quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O REI DO PETRÓLEO (10)



RCE - República dos Comités de Especialidade, algures no Golfo da Guiné.

Libertemo-nos do comunismo ortodoxo!

E na assembleia do povo disfarçada de assembleia nacional, de parlamento da democracia, estampavam-se no lado frontal, triunfal, agigantavam-se as palavras: HOJE HÁ CIRCO.
Quando não se sabe fazer mais nada vem a “Dependência. Sistema de relações económicas, financeiras, políticas e culturais que mantém as nações subdesenvolvidas subordinadas aos grandes centros do mundo desenvolvido. A situação de dependência atinge especialmente os países de passado colonial recente, além dos que se iniciaram mais tarde no desenvolvimento industrial, estruturando-se como um sistema periférico, que se estende pelo chamado Terceiro Mundo (África, Ásia e América Latina). De modo geral, as nações dependentes baseiam sua economia no sector primário (agro-pecuário e extracção mineral), mas a dependência pode subsistir mesmo quando o país possui, como o Brasil, um sector secundário consideravelmente desenvolvido. Essa subordinação processa-se na medida de tecnologia, de matérias-primas elaboradas, de equipamentos e de capitais para investimentos internos ou compras no exterior. Um dos aspectos principais da dependência tem sido justamente o endividamento constante e acelerado dos países dependentes, cujas divisas auferidas com as exportações acabam sendo insuficientes para cobrir os défices do balanço de pagamentos. A importação sistemática de tecnologia para diversificação do sistema produtivo nacional contribui para gerar distorções sociais: a utilização de tecnologias sofisticadas libera, nesses países, grandes contingentes de mão-de-obra, que não encontram trabalho no sector de serviços, como comummente ocorre nos países desenvolvidos. Esses contingentes vão aumentar o número de desempregados e subempregados. A estrutura social das nações dependentes reforça os laços de subordinação, na medida em que há solidariedade de interesses entre as camadas dirigentes locais e os centros económicos externos. Muitos industriais de países subdesenvolvidos realizam suas actividades associando-se a empresas estrangeiras ou mesmo vendendo a elas seus estabelecimentos industriais. Paralelamente, podem subsistir alguns grupos económicos nacionais mais fortes, sem vínculo orgânico com grupos internacionais e com eles concorrendo em escala local e mesmo internacional. As relações de dependência estendem-se à esfera cultural e aos padrões de comportamento, com a adopção de hábitos de vida e de consumo, valores, modas e formas de pensamento gerados nos países mais desenvolvidos.” (Paulo Sandroni, In Novíssimo Dicionário de Economia, 1999, Editora Best Seller)
E sob a marcha da ingloriosa bandeira lá vamos desta vez para o comunismo chinês. “Comunismo: sistema totalitário e ateu no qual o Estado detém a totalidade das indústrias, comércio, meios de transporte, bancos e controla em larga medida, através de um partido político único, a vida social, cultural e económica de todos os cidadãos.” In Dicionário Houaiss.
E o Rei do Petróleo ordenou a caça aos manifestantes, porque os chineses lhe admoestaram. E os cães da Polícia tanto lhes ladraram, tanto lhes dilaceraram. Os chineses mais conjuraram que para conseguirem os seus objectivos, o saque total e completo da RCE, a democracia extinta seria. O primeiro passo será a chacina de qualquer manifestação que não tenha as cores da bandeira da comunista nação. Depois os deputados e finalmente os partidos políticos. O preso político tornou-se tão vulgar como nos tempos do nazismo, do fascismo, do colonialismo.
E o Rei do Petróleo mandatou-se de ordens superiores e internamente, secretamente decretou, acrescentou na época da abertura da caça… a caça ao deputado.
Vamos acabar com os partidos políticos! E bastou o Rei do Petróleo anunciar à nação que os partidos políticos da oposição apoiam as manifestações da juventude para que eles se borrassem de medo. Não se poupando a desculpas como rato encurralado num canto refém do gato que ao mínimo movimento de escapadela acaba liquidado, chacinado. Quem muito arreganha os dentes e ladra mais não faz… nada.
Com o vertiginoso regresso à ditadura imposta pelos chineses, o conflito é inevitável. Filomeno Vieira Lopes, do BD- Bloco Democrático, afirmou que: “Não podemos permitir isso.”
William Tonet, nas cátedras de jornalista e de jurista leccionava na Rádio Despertar, pouco depois do terror de um cerco policial como nos tempos da Igreja que sitiou os Cátaros e depois os queimou, os chacinou. E William Tonet, tal como Jesus Cristo, pregou que só a verdade nos liberta: “A Polícia está partidarizada. Abominaram a democracia. As leis aqui são fanfarra, folclore. Todas as ilegalidades são apadrinhadas. Não são presos políticos, (disse a PGR) mas são acusados de desestabilização. O “crime” (dos jovens presos políticos) admite liberdade provisória. A responsabilidade é do Presidente da República. Neste momento está-se a por em perigo a independência nacional. Estão preparadas as condições para a sublevação. Mais jornalistas estão presos.”
E o polícia não queria, às ordens do seu chefe desobedecia, que lhe ordenava para prender os manifestantes, dizia: “Mas eu vou prendê-los porquê? O que é que eles fizeram!”
Sim, é de plena verdade: Depois da independência nunca mais vi uma pessoa honesta. A corrupção contamina toda a gente.
A resistência popular generalizada é a ideologia dos ditadores que unem o povo contra eles.
Ai de quem deixar uma ditadura avançar, pois de nós nada vai sobrar.
O petróleo era o pai da corrupção, depois morreu e deixou muitos órfãos que agora começam a morrer de fome, porque a RCE é a pátria dos saqueadores.
No parlamento secreto do Rei do Petróleo, debate-se a hipótese de prender toda a população, ou a sua deslocação para um imenso campo de concentração, conforme directiva do Politburo chinês. Com a recomendação de isso se executar com a máxima urgência, senão o dinheiro chinês morre.
E um jovem manifestante alertava que, “prefiro a tal decadência do Ocidente, do que a barbárie actual da RCE e do seu aliado natural, a Igreja.
Um lobo é sempre um lobo.
As ditaduras são como as piranhas, estão sempre prontas para nos devorarem.
Perante a feroz perseguição aos manifestantes da oposição perfeitamente legais, o poder diz que só ele se pode manifestar, e tudo o que lhe seja contrário é para ilegalizar e chacinar. Uma crente de uma igreja militante, meliante confessa, manifesta o seu desagrado, “Ai! Os sinais dos tempos já aqui estão!”
Três assaltos relatados por um jovem vendedor de chourição, mortadela e fiambre na rua: Na baixa de Luanda, pelas treze horas junto ao Baleizão, um português estaciona o seu carro, abre o porta-bagagem, retira de lá uma pasta e prepara-se para ir almoçar. Mas dois assaltantes vigiam-no e um deles de pistola em punho saca-lhe a pasta, dá-lhe uma forte coronhada na cabeça com a pistola, deixa-o a sangrar, junta-se ao outro e voam numa moto, antes deram um tiro para o ar para afugentar qualquer tentativa de perseguição.
No segundo assalto dois batuqueiros entregaram uma mota ao nosso jovem para a lavar. Ele disse que não estava interessado, mas eles disseram que lhe davam mil kwanzas. Ainda a mota não estava lavada mas já o batuqueiro lhe exigia que lha entregasse assim mesmo. Afinal o outro estava junto ao banco e fez sinal para ele vir com a mota. Um cliente do banco saía, arrancaram-lhe a pasta com o dinheiro acabado de levantar.
O terceiro assalto foi num carro V8. Uma mota colocou-se à frente do V8, a outra atrás. Então o da frente travou e obrigou o V8 a parar. O da mota da traseira chegou no vidro de pistola apontada, o condutor resistia à sua abertura, o assaltante partiu o vidro com a pistola e depois saquearam tudo o que lhes interessava. Ninguém ousou se intrometer, era só ver.


Imagem: autor desconhecido