sábado, 14 de julho de 2012

O Cavaleiro Mwangolé e Lady Marli na Demanda do Santo Graal (23)



Como é sempre agradável ouvir uma voz celestial cantar e o seu canto nos inebriar. A nossa existência depende da ditadura da Natureza e dos ditadores sem ela. Contudo, querem convencer-nos que o mundo para nós é uma brevidade, e para eles a eternidade. E as ofensas e humilhações prosseguem a bom ritmo nesta jangada de petróleo à deriva. Temos o direito de lutarmos pelo que nos resta: o amor.

Nós somos o nosso Universo, mas alguns idiotas até o não direito de olharmos para o céu desejam decretar. É por isto que as revoluções se sucedem como galáxias. Assim sendo, o ser humano será sempre o eterno revoltado. O nosso lar, a nossa família e tudo o mais que nos rodeia, não são propriedade de qualquer bando, banco, ou de qualquer governo. Até já o amor nos aparece em vias de extinção.

Foi aprovado pela massa militante do nosso glorioso partido, o orçamento quinquenal que irá dinamizar, estamos certos, o processo revolucionário em curso da nossa agricultura. Todos seremos poucos para tal projecto de envergadura. Mas, não nos envergonhamos, muito pelo contrário, edificaremos outra pátria como as gloriosas três gargantas dos nossos queridos amigos. E será chamada de, as três grandes línguas da agricultura. Este desiderato é muito fácil de atingir porque todos os investimentos serão para lá canalizados, e nos próximos dias a fome e a miséria do nosso martirizado povo acabarão para sempre. Confiem no nosso líder supremo.

Foram recebidos com pompa e circunstância no nosso Palácio Central, altos dignitários dos nossos incondicionais amigos: assim, dos nossos queridos amigos da Coreia do Norte recebemos promessas de apoio alimentar para o nosso povo, muito carente neste momento, devido à alta dos preços dos cereais no mercado internacional. Eis que, os apoiantes da nossa revolução comprometeram-se a enviar-nos uma esquadra de navios carregados com cereais. Viva a amizade dos povos! Viva a amizade anti-imperialista!

Igualmente recebemos uma delegação do Politburo Tsin, onde se passaram em revista os tradicionais laços de amizade. E, por consenso, aprovou-se o reforço da amizade e cooperação entre os nossos povos. Aprovou-se também uma moção muito favorável ao envio de mais alguns milhares de tsins para reforço da nossa independência. É que o inimigo está sempre à espreita, e convêm ter sempre um exército internacionalista de prevenção, porque nestes tempos nunca se sabe. E há que reforçar os poderes dos nossos partidos. Viva o apoio prestado pela República Popular Tsin povo Jingola. Viva a amizade com todos os povos amantes da liberdade. As ditaduras resistentes sobreviverão. E ainda temos amigos ocidentais que nos protegem.

Preço do petróleo dispara.
É verdade. O preço do petróleo disparou no mercado internacional. Devido a uma greve de navios-petroleiros, o preço atingiu o patamar dos duzentos dólares. Finalmente, vamos conseguir tirar o nosso povo da miséria extrema em que ainda se encontra. Bibliotecas, universidades, água, luz, emprego, fim da delinquência, mercados municipais condignos para retirar as nossas mamãs das ruas, onde actualmente dificilmente conseguem facturar duzentos kwanzas diariamente. Escolas, hospitais, fim dos engarrafamentos de trânsito, fim da invasão tsin e de falsos emboabas. Fim do êxodo das nossas populações para a capital Jingola, com condições de retorno aos condados e viscondados.

O nosso Politburo agradeceu a confiança que o nosso povo continua a depositar na sua direcção de vanguarda, porque sabe desde há muito, que só assim o futuro será certo. Só líderes esclarecidos podem ser eleitos para chefiarem e conduzirem o nosso povo às vitórias alcançadas, que infelizmente ainda são mínimas, mas nas próximas décadas todas as metas serão finalmente alcançadas e a felicidade uma vitória certa. O nosso povo não necessita de partidos da oposição para o esclarecer. Pois, só um povo com um único partido esclarecido é vitorioso. Viva o nosso partido sabiamente dirigido pelo nosso outro guia imortal.

Como distribuir panfletos nesta ditadura siríaca
Carregam-se as resmas de panfletos para os terraços dos prédios. Molham-se os primeiros exemplares. E quando secarem, começam a voar em todas as direcções.
É um método seguro de propaganda política neste nosso regime agora ultra ditatorial.
É que ninguém pode manifestar qualquer opinião contrária, aparecem logo os defensores da ordem dos usurpadores das nossas liberdades.
Então, jovens de partidos políticos não podem entregar panfletos à entrada da Assembleia Nacional Jingola? Fizeram-no e de imediato foram logo presos.
Estão a provocar o caos síriaco. Assim seja!

Conselho da Revolução. Decreto-Lei n.º 01/11
Das manifestações

É consabido que o direito à manifestação está devidamente assegurado na nossa Constituição. Só que até ao momento ainda não estão criadas as merecidas condições. Isto deve-se tão-somente a que o Executivo está imensamente empenhado em resolver os problemas do nosso glorioso, querido, e sábio povo, apesar de que há quase quarenta anos nada se resolve. Constituindo apenas um rol infindável de promessas que a mais das vezes nem sabemos bem donde saem. Mas a nossa sagrada missão é manter o nosso povo na felicidade que merece. Mas também, e infelizmente os barris de petróleo ainda não chegam para todos. Mas lá chegaremos.
Portanto, o Executivo ainda não teve tempo para se dedicar aos aspectos de liberdade fundamentais. Garantindo que nos próximos meses, quiçá, mais alguns anos, as manifestações sejam devidamente autorizadas.
Convém assinalar que entretanto, a actividade contra as ditaduras preocupa-nos imenso. São manifestações atrás de manifestações, derrubes de ditaduras umas atrás das outras. Achamos por bem que o nosso já martirizado povo não necessita destes maus exemplos. Até porque a Nova Vida está a chegar, a começar. E o nosso povo vive já um bem-estar invejável. E por isso mesmo não desejamos absolutamente nada que se deixe levar por manifestações que agora viraram moda por todo o mundo.