sexta-feira, 18 de outubro de 2013

República das torturas e das milícias. Mas isto é um Governo ou uma junta militar?





Diário da cidade dos leilões de escravos. 05 A 13 de Setembro 2013

05 de Setembro
Mas isto é um Governo ou uma junta militar?
De modo geral, se continuarem, se refugiarem na hipocrisia, no palavreado agridoce do choramingar como carpideiras, ninguém se entenderá na luta constante do um é melhor que o outro, até se aniquilarem na sensaboria.
06 de Setembro
Quem se serve da religião para atingir os seus fins é um indivíduo muito perigoso, e que deveria de imediato responder em tribunal, condená-lo e afastá-lo do nosso são convívio. Isto, parece que não, mas também é uma forma de guerra química. Que o Diabo nos livre deles.
"Benjamin Teixeira de Aguiar no Facebook: O pior gênero de totalitarismo, conforme provas acachapantes da História. O perigo do ateísmo, tanto quanto o da religião dogmática infantil. O avanço da bissexualidade nas populações humanas. O que Jesus quis dizer com “fé”, segundo as traduções mais antigas, em grego, dos Evangelhos."
Ora aqui está mais uma das várias coisas que identificam e provam que este regime não consegue sair do leninismo. A EPAL – Empresa Provincial de Água de Luanda, acaba de ameaçar que se até ao próximo dia 17 de Setembro, (dia do Herói Nacional) os moradores dos prédios não pagarem a conta da água, fechará os contadores. Como? Escavam – Luanda é uma empresa de escavações - escavam até encontrarem o cano da água que passa no passeio, depois está lá uma torneira, tiram-na e pronto, lá vem mais uma epidemia de cólera. Acontece que há muitos e muitos anos a água é carregada do rés-do-chão. Pobre como sou, tenho as contas em dia, e os novos-ricos mais aqueles do MPLA que dizem que Angola está a evoluir, não pagam. Ora, esta medida tomada ao bom estilo comunista/anarquista não respeita os que nada devem à EPAL. Então, se eu tenho as contas em dia como é que me vão cortar a água? A EPAL terá que me indemnizar, mas como é leninista isso não acontecerá. Triste e revoltante. Com tanta idiotice é tão natural assistir ao alagamento, à destruição contínua do MPLA. Lembro mais uma vez que é através de medidas terroristas como esta que o terrorismo se incrementa. E depois admiram-se do efeito multiplicador do terrorismo e dos terroristas. Angola é de todos, não é de algumas pessoas.
07 de Setembro
Prémio Maboque de jornalismo: são sempre os mesmos a ganharem os mesmos prémios.
Ainda sobre o prémio Maboque de Jornalismo - na categoria de opinião - atribuído a Reginaldo Silva. Houve engano do júri, porque o nome que lá estava era o do Rafael Marques de Morais?, então, tal como Barrabás, escolheram à última da hora o RS. Porque será que Rafael Marques de Morais nunca vencerá nenhum prémio de jornalismo – nem ele nem nenhum outro da mesma estirpe - nesta longeva conjuntura, e só os medíocres - porque militantes - serão sempre os contemplados?
08 de Setembro
E se nós criássemos aqui no Facebook, o Prémio Nacional de Jornalismo Facebook, e atribuíssemos desde já o prémio ao jornalista Rafael Marques de Morais? A questão são os donativos, ora para isso pode-se muito bem abrir uma conta num banco e canalizar para lá as doações. Portanto, indo depois mais longe, constituiríamos prémios idênticos ao do Maboque, tá?! E assim fazíamos um bruto espectáculo à imprensa militante e seus satélites.
09 de Setembro
Segundo a Rádio Ecclesia, em Benguela nem as salinas escapam. A área acaba de ser espoliada para projectos imobiliários.
Pobres mwangolés já no facto da escravidão do neocolonialismo. É bom, é neocolonial, nós gostamos. Com tanta catequese de hipócritas, salvem-se como puderem, o que duvido muito.
E de Cabinda ao Cunene, um só poço de petróleo e um só projecto imobiliário.
Tinha que acontecer, era fácil de prever. Lembram-se da chinesa que todos os dias deposita dinheiro no banco? Hoje veio mais uma vez, creio que pela última. Preparava-se para depositar dinheiro utilizando o esquema habitual: pedia a alguém que lhe depositasse o dinheiro entregando-lhe os dados bancários e depois contemplava-o com dois mil kwanzas. Os assaltantes montaram-lhe – já estavam antemão de atalaia – a emboscada do quotidiano e caíram-lhe em cima. Ela resistiu, lutou mas não aguentou porque os assaltantes investiram-lhe à dentada, muita dentada, e ela ficou sem a pasta e sem vinte e cinco mil dólares que nela jaziam. Ficou abandonada no chão, chorando amarga e copiosamente. Os analistas do quotidiano foram unânimes em declararem: «Essa aí parece que não vai escapar, já está a patinar. Como é que ela consegue tanto dinheiro todos os dias? Mas ela não é de nenhuma empresa!» Afinal ganhar dinheiro em Luanda é muito fácil. Basta constituir uma rede mafiosa, uma igreja qualquer e o dinheiro aparece como saído de uma conduta de transporte de petróleo. Angola já não é um país, é um imenso campo com muitas torneiras caudalosas de petróleo. E já há alguns anos que a sua população desapareceu sem deixar rasto. Soube mais tarde que a chinesa estava grávida.
10 de Setembro
Além do meu diário habitual – o meu companheiro inseparável - onde escrevo todas as ideias e ocorrências do dia-a-dia, pensei em construir outro para ficar itinerante. Consegui duas capas de cartão bem forte de formato A-4, juntei-lhes uma lombada de cartolina fortificada, colei-lhes a quantidade suficiente de folhas de papel A-4, enchi a lombada de cola branca, encostei-lhe firmemente as folhas, deixei secar com um monte de livros em cima, esperei algumas horas e mais um diário estava pronto para utilização. Numerei as folhas, para que depois de preenchidas e arrancadas, ao se amontoarem seja fácil seguir a cronologia dos acontecimentos. Colei nas capas paisagens de beleza espectacular, um rio a serpentear rodeado de imensa vegetação, pode-se dizer, mística.
Passados tempos – estava o diário na cozinha – uma jovem amiga da minha esposa, de vinte e sete anos, pega-lhe e observa atentamente as paisagens, depois quase em êxtase delibera: «Com paisagens assim este país deve ser muito bonito!» Ela surpreendeu-me, abalou-me, mas logo recuperei, e: «Essa paisagem nesse país muito bonito… é o rio Kwanza, em Angola.»
A Angosal é uma empresa localizada no município do Tombwa, província do Namibe, que fabrica sal em Angola. Não consegue exercer a sua actividade porque não há energia eléctrica, e como tal uma fábrica não pode viver de gerador. Fonte: Rádio Ecclesia
11 de Setembro
A chinesa que foi assaltada à dentada e ficou sem vinte e cinco mil dólares - como se não a afectasse absolutamente nada - regressou e procede exactamente da mesma forma, isto é: dá os dados da sua conta bancária a alguém - normalmente jovens - que está junto ao banco, entrega-lhe uma quantia de dinheiro para depositar, recompensa-o com dois mil kwanzas, repete o esquema até que o saco se esvazie. Dizem que é uma empresária.
12 de Setembro
A Internet está como a luz e a água, apaga-se, seca, e como sempre ninguém tem a coragem de vir a terreiro e explicar, porque regimes totalitários são mesmo assim. A população é gado para abate.
13 de Setembro
Aviso atirado por baixo da porta
“Empresa Pública de Águas, EPAL-E.P.
Direcção Comercial para o Município de Luanda
AGÊNCIA DOS COQUEIROS
AVISO
Estimado cliente; A Agência Coqueiros irá realizar uma campanha de corte massivo a todos os clientes em situação devedora, pelo que apela a todos que estejam nesta condição para que procedam a regularização das facturas de consumo de água em atraso, a contar da data da recepção deste aviso
Para o efeito devem contactar a nossa Agência sito na Mutamba, Rua Frederich Engels nº 3, Largo do Pelourinho em direcção ao mini mercado ORLACAR de Seg á sexta das 8.00 as 15.30 e Sábado das 8.00 às 12.00 ou no Posto de Cobrança da Ilha na da Administração Comunal da Ilha de Luanda, a entrada da Chicala.
Luanda aos, 13 de Setembro de 2013.”
Não há ninguém que consiga explicar-lhes que o procedimento normal é enviar os devedores para o tribunal para pagamento coercivo? Já entendi: em Angola ninguém confia nos tribunais e daí a justiça por caudais de águas próprias, e como em Angola ninguérm pode ser honesto, então as torneiras fecham-se para todos sem excepção. Longa vida aos corruptos!