sexta-feira, 5 de junho de 2015

RÉQUIEM PARA ANGOLA



Não estão aqui para nos governar
Estão aqui para nos espoliar
A liberdade prometida
Está tão corrompida
O banco millennium mata
Na rua Rei Katyavala não se farta
É outro orgulho desta nação
Mais um ás da santa corrupção
Que se cozinhará no caldeirão
De uma sociedade sem abnegação
Aguarda-a a chama da sua destruição
Destaca-se na maldade dos corações
As moribundas multidões
Arrastam-se pedintes pelo chão
Implorando à paz em vão
Embaladas pelos cantos das sereias
Que devoram cadáveres, praias, areias

Estás preso! Acusado de quê?!
São ordens não sabemos porquê!
Onde há muita miséria
Há muitas histórias de superstição
De feitiçaria e de religião
E gastos supérfluos num avião
A miséria é a escuridão do dia-a-dia
E a Igreja lava as suas mãos
À morte entrega os seus irmãos
Cristãos
Os chineses roubam terrenos
O Dubai diploma a má governação
Dos diplomas que nos tumultuarão

Sem dinheiro, não consigo trabalhar
Para a minha família sustentar
Lhe dar o bem-estar
No tempo as boas coisas perecem
Resta a sua recordação
Das más coisas que nos chacinarão
Ninguém consegue partir para a acção
Não interessa acreditar na oposição
Tarda muito para obter uma decisão
Os presidentes dos partidos políticos
Merecem urgente substituição
Queremos ardentes defensores
Que nos libertem da escravidão
E não quem nos lance na oração
Isso não é comunicação
É o divino reino da corrupção
Do prémio da boa governação
Tudo se compõe de exterminação

A jovem mãe com o filho às costas
Apela, comprem-me a fome!
O Ruanda e Burundi estão aqui