Vai para três meses que Luanda está sem energia elétrica. Entretanto, há quarenta e dois anos os que governam por direito de sucessão apostam na diversificação da economia… sem energia eléctrica. E o fumo do gerador do banco millennium-atlântico na rua rei Katyavala mata-nos. Em Luanda, matar é facturar.

domingo, 21 de junho de 2015

O REI DO PETRÓLEO (01)



Introdução

Apenas existem duas espécies de homens, os ditadores e os democratas.
Começo com este texto da Avaaz que me deixou aterrorizado pelo silêncio do deixa andar. “O Mediterrâneo e mar de Andamão estão se tornando cemitérios. Mianmar está expulsando o povo da etnia Rohingya e, com isso, milhares de famílias estão à deriva no mar, impotentes, forçadas a beber sua própria urina porque haviam sido rejeitadas pela Malásia, Tailândia e Indonésia. Todas as semanas, cidadãos sírios e africanos também correm o perigo de morrer afogados na costa sul da Europa ao arriscar a travessia assustadora, tida como a última esperança de escapar de tortura, fome e traficantes. Estamos enfrentando a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, mas até agora os governos estão permitindo que pessoas morram em meio a um clima crescente de xenofobia. Agora que a crise chegou, nossa comunidade tem uma oportunidade única de trocar a cultura do medo por uma onda de compaixão. Se cada um de nós fizer uma pequena doação agora, vamos ajudar a financiar operações de resgate no mar; criar uma equipe com foco em refugiados na Avaaz para apoiar essas missões e reassentamento; fazer pressão para forçar líderes políticos a abrir as fronteiras; e lançar anúncios para combater o racismo.”
Tudo é permitido, desde o assassinato de jornalistas, de crianças… de destruição em massa, da decapitação mundial perante o receio das democracias ocidentais que se escudam na fragilidade das suas fortalezas, perante a ameaça do derrube dos seus torreões porque ao titubearem sem saberem o que fazer, ver-se-ão envolvidas num conflito de vastas proporções. Por incrível que pareça as democracias ocidentais apoiam abertamente as ditaduras mundiais, especialmente na África onde os ditadores eliminam a seu bel-prazer populações sob o olhar complacente dos famosos líderes democráticos. As populações africanas são tratadas como componentes de uma lixeira, nunca se escutando uma palavra de condenação dos poderosos dirigentes ocidentais que fabricam em larga escala multidões de terroristas. A hipocrisia política comanda as operações da diplomacia, como aquela dos acordos de cooperação mutuamente vantajosos.
E a Avaaz termina pedindo doações para apoiar a desgraça dos governos democráticos que parece escolheram o caminho da sua extinção.
“Juntos, podemos ajudar no resgate de refugiados, como também no resgate de nossa humanidade comum.”
Querem-nos impor que dependendo em absoluto de ditadores as nossas vidas e o nosso futuro serão radiosos, e quem ousar se manifestar de imediato será para aniquilar.
Estamos outra vez no mundo de Hitler que nos ameaça com todos os meios para nos subjugar e nos impor a guerra de destruição massiva. Ó EUROPA, DESPERTA!
Não há regras, a não ser o jogo lúdico do matar impunemente. A barbárie avança invencível mostrando que se perdeu a noção do que é ser humano.
Até as famílias estão a desaparecer.
O comportamento das igrejas é como os partidos políticos que fazem promessas que nunca cumprem, como o regresso de Jesus Cristo para nos salvar… não sei do quê, só se for da sua egrégia ditadura.
As pessoas, familiares queridos, amigos e conhecidos, vivem, passam por nós, a maioria morre a grande velocidade e poucos restam vivos. É esta outra lei contrária à vida que nos conduz à solidão e que ninguém quer assumir pois a nostalgia daí resultante rói os nossos corpos, as nossas almas.
Meu Deus! Parece que a última réstia de amor desabou em cima de nós. Sem amor nada das nossas vidas terá esplendor, restar-nos-á o sobreviver da selva animalesca, a dor. Creio que vivemos na esperança do além.
Mais um alarme vem de Justino Pinto de Andrade numa conferência de imprensa em Benguela: “Angola está a ser conduzida para um beco sem saída, estamos no colapso económico.” Um pequeno bando de pessoas destroçou Angola, e creio que os culpados disso são os angolanos, pois permitiram que tal acontecesse.
Enquanto há vida há esperança, sussurram das suas tumbas milhares, não, milhões de mortos que nisso acreditaram. E os vivos continuam a levar essa esperança para debaixo da terra. Mais uma coisa que a Igreja inventou para subjugar os pobres coitados e abandonados crentes além-túmulo.
Neste momento recebo a notícia de que uma feiticeira vinda do Uíje caiu com a sua vassoura algures num bairro de Luanda por falta de combustível. A testemunha que relatou este acontecimento disse que no local estava muita gente e que a feiticeira estava nua, deitada no chão. Ela viajava em negócio para o estrangeiro para carregar mercadorias.
Outro caso foi o de uma albina que faleceu e o seu corpo foi depositado na morgue, que misteriosamente desapareceu sem que ninguém saiba explicar, o mistério decifrar.
O mundo não está em guerra, mas pelas terríveis situações de refugiados e abusos do poder, parece a terceira guerra mundial.
O trabalhador sem trabalho e o que o consegue tem um salário de miséria, de escravo.
Os genocídios tornaram-se tão vulgares como os campos de concentração nazis da Segunda Guerra Mundial.
Neste mundo apenas há lugar para os ricos, os pobres são para esmagar como as moscas. O mais estúpido dos ditadores é tentar parar manifestações de famintos com extrema violência. No seu desespero esquecessem-se que é assim que se inicia o seu fim.
Os chineses já se apoderaram das fábricas de tijolos, da venda de água, do gelo, dos cigarros e em Viana já têm uma casa de prostitutas. Não me surpreende nada que eles também já controlem o Governo, e isso nota-se nas semelhanças do partido comunista chinês com a actuação das autoridades angolanas.
Os portugueses estão no saque desordenado, e o mais curioso é que estando Angola no colapso económico, muitos continuam aqui a chegar, não se sabendo o que vêm aqui fazer, só se for para apanharem algumas migalhas. A expressão mais utilizada por eles é: «Como é que se consegue enviar dinheiro pata Portugal?»
Mas os chineses reinam como donos absolutos de Angola, pois até já lhes dá para utilizarem mão-de-obra infantil, crianças escravas numa impunidade de arrepiar. É demasiado evidente o desprezo pelo semelhante praticado por eles. Um exemplo: quando numa obra, não querem saber se a vizinhança morre ou não, desviam tudo para o outro lado, e quando chove é uma desgraça, pois resolveram o problema da obra atirando com todos os problemas para os vizinhos, e ninguém pode protestar porque por trás deles está sempre a Casa Militar da Presidência da República. Vi numa obra, com um sol terrível, daquele de queimar, de desmaiar, de matar, jovens angolanos a trabalharem, enquanto os chineses estavam na sombra. Colocam-se como capatazes de escravos a vigiarem a mão-de-obra escrava, substituindo a anterior colonização.
A lei existente é a da arma e a da chacina.
Restam apenas dois órgãos de informação livres, a Rádio Despertar e o Charlie Hebdo angolano, o jornal Folha8.
A Lei Eleitoral foi alterada de modo a que um único candidato vença as eleições. Isto é a tragédia anunciada, instalada. A perseguição aos opositores políticos é constante, intolerantemente doentia. Um segurança disse que à noite nos bairros os mortos são demais, a bandidagem constituída por jovens vítimas do desemprego vive dos assaltos, mas presentemente assaltam e matam.
A Rádio Despertar denunciou que na província do Namibe, trabalhadores estrangeiros não especializados roubam os empregos. De facto quem só sabe criar problemas conduz Angola para um beco sem saída.
Tal como os outros regimes idênticos também este cava a sua sepultura. Pelas suas características geográficas Angola não será outra Síria ou Egipto, creio que será outro Congo.
Presentemente os fiscais do Governo da Província de Luanda atacam, isto é, saqueiam ferozmente os bens de venda das desgraçadas e desgraçados que ousam vender seja o que for nas ruas, nem as cadeiras escapam. Decerto a crise também afectou os salários dos fiscais que para sobreviverem saqueiam os bens da população.

E neste ambiente se formou, vive e reina o Rei do Petróleo.