sexta-feira, 12 de junho de 2015

Há dez anos que me acenaste adeus


E escolheste a morada eterna para nela residires, e de lá jamais saíres. Como se fosse o fim do mundo onde se chega e nunca mais se parte.
Há uma partida e uma despedida.
Nesse descanso eterno repousa a tua recordação.
Anseio muito pelos conselhos que me davas porque as feras humanas perseguem-me e a justiça está invisível para me defender, e não sei como me proteger.
A vida é como uma ilha cercada de perigosos tubarões por todos os lados.
Durante muitos anos quando estavas vivo não consegui abraçar-te porque a família que constituí e o sistema político vigente consumiram-me, destruíram-me os recursos e a alma. Na miséria que me deixaram, obrigaram, ainda luto para dela me libertar. Mas quem vive com o analfabetismo os escravocratas surgem de todo o mundo e a tremenda luta para sair do precipício da miséria torna-se difícil, porque a miséria é o império do edifício da corrupção. Nunca se espoliou com tamanha facilidade e impunidade.

Pai, onde estiveres recebe o meu abraço
Oh! Como são abundantes as saudades do teu regaço
Desejo fugir, voar deste espaço
E regressar para o aconchego da família, para o seu laço