologia empresarial é esta que proíbe os trabalhadores de receberem o subsidio de natal, de férias, e obriga os trabalhadores ao regime de escravatura? Será comunismo?
Às quatro da manhã, já lá vão mais de dois meses, o barulho da música violenta da improvisada discoteca do general Ledi nas traseiras da Pomobel, junto à Igreja Adventista do Sétimo Dia, e junto ao largo Zé Pirão, não deixou ninguém dormir. Se só a essa hora fazem isso com o som de rebentar paredes é porque o álcool os comanda, sim, esta Luanda depende do álcool, e como tal se vê o seu futuro. Os alcoólicos às 21.15 horas estão outra vez com o som muito elevado infernizando a vida de centenas de pessoas que decerto não votarão no Mpla. Já saiu um comunicado do Governo da Província de Luanda, a dizer que iam fazer caça a tais infernos mas pelos vistos é para criar falsas expectativas porque quem está ligado ao poder não as cumpre. Creio que com este filme se vê para onde Luanda vai, já está no inferno. É um retrocesso à incrível barbárie, à selvajaria sem limites.
Os presos quando saem das prisões ficam piores do que quando lá entraram, como se as prisões formassem criminosos.
Se a população é responsável pelas manifestações, então para que servem os partidos políticos? Creio que isto é charlatanismo político, é a política à africana.
A política não se faz com palavras, faz-se com acções. Um político sem imaginação é um charlatão.
O que interessa é saquear Angola, a África, subjugar as suas populações. Fazendo com que elas não se ergam, aclamando falsos libertadores. A África é o continente da escravidão onde pequenas elites nacionais e estrangeiras enriquecem facilmente. África, a vitória do saque.
E a vizinha que entrega o dinheiro na IURD, e que agora está aflita porque não tem dinheiro para comprar medicamentos para uma erupção de borbulhas na pele.
Esta gente parece viver noutra dimensão do tempo, porque perdeu os resquícios de civilização. Completamente confinados como numa trincheira da Primeira Guerra Mundial, e sem noção de solidariedade, de responsabilidade, como loucos isolados, abandonados pela sociedade, tombam como mosquitos atacados por insecticida. Este povo escolheu o suicídio colectivo. Infectados pela doença de uma classe política que na generalidade finge democracia, o poder é o que mais importa, o resto que se dane, o retrocesso no tempo é um facto para os mais tenebrosos tempos da história dos massacres humanos. Isto não está mau, está péssimo, horrível. Com as suas incipientes e carnavalescas posturas, estes políticos são os impostores da história. E Angola retrocede perdendo-se no tempo da feitiçaria que já domina por completo o quotidiano. Em tudo está presente. Parafraseando Agostinho Neto, Angola será por vontade própria trincheira firme da feitiçaria em África.
E tudo foi destruído. O descrédito é total., e por isso mesmo quem é que acredita nisto. Angola está como um doente terminal.
Uma pergunta que decerto não terá resposta: mandar despir para violentar mulheres no zango de Viana, isso é legítima defesa? Angola é um campo de batalha onde militares atacam… mulheres.
É urgente que a população faça o saneamento político. A classe política foi tomada por charlatães e como tal faliu.
A Lei do Ventre Livre, da qual foram declarados livres todos os filhos de escravos nascidos a partir de 28 de Setembro de 1871, em vigor no Brasil, mas em Angola ainda não. Pela escravidão ainda em vigor em Angola, facilmente se nota que em Angola esta lei ainda não está em vigor. Continua adiada sine die.
No registo eleitoral há um vastíssimo exército de eleitores, a pergunta é: eles vão votar no partido de Deus? Há dezenas de anos que a África está em permanente revolução. E quem salva a África da Idade Média’
Custa-me a entender que um povo dado a festas, há-as pelo mínimo, por qualquer pretexto. E desconcerta-me o facto da não realização de festas, por exemplo, pelo início e fim do cacimbo. Custa a entender não é?!
Mas o que mais me preocupa é o como sobreviver na selva humana, e isso é extremamente complicado. É como um jogo de vida ou morte, em que a qualquer momento se pode perecer.
Vivemos das sobras da luta de libertação nacional.