segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Cavaleiro Mwangolé e Lady Marli na Demanda do Santo Graal (24)



O terror soltou-se como cães ferozes, e assim continuando as nossas crianças nunca serão felizes, esta civilização não as deixa dormir, porque é muito barulhenta, muito agressiva. As nossas crianças estão a ser educadas como numa prisão quando acabada de cumprir a pena, saem delinquentes. É a civilização da produção de delinquentes. Viverão num universo sem estrelas, sem sol, sem risos. Até parece que nascem outros novos caminhos revolucionários. É que os analfabetos vão conquistando os pódios do poder. Isto fatalmente rumará para outro conflito – mas que mais o ser humano sabe fazer? Porque quando a chama do amor se apaga, uma outra guerra recomeça. Se já não consegues amar o amor, ama a Natureza, a sua dor.

Todos os caminhos da vida nos levam inevitavelmente ao nosso fim irremediável. É tudo uma questão de tempo. Talvez que Shakespeare se enganou e devia ter escrito: ser ou não ser, eis o tempo. E deixamo-nos levar nas ondas temporais e de repente despertamos no entardecer da vida. A grande descoberta de todos os tempos: estamos velhos e o tempo que nos desespera é curto para concretizarmos os anseios das nossas aspirações. Resta-nos o tempo do pregador: há um tempo para tudo, o da eternidade.

Corremos, corremos sem sentido, telecomandados pelas forças do destino que quer queiramos quer não, nos é imposto. Todos os actos da governação são uma imposição. Sem dúvida alguma que isto não é nenhum mistério. Só que andamos sempre muito distraídos por modas que cegam os nossos olhos e sentidos. Nestes tempos temos que andar extremamente com muito cuidado, porque poderá a qualquer momento uma bomba explodir, um vulcão entrar em erupção, um ciclone ou uma violenta tempestade, um oceano de água, um terramoto e demais procelas humanas. E já não vivemos, apenas o fingimos.

Mais avassaladoras proporções se aproximam.
Agora temos uma coisa nova, mais recente. Os povos lastimam-se e prometem barbárie. E denunciam, que agora até os estrangeiros lhes roubam os lugares de venda nas ruas, e em todo o lado. E exemplificam: «os estrangeiros, à noite, vendem também nas ruas como nós, e roubam-nos o nosso ganha-pão. E não sabemos quem está por trás disto, porque até andam com camiões a venderem cerveja Cuca, a três cem kwanzas. Isto é muito desleal. Querem acabar com a gente. Olhem! Nós preparamo-nos para expulsar todos os estrangeiros. Nunca pensámos que isto chegasse a tal ponto. Como este governo não nos liga, quer-nos é matar, nós faremos justiça pelas próprias mãos.»
E mais: o curioso é que até já dizem: «o nosso presidente não é presidente de Jingola nem dos jingolanos. É presidente do petróleo.»

Pobre e infortunada Jingola que contas no teu seio com tamanhas anormalidades que te conduzirão ao fim inglório das outras ditaduras.

Eis um governo X-files que governa misterioso. Os únicos problemas que estão sempre premiados na sua agenda, e que resolve de facto e de jure, são a prisão e eliminação de opositores políticos. A destruição das casas das populações construídas com heróicos sacrifícios, pois nunca beneficiaram nem nunca beneficiarão destes donos absolutos do petróleo Jingola. É o apenas governar para demonstrar e inovar demais similares barbaridades.
O modelo de democracia seguido em Jingola está de acordo com as leis seguidas pelas doutas universidades das ditaduras comunistas.
E pelo andar dos navios-petroleiros, parece que nascerá mais uma província tsin, ou já secretamente instituída nos acordos dos misteriosos biliões de dólares, assim mais ou menos: Jingolayuan.
Jingola, esta cadeira eléctrica, onde todos nos sentamos, mas nunca sabemos quem nela escapará da electrocussão.
E as contas do petróleo, e as outras, tantas, infindáveis, que só vós tendes acesso? Mas afinal onde é que se está a gastar o dinheiro desta invenção, a que alguns chamam de nação?
E na capital Jingola não se fala de outra coisa: a invasão da grande muralha humana tsin. É um erro muito grave, que trará, já trás, com toda a certeza problemas irresolúveis. Porque não é assim que se decidem as aspirações dos jingolas colonizados. E eles, os tsins, passeiam-se nas vestes do desprezo altaneiro dos conquistadores, colonizadores.
Que cooperação é esta, feita de tsins que vivem e trabalham como escravos?
Trata-se apenas de mais uma menos-valia para engrandecer a miséria de Jingola.
Esta cooperação é o maior erro cometido até agora pelos Lordes. Pois é, os doadores não nos apoiaram na conferência. E por isso tivemos que correr aos nossos amigos tsins que nunca o foram. Também aconteceu o mesmo antes, com os nossos amigos revolucionários comunistas.
A nação Tsin é muito diferente, não tem contemplações com o sistema de governo instituído. Mas também aprecia imenso elaborar contratos de amizade e cooperação duradouros com qualquer ditadura, porque assim é muito mais fácil negociar com a corrupção instituída.
Onde existirem minérios e outras matérias-primas, a nação Tsin apoia, tal e qual como os imperialistas e colonialistas de antanho.
Jingola, tão rica e contudo tão miserável.

A invasão alcoólica. Quando o álcool é demais, a vida encurta-se nesta república alcoólica. O nosso futuro é alcoólico, porque finalmente livres e idiotas. A grande batalha alcoólica perdida de Jingola, o cemitério de garrafas.
 
Casebres demolidos, terrenos espoliados, desempregados, empregos só para colonizadores, pilhagem total e completa das nossas riquezas nas ruas da miséria. Os míseros bens são roubados e quem ousar denunciar tudo isto é preso por calúnia e difamação sem remissão já de sentença prévia lavrada.
A palavra de ordem é: colocar tudo inoperacional. Que interessa ter rios de dinheiro se não se conhece o modo de como utilizá-lo? Apenas para se mostrar de que se é rico, ou pagar a alguém para “afastar” o tal incómodo, porque a comunidade internacional se silencia na presença de pirâmides monetárias. Imitar outros países nossos irmãos da vanguarda revolucionária da destruição. Um só partido! E só sempre os mesmos no poder. Governar é manter esqueletos nos cemitérios do Poder. E eles há muito que não vivem, há muito que estão mortos, e não o sabem. Estamos a ser governados por cadáveres, por filmes de desenhos animados. Estamos naquele tempo da suástica em que não podíamos falar, nem sequer escutar uma rádio estrangeira, porque éramos presos e enviados para uma masmorra obscura, de que ninguém jamais saberia o destino.

Tanto do lado do partido no poder, como da oposição da sociedade civil e demais tralhas, estamos perante um desolador panorama da propensão infantil… já têm o mérito do não construir país, mas sim uma desalmada creche. Jardins infantis na selvajaria. Jingola é presentemente um reino, uma infindável barbárie... Jingola acabou-se, demoliu-se, desfez-se na poeira do tempo. Fomentar o analfabetismo é criar um exército de autómatos prontos para utilizar em qualquer rotina de servidão.
E com a independência o jingolano ficou dependente da escravatura. O navio Jingola naufragou com milhões de passageiros a bordo, não há sobreviventes. Uma das promessas da independência era o acabar com os musseques. Neste aspecto optou-se por uma solução mais higiénica, mais ecológica. Uma resolução até certo ponto revolucionária. Demoliram-se os musseques e as populações vivem em tendas ao ar livre. Outros países, parece, preparam-se para nos seguirem o formato. Os violadores da Constituição garantem que quem a violar será punido. Deus é como os nossos governantes, nunca sai lá do gabinete dele no céu. É um Deus muito problemático, pois nunca vem à Terra para resolver os problemas.
Normalmente constrói-se pedra por pedra, em Jingola destrói-se casebre por casebre.