Vai para três meses que Luanda está sem energia elétrica. Entretanto, há quarenta e dois anos os que governam por direito de sucessão apostam na diversificação da economia… sem energia eléctrica. E o fumo do gerador do banco millennium-atlântico na rua rei Katyavala mata-nos. Em Luanda, matar é facturar.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A província ultramarina chinesa



A nossa vida vai melhorar
O petróleo o chinês vai levar
O chinês Angola vai privatizar
Angola outra vez colonizar

É um empréstimo de biliões
Mais chineses virão aos milhões
Na terra amaldiçoada dos paspalhões
Esperam-nos as habituais prisões

Os chineses vêm Angola desenvolver
O mwangolé precisa de aprender
Agora no álcool chinês se perder
Tudo o que resta é para abater

Um deus chinês vem com o seu canto
Isso não constitui nenhum espanto
Resistiremos como Asterix neste canto
Nele renascerá um campo de luta santo

Que a escravidão já havia terminado
Mas não, vem renovar outro mandado
Já se avista o colapso deste Estado
Na terra dos padres do deus adulterado

E nesta chacinada, amaldiçoada terra
Ainda jazem os despojos da guerra
Dos governantes que reinam africanos
Na África abandonada aos tiranos

O yuan reina o dólar acabou
Um salmo chinês se iniciou
O sangue angolano o diabo levou
O made in China nos colapsou

Das promessas da nossa vida melhorar
Nos quarenta anos do tudo estragar
Não nos deixam nada de tanto ladroar
Não se sabe o que deles vai sobrar

Esta terra é sagrada para respeitar
Vem desordem chinesa para nos matar
Dos acordos que não se ousa falar
O que se esconde não é de confiar

Tudo o que existe é para arrasar
Para o chinês se implantar
Até as ruas irão governar
E ao relento das matas nos abandonar

E nesta terra de punhais semeados
Chegam mais chineses orquestrados
Fácil é um país ao desbarato vender
Estes escravos não têm onde se acolher