sábado, 4 de outubro de 2014

O petróleo queima a nossa esperança




Os combustíveis subiram demasiado
Cinquenta por cento arredondado
Já estamos fodidos, arrasados
Pelos santos diabos amassados

E nesta combustível desolação
Ficámos sem pão
Os táxis o dobro vão subir
E a população sucumbir

Angola é o paraíso mundial
Vivemos felizes no celestial
Onde tudo é anormal
De violência neocolonial

Prendem a zungueira grávida
Como se fosse mulher da vida
Venderam Angola à China
Para ultimar a nossa chacina

Há nitidamente a intenção
De decapitar a oposição
Nisso os tais países democráticos
Em Angola são muito práticos

As ciganadas chegam de mãos vazias
De malas abastadas em poucos dias
E a Igreja mantém silêncio total
O núncio conivente e o cardeal

Os tugas acabam-nos com o dólar
Como uma epidemia a nos assolar
Levam-nos no conto da carochinha
E no da cigarra e da formiguinha

O incremento da miséria é abismal
A subida dos combustíveis é normal  
As crianças é que vão muito sofrer
Têm muito gosto em vê-las morrer

Os estrangeiros estão isentos
Bem abastecidos de provimentos
Na Luanda capital dos assaltos
Dos estrangeiros em sobressaltos

Os dólares de Angola estão a saque
Nas malas cheias de surdo baque
E que Angola está em paz
Com moribunda pomba que jaz

Desta vez muita confusão vai ser
O povo não vai sobreviver
Combustíveis assim a aumentar
Está consumado, vão-nos matar!

Imagem: autor desconhecido