terça-feira, 8 de outubro de 2013

Muitos poderes, mas nenhum funciona





E uma intensa onda de corrupção domina o mundo. Ele luta para se libertar, para se limpar criando um novo sistema político, a neodemocracia.
03.30 horas da manhã. Ouve-se intensa vozearia de jovens alfabetizados nesta democracia de rua. Não falam, bebem, escravos da bebida. Como é possível que dialoguem, gritem em grande alvoroço? Porque ninguém lhes ensinou mais, e ainda porque quem lhes deveria educar não o sabe fazer. Eis a destruição da nova Angola, do jovem novo.
Os jovens de hoje são os acéfalos do amanhã.
Onde a corrupção se instala, as águas da chuva seguem-na e arrasam tudo.

Sem energia eléctrica, no zero
Prelados há que zombam-nos por parvos
Abençoam a miséria nacional
Dos donos do petróleo e dos escravos

É só admirar o olhar perdido
Do já não há nada a fazer
Ver as enxurradas das chuvas
Nada mais resta para arder

Os bons arquitectos estão no Poder
Na democracia da pilhéria
Tudo se resolve a tiro
Nesta arquitectura da miséria

E é tão intensa a miséria
Habitual, moral e social
Nada mais há para nos espoliarem
Apenas o chafurdar neste curral

Este rio transborda de estrangeiros
Que passeiam neste oásis virulento
Estacionam marginais, leais, ilegais
Depois clamam: isto está muito violento!

Hospitais e clínicas privadas
Infestados de doentes
Não se espera nada, só a morte
Quando nos libertamos destes repelentes?

E benzidos disto não saímos
É o impingir futebol e religião
Nada muda, é assim que as coisas estão
Nadam, na correnteza desta corrupção