terça-feira, 20 de outubro de 2015

O REI DO PETRÓLEO (12)



RCE - República dos Comités de Especialidade, algures no Golfo da Guiné.

Paz com presos políticos é guerra!

E depois de poucas ou nenhumas consultas, o general chinês impôs a concordata imperialista da sua Angola, uma espécie de colónia chinesa: que a partir de agora devido aos astronómicos investimentos chineses, quase todas, ou todas?!,  as terras apetecíveis passariam a propriedade chinesa e para isso acontecer – a China como regime comunista é-lhe impossível conviver com a democracia angolana, porque onde ela está os chineses não podem saquear a seu bel-prazer, então há que destruir, destituir todos aqueles que se aventurem a propagar a beleza, a realeza dos debates democráticos sem transmissão televisiva ou radiofónica, que conduzem ao bem-estar social e económico. Há que explicar que para saquear à vontade há que destruir os fundamentos da democracia, porque desde quando negros selvagens usufruem desses direitos? Nunca ! Jamais! – o general chinês mandou decretar de imediato o POLPOLRE-Polícia Política e Religiosa. Praticamente só continha um único artigo de interesse a saber: todos os suspeitos ou não são sempre passíveis da nossa espada legislativa. Para isso, basta o simples facto, ocorrência superficial ou não, bastando para todos os efeitos da lei ou fora dela o simples facto da denúncia ou o estar na contra-mão de qualquer pessoa que desagrade. Portanto, quem não estiver na nossa sintonia, o cobiçar da mulher ou namorada alheia, ou qualquer outra invenção para apanhar seja o quer for dos bens alheios que reverterão a favor do estado – entenda-se, a favor do interrogador que também terá plenos poderes para praticar actos sexuais com uma mboa que nunca se conseguiu porque ela não gostava nada do inquisidor – de facto e de jure.
E logo de seguida as forças especiais do POLPOLRE – em todos os locais existiam forças especiais - entraram em acção, isto é, na acaparação de todos os bens da população. Suplantando Idi Amin e outros génios africanos da prepotência, o POLPOLRE refinou as torturas, as demolições e as milícias. O mais importante era garantir o milionário empréstimo (?) chinês ao seu homólogo politburo da RCE. Então, as terras há muito milenárias dos povos da RCE teriam que passar num ápice para a colonização chinesa. Os presos políticos nasciam, criavam-se como coelhos, tudo servindo de pretexto para os colocar em luras especiais gradeadas, ao bom estilo chinês de eliminação de tudo o que for oposição. A economia da RCE ficou yuanizada. O esterco chinês da falsa manufacturação guindou-se no principal eixo da exportação para a RCE. Era só ver os falsos equipamentos da vanguarda chinesa acabados de chegar e pouco tempo depois na lixeira os camiões do lixo os carregar.
Na China os seus técnicos aguardavam com heróica expectativa o seu envio para as terras africanas da RCE. Os chineses, conforme orientações superiores do seu politburo quando entrevistados gabavam-se com heróica expectativa do envio dos seus técnicos para as terras perdidas, agora descobertas pela gesta heróica dos seus navegadores que com inaudita persistência conseguiram também conforme os descobridores anteriores, dar ao mundo um novo mundo chinês. E se necessário for transformar aquela praia ocidental africana numa outra espécie de Sudão. O Sudão do Norte e o Sudão do Sul. Antes disso fornecer bwe de armamento e depois instalar fábricas de armas e munições para que as populações se dizimem entre si.
No terreno tudo se preparava, tudo estava a postos para a grande recepção da grande recessão económica que o poder da RCE se escusava a comentar, preferindo inventar inimigos para uma guerra total e completa. Isto, claro, servia o interesse chinês da bravata negociata da venda de equipamentos militares. Mas a CEAST- Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, não foi na conversa. Desmascarou o longevo partido dos quase cinquenta anos do poder usurpado, numa cantata que essa linguagem da guerra tem que ser parada porque se nós estamos em paz, não podemos falar de guerra. Bom, é por demais evidente que quem fala de guerra é porque não tem soluções para nada. Basta ver o preço do petróleo a baixar copiosamente para a miséria da derrota final, e os preços de tudo o que é comida a subirem diariamente. Quem não sabe opinar, só sabe guerrear. Pessoalmente creio que se deveria criar um movimento nacional espontâneo de abandono dos velhos do poder. Não tenho nada de pessoal contra eles, mas acredito desmedidamente que esse exemplo deve ser seguido pelo Presidente da República, e depois pelos seus correligionários. Creio que nós não necessitamos mais de um governo da guerrilha e para a guerrilha, queremos pessoas experimentadas nas artes da boa política. Governar com arma na mão é disparar, é matar a nação.
Fábio Sagres disse: “Nós andamos a brincar com coisas sérias, a Ponte Molhada do Benfica será fechada das 8h às 12h de amanhã (ou Sábado, salvo erro) para ser inaugurada? Mas que tipos de pessoas dirigem este País? Uma ponte que já ficou fechada por muito tempo, agora que está em condições de circulação, será fechada para inauguração? Cérebro em Angola precisa-se, fod*-se!!! Isto é o cúmulo do ridículo, estão sempre a viajar ao exterior não aprendem um pouco com os outros??? PQP!!!”
Diversificar a economia já não dá, o sustentáculo disso é o preço do petróleo que se esfumou noutra manhã revolucionária. O que dá para diversificar, dá sempre, é a corrupção, essa ciência que é o baluarte desta economia.
Se não há dinheiro como é que diariamente os preços sobem?!
As sirenes dos serviços prisionais anunciam a prisão de presos políticos, corruptos jamais!
A RCE não pode argumentar seja o que for em sua defesa, porque um país que vive de corruptos, é um país de metralha.
Ainda mais: um país alicerçado na corrupção, qualquer um dos seus governantes não pode mover uma acção judicial contra qualquer cidadão, porque logo à partida cai na abismal ilegalização.
A China ao desvalorizar a sua moeda não é o gigante, é o anão asiático, porque não há economia que funcione num regime de governação comunista. É impossível funcionar porque uma economia não pode, não deve depender de um politburo. Se um sistema económico depende de um grupo de pessoas, isso não é economia, é ditadura. Salários de miséria originaram, ainda originam o falso enriquecimento da China. Agora os salários dos trabalhadores chineses aumentam, e isso leva ao ajoelhar da economia chinesa. É bom nunca esquecer a célebre fórmula da economia do sistema comunista angolano, o 30.214. Foi com este número que se transaccionaram durante muitos anos de ouro petrolíferos as importações, que depois o sistema abruptamente caiu. É mais ou menos como agora no sistema económico chinês. A rigidez do sistema económico comunista acaba por levá-lo à ruína. Porque não se pode viver de falsa propaganda permanente, porque essa ilha misteriosa acaba por ser finalmente descoberta, revelada ao mundo. Porque ninguém pode viver isolado do mundo, ninguém pode iludir crianças com contos de fadas, porque elas crescem e descobrem a realidade, a falsidade em que viveram. Como no pai natal que lhes põe brinquedos nos sapatos, mas que depois descobrem que isso não existe. A falsidade conduz à destruição da realidade.
Isto muito rápido vai fervendo, até que depois acabe transbordando – já está - da panela.
E tudo está a postos para o grande campeonato nacional do bombardeamento da população.


Imagem: setenta anos da Coreia do Norte. ELPAIS