sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O INFERNO DE LUANDA, A CIDADE DOS DESALOJADOS



República das torturas, das milícias e das demolições

Diário da cidade dos leilões de escravos

Ano 1 A.A.A. Ano do Apocalipse dos Angolanos.

Angola só tem reservas líquidas para 198 dias de importação.
Do Novo Jornal: INAC-Instituto Nacional da Criança deve vinte e três milhões de Kwanzas, vai ficar sem seguranças.
Há cerca de dois meses que nas traseiras da Pomobel, localizada na rua Rei Katyavala em Luanda, está difícil, impossível dormir devido à louca algazarra e som de música de partir paredes numa improvisada discoteca no hotel Katyavala do general Ledi. Nos dois primeiros dias e noites até se temia que os edifícios desabassem tal era o ribombar. São algumas centenas de moradores que estão a ser torturados, inclusive um hotel que dizem ser da mana Isabel, com funcionários das companhias petrolíferas. Algumas vezes fomos surpreendidos ao acordarmos às 04.30 horas devido ao som que mais parecia tiros de canhão. As chamas do inferno de Luanda alastram-se porque já não nos é permitido dormir. Aos poucos todos os direitos são-nos ultrajados até cairmos na condição de escravos, aliás, já caímos. Mas como o Governo da província de Luanda emitiu um comunicado a dizer que as festas passam a transgressões administrativas quando não autorizadas e que os fiscais estão-lhes com os olhos em cima, a ver vamos.
É domingo, são 04.30 horas da manhã, acordo como se um tremor de terra sacudisse a cama, é outra vez o barulho infernal da música que patrocinada pelo álcool mostra o inferno a que chegámos. E as portas do inferno abrem-se. Angola nele entrou, Angola dele gostou, e dele não mais quer sair. Angola está no local indicado. É mais uma aposta de Angola para diversificar o inferno. Cada povo merece o que tem, o povo angolano tem o inferno. E a classe política maravilha-se com o estado de coisas do inferno. E acordou-se que para os políticos da deserção as portas do inferno sempre se escancararão. E há quem apresente sugestões para que a designação oficial de Angola passe para, república do inferno de Angola, e um comité de especialidade para festas anárquicas será criado. E a anarquia está instituída e os seus forçados aderentes serão identificados com um ferro em brasa com as iniciais do seu partido. E uma nova centralidade se construiu no inferno, e logo de seguida se constituiu o necessário comité de especialidade do inferno. E Angola aposta na sua destruição, e quem quiser um pedaço que o apanhe para recordação. Inferno é o que Angola chama. Sem cérebros, porque se os houvesse Angola não se abismaria no caos económico e social, o inferno está garantido, e mais um mandato será cumprido. O inferno de Angola é único no mundo, é exclusivo. E o inferno de Angola exporta-se para toda a África, e os dividendos em divisas são imensos, e Angola explora com sucesso tamanho filão. E a vida deste inferno enche-se de sorrisos da mais doce e terna felicidade. E já mais santuários se edificam para glorificar o seu nome: santuários do deus do inferno. À miséria e fome chegarás, do inferno de Angola não escaparás.
Eugénio Costa Almeida e o dinheiro chinês: “Venezuela parece que já nem a China “dá” dinheiro a Maduro.  Pelo que se pode verificar no artigo anexo os chineses estão a fechar a torneira financeira ao Governo Bolivariano de Nicolas Maduro concebendo a ideia que o Governo de Maduro já não aguenta nem tem capacidade financeira para se sustentar e pagar aos credores. Não esquecer que os chineses pautam a sua política externa e económica por nunca se imiscuírem nos assuntos internos dos outros países na linha do que exigem para si mesmo. Ora, quando eles, publicamente, fazem este aviso e exigem o pagamento dos empréstimos vencidos e não liquidados sob pena de nada mais emprestarem - nem mesmo, pelos vistos, com o habitual recurso do petróleo como garantia (e isto é um aviso sério para outros países) - é porque Beijing reconhece que o Governo de Maduro já perdeu capacidade política, financeira e social para se sustentar e sobreviver”.
Alerta para com os militantes do PCP-partido comunista português, que andam por aí a vender desestabilização, explico: quando se publica algo, especialmente no tocante à carência de divisas em que Angola muito dificilmente sobreviverá porque não tem produção interna e não pode contar com o petróleo, e por isso Angola endivida-se, afunda-se no abismo das dívidas, saltam logo esses militantes com acusações de que isso é alarmar e desestabilizar. Ma como se pode desestabilizar o que já está desestabilizado? Claro que pensar com uma sanita atestada de trampa na cabeça não dá. É como essa do aumento da recarga de telemóvel de novecentos para mil duzentos e cinquenta kwanzas. As pobres almas não sabem, claro que não pois se o soubessem não estariam aí na delapidação, que se baixassem o preço para setecentos kwanzas o consumo aumentaria, e que assim nos mil e duzentos e cinquenta kwanzas o consumo vai estagnar fortemente. Pois é, administrar e governar são ciências, não são penicos.
Estou rodeado, assediado por trapaceiros de todas as latitudes. Não vejo possibilidade de sobreviver numa teia dessas. O futuro está muito ardiloso, há que procurar outras aragens, perecer nesta selva não. Há que salvar a família e conduzi-la para porto seguro. Como é que isto vai melhorar se a cada dia está a piorar.
Para o doutoramento em hipocrisia, sem dúvida alguma que a Igreja é a melhor universidade, pois nesta matéria os seus professores são competentíssimos.
E assim esta desgraça vai andando, com a miséria e a fome aumentando. E em todas as áreas de actuação, os governantes dizem que, “ o nosso trabalho é sempre positivo.”
Será que Angola está como está, na miséria e na fome por ter demasiados doutores?
E pouco mais falta para que isto fique como os guardas da revolução do Irão.
Que fazer destes povos que passam a vida a lamentar-se, à espera de alguém… de algo que resolva os seus problemas, como por exemplo o de atirar lixo acompanhado de água de diversas lavagens com restos de comida onde as moscas pastam à vontade em completa liberdade livres da repressão governamental, criando vectores epidémicos. Por mais que se lhes explique as regras de higiene e limpeza e as mais elementares mornas de conduta social, não ligam, riem-se, não querem saber de nada. São muito teimosos a pender para o lado negativo, claro que viver assim faz a vida efémera, depois sempre os mesmos lamentos, “isto é feitiço que me fizeram.” Depois vem a barulheira infernal da música, não se pode conseguir o que é muito importante, dormir, logo vem a tortura do não se poder pensar, e sem isso não há futuro, mas quem pensa nisso se os sinos dobram amiúde a finados.
No bairro do fortim foram muitas casas demolidas e hoje, 23 de Setembro de 2016, chuva fraca caiu na zona de mais sequestrados de Angola… são aos milhares, em breve serão, ou já são?!, aos milhões.  Outro morador vítima da demolição confessou que os militares não deixam retirar nada das casas que são demolidas mesmo assim com tudo lá dentro e que as pessoas são torturadas.
Angola está assim numa crise que diariamente se acentua, Angola está no ano do apocalipse dos angolanos. E a crise vai piorar, muito, muito porque nada se faz para a debelar. Como se a economia de um pais se resolvesse com discursos, com palavras em que já ninguém acredita em falsas promessas. E as crianças sempre as principais vitimas, viverão abandonadas porque não há nada nem ninguém com o menor interesse em as salvar do apocalipse angolano.