segunda-feira, 2 de julho de 2012

LWENA DOS JASMINS (2) Democracia é concentrar toda a riqueza ilícita no poder de meia dúzia de paspalhões.



«Há muitas maneiras de matar um homem. Uma delas é não deixá-lo dormir. Estou convencida de que não morre por cansaço, mas porque não pode sonhar.» Eugenia Rico in elmundo.es/

O governo encalhou-se e encalhou-nos. Escolhe sempre um porto muito porco, inseguro, e nele continua emporcalhado. Na espera receosa, brumosa, que outra liderança o desencalhe, o asseie e não mais nos enxovalhe. E a nobreza acastelada sorri, observa, desdenha dos imensos currais de porcos e monumentais prostíbulos.
Está mais que claro que um governo que governa totalmente destoado, prossegue na senda do convite a estrangeiros sem escrúpulos, aventureiros macabros que nas calmas acabam por dominar tudo e todos. Claro que as consequências posteriores adivinham-se desastrosas. Vê-se disso por todo o lado noutros teatros mas, o Politburo não tem capacidade de enxergar, a solução final é inevitável, lamentável.
«Os 600 autocarros importados da China. As informações disponíveis dizem que salvo raríssimas excepções, esses 600 autocarros estão a sofrer avarias, principalmente ao nível da embraiagem e da caixa de velocidades, sobretudo quando elas são manuais, como acontece a uma percentagem significativa desses veículos.» in Semanário Angolense
É um poder que jaz, não faz porque abrupto se complica, aterroriza a vida das populações. Só existe uma explicação para tão grande desastre governamental. A estrutura da hélice dupla do ADN indetermina, corrompe as características genéticas dos indivíduos que nos governam... por todo o mundo.
Ela, a zungueira, saiu de manhã bem cedo. Reuniu todo o dinheiro e carregou-o. E lá foi para a compra habitual, matinal, das bananas para revenda pelos passeios desventrados, empoeirados, emporcalhados, lixados. Os meliantes esperavam-na e: «Estás colocada!». Lá se foi o dinheiro ganho honestamente, doze mil kwanzas, porque o dinheiro que se ganha teimosamente, horrendamente na desonestidade, esse ninguém rouba. É impossível viver assim.
E as milícias de autodefesa esperam, serão criadas, como é norma. A África negra das milícias, porque os governos (?) oprimem, extinguem as populações. Então nascem as milícias para sobreviverem, lutarem contra a anarquia governamental. É a anarquia contra a anarquia. E lá vão para a extinção anunciada.
Como disse Mário Vargas LLosa em elmundo.es/ «Muitas minas estão agora nas mãos desses bandos, milícias ou do próprio Exército do Congo». Paz, ordem, legalidade, instituições, liberdade. Nada disso existe nem existirá no Congo por bom tempo. As guerras que o sacodem, deixaram de serem ideológicas (se alguma vez o foram) e só se explicam por rivalidades étnicas e cobiça do poder de chefes e chefitos regionais ou a avidez dos países vizinhos (Ruanda, Uganda, Angola, Burundi, Zâmbia) para se apoderarem de um pedaço do pastel mineiro congolês. Mas nem sequer os grupos étnicos constituem formações sólidas, muitos se dividiram e subdividiram em facções, boa parte das quais não são mais que bandos armados de foras-da-lei que matam e sequestram para roubarem».
E tão habituados no poder de tantos crimes realizados. E os tribunais silenciados sentenciam inocentes condenados.
«O problema reside, sim, na qualidade dos docentes, que é muito discutível até aqui em Luanda. Para ter uma ideia do que se passa, digo-lhe apenas que sei de docentes que se ajoelham diante de estudantes, pedindo-lhes para não denunciarem a sua incompetência… Há-os, sim. E olhe que, hoje, alguns desses docentes sem o mínimo de competência dirigem departamentos e alguns outros já dirigiram até faculdades…» * E exigimos o preço do barril de petróleo a 70 dólares senão… emigramos para a Somália e vamos pirateá-los.
Quem promete a liberdade e depois no poder a retira, a enxovalha, é apenas um bando de canalhas. De seguida cria-se uma força militar, genuínas milícias, privatizada para protecção do eterno poder. A população espera-a a efémera liberdade do desemprego, da miséria e finalmente a morte pela fome.
Presumia-se, certificava-se que o mundo ficaria democratizado. Mas que vejo? Está tão despedaçado, tão tiranizado, tão triunfado. Então onde está, para onde foi a democracia? Paira por aí, algures violenta, virulenta. Por incrível que pareça as tiranias reforçam-se no fosso fétido, nos amantes das democracias bancárias do primeiro mundo. E Luanda banalizou-se... em mais um país (!) das inúteis conferências.
Agora tenho este pesadelo de viver rodeado de tantos criminosos. Da maneira que as coisas estão e andam, Luanda está apenas apta para criminosos e assassinos. É fácil de imaginar o que sucederá nos dias vindouros.
Fazem obras (?), destroem os passeios. Lavagem de carros na via pública, numa ode às águas que destroem o recentemente mal construído. Barulho de música o mais violento possível dia e noite. Baldes de águas imundas lançadas a esmo das varandas dos prédios. Incríveis invasões de mosquitos que nos perseguem dia e noite para chuparem o sangue que nos resta. Geradores eléctricos que fumegam, nos assassinam lentamente e barulham dia e noite. Motas com escapes livres que imitam tiros, dia e noite. Conseguir descansar, dormir o suficiente é milagre. Vivemos num vasto curral de concentração de porcos. Não há lei, cada um dita a sua, particulariza-a. A lei da feitiçaria domina. Luanda não é um país, é uma cidade-falhada.
Tudo começa a findar sob domínio estrangeiro, o que trará graves consequências para a corda bamba dos desempregados. Muitos estrangeiros opinam sobre Luanda a torto e a direito. E são motivo de chacota porque não entendem nada dela, e claro de África. Só falta colocar no poder um presidente estrangeiro. O que pelo mover dos tentáculos de momento, não surpreenderá.
«Onde os últimos anos trouxeram consigo uma clara promoção da incompetência. Para ser reitor, vice-reitor ou decano não bastará ter um doutoramento, até porque se sabe que existem doutoramentos cujas teses nunca foram depositadas na biblioteca da universidade, como manda a regra académica. Porquê? Porque foram teses cabuladas ou foram teses escritas por outras pessoas que não os autores cujos nomes aparecem na capa.» *
Empregos só para estrangeiros. Eles chegam, fazem a reestruturação (?) da empresa, despedem os luandenses e mandam vir familiares, amigos e conterrâneos. Isto está uma grande trampa daquelas. Está tudo descontrolado, eclipsado. Agora então com a moda em vigor de não pagarem, atrasarem os vencimentos… é do sistema político sem sistema bancário.
Fundamentalmente a questão é a seguinte: escusam-se na desculpa prévia, famosa do: ninguém quer aturar negros. Servem para fazerem recados, trabalhos de limpeza e similares, ou venderem qualquer coisa nas ruas. Porque durante quase meio século, a formação que beneficiaram foi o analfabetismo. E continua-se a formar analfabetos.
«Universidades privadas cada vez mais desorganizadas. Parecem estar mais viradas para o lucro do que para a didáctica. É opinião comum que as universidades privadas em Angola são uma autêntica pouca-vergonha, verdadeiros centros de anarquia do ponto organizacional, falta-lhes de tudo um pouco, desde laboratórios, salas de informática, até um simples bebedouro e ainda se arrogam ao direito de se chamarem universidades?» In Semanário Angolense
O mais inebriante disto tudo é o caos da energia eléctrica. Mas, os estrangeiros – sempre monumentalmente pagos – afirmam categoricamente que Luanda é o único país (Luanda é um país e a sua capital é Angola) do mundo que cresce, se desenvolve. A única economia do mundo que salta para além do planetário. Só pode ser uma economia de ler nas estrelas. E tudo não passa de barbarismo, chinesice.
Nas traseiras de cada prédio esconde-se um crime.
Entraram na OPEP para ostentarem a vaidade da presidência rotativa. E foi mais um erro grave acometido. O petróleo jamais será o que antes foi. As coisas mudam, as modas também.
Que futuro tem Luanda, onde toda a gente rouba e se roubam?!
A estrutura marxista-leninista-estalinista oleada, funcional, terrifica-nos. Estávamos convencidos que o pesadelo terminou. Mas não… os dráculas continuam a chafurdar no nosso sangue. Inventaram outro passatempo: Para fazer qualquer coisa é preciso uma conferência nacional ou internacional. Sempre as mesmas conferências, com os mesmos conferencistas. Na resolução sempre dos mesmos problemas sem solução. Fiscais do poder popular da Luanda que assoma, clama pela Somália africana q.b.
«Na obra, “Viragem” de Castro Soromenho, num diálogo que se desenrola entre uma neta e a sua avó, vindas de Portugal na era colonial, a neta disse à avó: «A África seria melhor se não tivesse tantas enfermidades, analfabetismo e outras malícias.» A avó respondeu: A África é África, por causa desta perversidade, se não tivesse tudo isso não seria África minha neta…» In Domingos da Cruz no Folha 8
Tudo é um absurdo, um sem sentido. Governantes idiotizam-se no poder, solenemente paramentados pela superstição e embuste da religião. E doses cavalares de estádios de futebol. É isto o desenvolvimento social e económico nacional e mundial.
Democracia é o monumental roubo mais bem organizado de todos os tempos à escala global. Democracia é o sistema político inventado por políticos, banqueiros, corruptos e especuladores. A democracia moderna não passa de uma bizarra ditadura. Na realidade o que existe é uma subtil associação de criminosos devidamente legalizados perante a lei. Os partidos políticos não passam de associações de malfeitores porque no poder nos matam à fome, enquanto vão enriquecendo facilmente devido aos milhões de desempregados que desempregam. Perante tal, quem ainda ousa falar de democracia? O que compete aos trabalhadores é tomarem o poder e acabarem com a corja de políticos, banqueiros, corruptos e especuladores. Isto sim é que é democracia! Os bancos têm que ser nacionalizados, ficarem em poder do Estado, nunca jamais nas mãos de privados porque subvertem o poder, promovem o caos na economia mundial. São como confrarias do mal.
Democracia é concentrar toda a riqueza ilícita no poder de meia dúzia de paspalhões. Sim! Porque eles dizem-se que quem é rico é inteligente. Pura mentira! O rico roubou, espoliou. Não é assim que se explicam os exércitos moribundos de esfomeados? São ricos porque as leis protegem-nos para nos roubarem e reforçam-nas (as leis) com forças policiais e militares. Matam-nos, aterrorizam-nos com a fome, ao mesmo tempo que nos lançam cães polícias, cavalos, polícia de choque, grupos especiais de assalto. Toda a parafernália militar jamais vista. Democracias de porcos, de imbecis e canalhas.
* In Paulo de Carvalho, sociólogo, em entrevista ao Semanário O PAÍS