quarta-feira, 17 de junho de 2015

O AMOR TAMBÉM CHACINARAM


Que transformes a amargura dos dias
Em doces gloriosos momentos
E que eles inspirem a nobreza
Das virtudes da tua beleza

Na mansidão da margem as ondas batiam
Com ternas vénias palmeiras te acolhiam
Doces momentos ternas recordações
Da fuga, longe das ruidosas multidões

Ao fundo a espuma branca te acaricia
Sente-se a força do amor, a sua ousadia
A água soltava-se e a areia invadia
A tua voz de deusa ao longe se ouvia

O sol amarelo anunciava o entardecer
De um dia que acabava e outro ia nascer
A água azul-clara convidava a areia
A vegetação, a vida, tudo que a rodeia

Uma pequena montanha se erguia
Em gestos mudos o amor lhe sorria
Já se aproximava o fim do dia
E a vida humana se recolhia

Uma ilha minúscula ao longe acenava
E a ondulação do amor carregava
Prisioneira não escapava
Do tirano que a escravizava

O sol forte surgiu e o amor abrasou
Como um halo divino nos louvou
E o nosso amor na sombra se refugiou
E nunca mais nos abandonou

Coladas nas rochas as palmeiras sorriam
Ao redor despontavam muito verdejantes
Plantações de corais que renasciam
Que cantavam que o amor não é errante

Debaixo de um poder que adultera o amor
As crianças são feiticeiras nesta terra
Em nome do Nosso Senhor
Reina o senhor desta eterna guerra

Do amor ao próximo eis a hipocrisia
O poder do petróleo a proclama
Mais um comité da corrupção doentia
Que apaga o amor com a sua chama

Como vivermos no amor acorrentados
Sempre por este poder violentados
Pelas balas disparadas beijados
Se nos amarmos seremos chacinados