quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O MATADOURO DE CALOMBOLOCA



Como em Auschwitz para o matadouro vão
Cada um no seu vagão
Presos políticos com uma única reclamação
Queremos a liberdade de expressão

Que lhes foi recusada
Fazem-lhe uma queimada
A nação está desconjuntada
E a Constituição está rasgada

Os comboios vão chegando à estação
De Calomboloca e mais virão
Trazem presos políticos para a prisão
E lá sepultados sem caixão

De lá jamais sairão
Das ordens superiores sem compaixão
Ó Deus ao que Angola chegou
Numa manta de retalhos se transformou

Até as nossas almas são para vender
Nunca mais acaba o tanto sofrer
O comboio a este Auschwitz chegou
Mais presos políticos desembarcou

Onde há presos políticos há corrupção
Mais outro comboio chega à estação
Traz muitos bajuladores para a bajulação
E corruptos que muito contentes vão

Ainda outro comboio chega à estação
É o da Igreja que vem em oração
Com os cristãos do poder em peregrinação
Para refundar a Santa Inquisição

Chegou o comboio da desinformação
Diz que são jovens da conspiração
Os chineses apoiam com uma canção
E os portugueses sorrindo lá estão

República das prisões
Com presos políticos aos montões
Cabeça que não pensa
Não pode fazer sentença

Vender Angola aos estrangeiros é a solução
Da abençoada por Deus corrupção
Para onde olhamos só vemos horrores
Do silêncio cúmplice dos pastores

Só vejo miséria nesta cidadela
E ninguém que acabe com ela
É tudo ilegal
Só a corrupção é legal