quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Cavaleiro do Reino Petrolífero (FIM)



Governar é muito fácil, basta ter um povo analfabeto.
Os estrangeiros que por aqui se instalam parecem refugiados. Muitos continuam a chegar com a mesma ideia, sempre na busca da eterna árvore das patacas.
Kituta: um amigo meu teve um acidente, o causador fugiu-lhe. Foi à esquadra da polícia mais próxima, disseram-lhe para apresentar queixa numa outra esquadra. Acho que eles estavam a gozar. Os assaltantes estão piores que as piranhas do nobre Epok. Levam portas e janelas. Levam tudo e quem não tiver dinheiro leva nos cornos. Quando o gerador, por exemplo, de um hospital avaria, não se pode fazer nada. Fica-se à espera que as peças venham do estrangeiro. O vice-rei dos Exércitos aflige-se. As tropas aderiram à Associação dos Alcoólicos Petrolíferos e aos ensinamentos do Grande Feiticeiro. Não queremos saber do líquido negro e da política para nada. Como bem nos iluminou o rei: Queremos é comida! Que nos interessam as democracias se passamos fome?! Que nos interessa a luta contra o terrorismo internacional se passamos fome?! Pelo contrário, ele fortalece-se. No reino tudo o que nos prometem é mentira… é tudo tão triste. Ninguém confia em ninguém. Conseguimos um feito notável. A propensão para o roubo. Oh! Como sofremos do complexo do colonizado. Os dez milhões de dólares que o reino garante que vai utilizar para apoiar as vendas, não são para desenvolver a economia. Quem consome, quem vende, são as empresas dos nobres. Estão aflitos porque não vendem. Porque nós vamos distribuir o petróleo e os diamantes pelos generais, tal e qual como depois da Morte de Alexandre o Grande. Podem chamar-lhe Nova Somália se quiserem, mas é isso que vai acontecer. Acaso o resto da outra África (!) não está demasiado igualitária?!
Quituta: O nosso segredo da vida resume-se apenas em: nos segredos de um homem e de uma mulher. Este reino é muito engraçado. Compraram vacas reprodutoras ao Brasil por três mil dólares e na Argentina por mil e quinhentos. No nosso vice-reino mais a Sul as vacas custam quatrocentos dólares. Fizeram bom negócio. Estes nobres são negociantes de vanguarda. É o colonizador a redescobrir o colonizado.

Como disse António Aleixo:
Vêm da serra um aldrabão
vender sêmea por farinha
passados tempos já diz
esta rua é toda minha

Temos que saber escolher: ou gatos ou ratos. Prefiro gatos para caçar os ratos no único reino do mundo onde roubar não é crime. Os estrangeiros têm que ser vigiados. Antes de chegarem devem-se conhecer os seus antecedentes criminais. Olho para lá do horizonte e o que vejo? Os Povos de todo o mundo revoltados contra os impérios. Estes impérios que teimam na sobrevivência a ferro e fogo. Que subjugam o mundo na teoria das duas democracias: uma interna e outra externa, a da fome. São os nossos eternos inimigos. Vejam as águias deles a voarem bem alto, depois descem com muita rapidez para os seus objectivos habituais. Acabarem com as nações. Eles querem lá saber de democracia nos outros povos. Então o senhor de Angola mandou derrubar a cidade de Luanda e mandar construir outra nova para nela colocar os senhores do petróleo. Porque o dinheiro é tanto, tanto que não sabem como o gastar. E eles não se deram conta porque estavam ocupados em grandes orgias e maratonas. Deleitados nos banhos de dinheiro que não foi utilizado no desenvolvimento social, na extinção da fome dos Petrofamintos.
Ah Kituta! Meu tesouro escondido à espera de ser descoberto. Hei-de descobrir o teu esconderijo. E toda aquela campina… faz-me lembrar aquela árvore que vi... e a derrubaram para construírem mais um condomínio.
Princesa Kituta: Minha leve areia fina acariciada pelo desaguar da água do Rio Kwanza. O teu pai abandonou-nos, não sabemos porquê. A continuação deste caos fará com que o nosso reino se parta aos bocados. Ficará como a Somália? Como o Sudão? Como a RDC, e tantos outros exemplos?! Sempre a ouvirmos música em mono, quando o estéreo é melhor?! Se os estrangeiros aventureiros e os seus amigos internos não forem expulsos, não haverá presidente actual ou futuro que os aguente. Já se assassinam entre eles. A seguir serão os nossos intelectuais. Facilmente moverão as suas influências internas e externas, e teremos uma desestabilização permanente. Os republicanos da União Total querem cinco mil dólares por mês. É um crédito que os leva ao descrédito. É a democracia do feitiço. A chefia não se impõe, nasce naturalmente. Ninguém se esqueça que cada esfomeado é um revoltado. Como existem milhões e milhões de esfomeados, é fácil colocar um cartaz no meio deles assim: RECRUTAM-SE TERRORISTAS. Quem aceita passar fome?
Angola parece que não faz parte de um continente. Parece uma ilha, um buraco que surgiu de um universo paralelo da fita de Mobius. Onde tudo permanece sem paralelo noutro lugar. Desafia as leis da física mais elementares. É necessário enunciar uma nova teoria. Mas, para quê perder tempo com Angola?! Só as forças do feitiço o sabem. Só os poderes do Grande Feiticeiro podem desvendar este extraordinário feitiço. Angola está irremediavelmente enfeitiçada. Angola está como um pedaço de um continente, onde alguns abutres negros debicam pedaços de outros milhões de abutres negros. Temos que fazer uma revolução verdadeira e retirar Angola da lista da Peste Negra da Idade Média. Temos que nos libertar dos ratos, destes causadores dos nossos males. Eliminando-os acabam-se com as pestes. E virá a Liberdade. Este reino petrolífero não é o Iraque, nem o Afeganistão e muito menos o Irão. Um reino, um país, ou nação bem organizados para funcionarem necessitam apenas de: drogados, prostitutas, alcoólicos, feiticeiros, esfomeados e alguns políticos?! Assim mais guerra será certa. Ela está sempre anunciada. Porque só vai existir um candidato às eleições. O mesmo de sempre. Meu Rei! Para sobrevivermos é muito simples: Queremos empregos dignos e reformas da velhice também dignas. Subsídios das vendas do petróleo e dos diamantes. E as vendas a crédito que não existem! Não queremos ser escravos para sempre. Outra vez no colonialismo e escravidão. PORRA!!! ESTAMOS A MORRER À FOME!!!

F I M

A Proporção Divina
Eis a essência do germinar das lápides estiradas, atiradas ao abandono. Reencontradas nas cavernosas, cavernas escusas, depois iluminadas pela alta voltagem inofensiva do sublime amor.
A história humana é o calvário, purgatório, martírio do amor da proporção divina nas listras zebrais, equilibradas entre o amar e viver Condenámo-nos à nascença a amar, mas recusamos, teimamos em odiar Não é ser, é ter alguém para confiar, divino em que acreditar Temos que apreender a dizer não, a este faz-tudo de amar clonado em vão. Evitemos que os vendedores revendam o ardor da paixão. Não podemos resumir esta contenda nos gestos augurais das vestais continentais.
As plantas ondulam porque amam o vento. Se este faltasse, o ódio reinaugurar-se-ia de verde amarelecido.
As asas do estímulo vivencial, são código genético desconhecido, que nos faz voar, perfumar, o aroma para amar. E quem isto ousar proibir, será proibido. Os sensores do amor quando activados ficam desordenados. No futuro serão bloqueados, porque perigarão os instrumentos sensíveis das naves interplanetárias. Será imaginado, recriado um longínquo planeta amoroso, para amantes eternos. Os circuitos do amor desafiam as leis e a velocidade física. Não há, não haverá máquina que calibre a sua invisível intensidade. Porém, ele esforça-se e tem mais que força, perenidade para viajar pelo infinito do Universo. Deixai que os sedentos bebam da sua água pura, para que a impureza da poluição das águas não cause pandemias, e aconteça a sua extinção. Apenas um minuto de imensidão amorosa, vale milhões de anos planetários. Para quê lutar, se estamos sempre presos nos tentáculos das areias movediças, acariciantes, desse eterno sentimento. Tudo se extingue, parece em vão, o amor não! O amor tem muitas pernas, mas quatro estão sempre presentes: duas femininas, e duas masculinas. O útero da deusa mãe aguarda o seu convidado, e os pés dos amantes movem a escala Richter.
Promete que amarás o amor, e nunca te cansarás da sua tentação. A diferença que existe entre o rico e o pobre, é que o pobre é rico de amor. E o rico vive na pobreza espiritual à procura do amor. A plenitude virá quando soarem as badaladas cardíacas, rítmicas do relógio bioquímico do nosso coração. Não haverá tormenta que nos domine, que nos separe, porque estamos acorrentados, desmaiados nesse sem sentido, perdidos nos outros sentidos.
Que sejam santificados os mártires do amor, e que nos próximos tempos um salmo planetário seja cantado na cosmologia. E dos suicidas infelizes apenas porque amaram… serão edificadas estátuas de beijos com luz estelar aos viajantes espaciais com a inscrição:
AOS INFELIZES DO AMOR TERRENO QUE APENAS AMARAM

E a miséria está perene, como uma podre ditadura disfarçada de democracia. É sempre assim, quanto mais miséria na população, mais riqueza na governação. Os preços sobem, os governos caem. A democracia depende dos bancos. Como eles são uma lástima, a democracia é um absurdo. Não faz sentido, é impossível a coexistência entre democracia e bancos. A não ser que mude de nome para, democracia bancária. São tantas as quadrilhas democráticas no paraíso.

Cegos, surdos e mudos! Não sentem o cheiro que paira no ar? O Politburo não se apercebe da grande confusão que vai vir, explodir? Já não dá mais para continuar assim. É hora de dizer BASTA! A tanta espoliação e à venda de Angola a estrangeiros. Não foi para isto que lutámos. Enquanto vós do poder viveis na descarada riqueza, a nós só nos resta a miséria extrema imposta. Isto não dá para mais aguentar, percebem?! E também está difícil para as amantes.