sexta-feira, 23 de outubro de 2015

OS MASSACRADOS DE CALOMBOLOCA


Domingos da Cruz… que fez este jovem?, nada! De que o acusam?, de nada!. Um dos dezassete jovens presos políticos de Angola a que brevemente se juntarão centenas, milhares, milhões de outros jovens. Nós, população, somos todos presos políticos. E isto tem que de algum modo parar, porque não pode mais assim continuar.
Ave, caesar (ou Imperator), morituri te salutant. Salve, César (ou Imperador), os que vão morrer te saúdam. (Palavras que, segundo Suetónio), Cláudio,21), pronunciavam os gladiadores ao desfilar, antes do combate, por diante da tribuna imperial.)


Os partidos políticos da oposição
Vão fazer manifestação
A exigir a imediata libertação
De Luaty Beirão

Já não há portugueses como antes
Agora só os há farsantes
O saque chinês vai sempre mais além
O saque português também

A palavra de ordem é saquear
Até estontear
E nada mais sobrar
É só sugar, sugar

Os tugas dizem que isto vai melhorar
Que querem a todo o custo aqui ficar
Melhor que isto não há para saquear
Os presos políticos que se vão lixar

As transferências estão a demorar
Os dólares estão a escassear
A corrupção deve-se apoiar
Os milhares de dólares vamos enviar

Nunca se roubou com tanta facilidade
Pelos defensores da angolanidade
Angola é a terra da oportunidade
Somos sanguessugas da vulgaridade

Viemos vazios e vamos de mãos cheias
Já tecemos muitas teias
A oposição está contaminada com azia
E por isso o poder lhe faz razia

Olho e não vejo nada de novo no céu
Multidões de desalojados ao léu
E por essa Angola fora
Tanta gente que chora

Angola só interessa a quem a roubar
E como eu não o sei fazer, coerente
E como uma oposição muito doente
A população está muito descontente

Andamos a nossa vida a edificar
Para que nos obriguem a, a acabar
E o preço do petróleo a baixar
E a repressão a aumentar

Não falem como se isto fosse normal
Falem como estamos num país anormal
Onde a cabeça não pensa
É inválida a sentença