quinta-feira, 26 de julho de 2012

O pior analfabeto é o analfabeto político



Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguer, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais. Bertolt Brecht, (1898-1956)
Se Angola está infestada por milhares de técnicos estrangeiros, o que garante pleno desenvolvimento, porque é que os angolanos vivem na miséria?
Porque é que o colonizador e o neocolonizador são sempre peremptórios em afirmarem que o colonizado é preguiçoso, burro, gatuno e bêbado?
E o partido que organiza as eleições é o mesmo que nos desorganiza a água e a luz, e o que organiza a nossa miséria. As receitas diárias do petróleo estão garantidas, amanhã, todos os dias, há mais. Cérebros poluídos, inundados de petróleo, pensam?
E só os estrangeiros é que trabalham, o angolano é muito preguiçoso. Isto não é um círculo vicioso?
E se emprego queres arranjar/ renuncia à nacionalidade angolana/ e então como cidadão estrangeiro/ facilmente te consegues empregar.
Na Rádio Ecclesia, 19 de Junho, ouvi que em Malanje as entidades locais informaram que a malária diminuiu. É que para mim enquanto a OMS não se pronunciar, validar, trata-se de mera propaganda do combustível eleitoral.
Onde há neocolonialismo, há corrupção, há miséria, não há Educação. Demolir é preciso.
Quando oiço o constante som de ferros serrados pelos chineses, sinto no ar o cheiro do progresso. Angola vai longe. Sem os chineses decerto Angola nunca alcançaria os tão almejados patamares do franco desenvolvimento. E é bom, é chinês, eu gosto.
Quando numa insignificante circunstância um Regime usa o seu aparato bélico, apenas revela a sua extrema fraqueza. Pois só com tal aparato os inseguros se sentem em aparente segurança.
Afinal não havia nenhuma luta de libertação nacional. Era derrubar o colonialismo e implantar o neocolonialismo. Não nos libertaram, apenas fomos substituídos por outros senhores dos escravos. Sim, não nos libertaram, apenas nos escravizaram. E em nome desta república do petróleo e do vale-tudo, inclusive outra Síria. Duvido muito. Hoje os antigos combatentes, amanhã todo o povo. Pouco falta, apenas um cochito.
Bom-dia república das sirenes de Luanda. Os manifestantes saúdam-te.
Entretanto prossegue mais um capítulo da novela de terror, os homens errados nas funções erradas. É também mais um dia de lavagens dos dinheiros de proveniência enganosa. E assim as sociedades democráticas vivem e impingem-nos os seus futuros.
Claro que não existe democracia em Angola, logo não é possível existirem instituições democráticas. O que existe de facto é uma luta de classes. A classe antidemocrática marxista-leninista e a classe dos democratas que lutam pela instauração da democracia. E a característica fundamental que identifica o leninista é a mentira sistemática, tipo alcoólico que diz deste copo de bebida nunca beberei.
E o leninista anda sempre ao contrário, contra os ventos da História. Então, em vez de dizer, o governo deve mobilizar-se, não, diz: as populações devem mobilizar-se.
Acredito piamente que a coisa mais estúpida que o ser humano inventou, depois das barras de ferro, foi o futebol.
Se Angola nada na corrupção, então a população sabe bem nadar.
A caminho de quatro semanas que aqui na bwala só funciona uma fase, claro que a qualquer momento o cabo eléctrico vai queimar. O que impressiona é que ninguém sabe e ninguém quer saber. Não é possível um país continuar assim na dúvida sistemática, se amanhã teremos energia eléctrica e água. Estamos no fim. Salve-se quem puder. Ninguém parece saber o que faz, dá a impressão que se anda e se vive apenas pelos mais elementares instintos animalescos. Pode-se dizer que em Luanda já não existe energia eléctrica.
Era uma cidade muito engraçada/ tinha alguns democratas engraçados/ tinha petróleo, PIB, dólares/ e muitos vulcões desesperados. Os estrangeiros estão em todo o lado/ e nós em lado nenhum, cercados/ até a água os chineses nos espoliam/os próximos dias serão muito complicados.
Conselho da Revolução
Lei 1024/12 de 23 de Junho
Da energia eléctrica e água
Há quase quarenta anos que os nosso inimigos internos e externos, tudo fazem do mais negativo possível para que a nossa super revolução de milhões de militantes não vá avante, não trilhe os caminhos da paz e da felicidade nos lares do nosso povo. Esta revolução tem consumido muitos sacrifícios, e mais exige, porque a nossa revolução é pura, sem mentiras. O nosso sacrificado povo já sente melhorias significativas no seu bem-estar diário, basta ver nas realizações das novas centralidades. Comunicamos à nossa massa militante para mais esforços, para levarmos a bom porto a nossa revolução sedenta de mais e mais sacrifícios. Assim sendo e durante tempo indeterminado, o tempo de permanência no poder, que a partir desta data ficam suspensos os fornecimentos de energia eléctrica e água.
Cumpra-se e publique-se
O Conselho da Revolução
A promoção pelos meios de comunicação social de analfabetos políticos e de falsos académicos constitui um perigo gravíssimo para o futuro de um país. Não é por acaso que muitos e muitos países estão irreconhecíveis como tal.
Relatar um facto, como por exemplo a corrupção, isto é jornalismo. E quando se glorifica com jactância um poder, isto é funcionalismo público.
E em Angola constata-se a triste realidade: os biliões de dólares do petróleo não resolvem nenhum problema, muito pelo contrário, complicam tudo, só originam mil e um problemas. O petróleo não é uma solução, é um grande, gravíssimo problema.
Porque é que a ONU não cria uma lei com a seguinte redacção?
Doravante não mais se permitirão mentecaptos e similares na condução de países. Todo o corrupto declarado será alvo de mandato internacional, detido, julgado e condenado conforme as sãs regras de convivência social entre os seres humanos.
A característica fundamental do ser humano é a hipocrisia. Sem ela não será possível a sua sobrevivência.
A injustiça reforça-se por todo o lado. Num mundo perene de injustiçados o que se nota? Parece que está tudo adormecido, ninguém se move para a enfrentar, a injustiça, para com ela definitivamente a encerrar da História.
Bom, e eis-nos chegados à normalidade de um Estado de facto e de tumultos.
Será que também já privatizaram a água?
A que horas é que eles vão apagar a luz e secar a água? E quando é que ligam a luz? E quando é que a água chega? Hoje, amanhã, nunca mais?
Já há muitos anos que não oiço rádios que desinformam a verdade, nem vejo as TPAs porque me provocam lesões irreparáveis no cérebro, além disso é mais terrível que assistir a um jogo de futebol. Mas no dia 22 de Junho deu-me para escutar a RNA - Rádio Nacional de Angola, no seu noticiário das vinte horas, em mais uma das suas emissões em cadeia com a Coreia do Norte. Ao longo de incríveis dezanove minutos só ouvi noticiar o comício que teria lugar no dia seguinte no estádio 11 de Novembro em apoio ao camarada Presidente José Eduardo dos Santos. Falava-se em milhões de manifestantes, depois passou para um milhão, mas o estádio só suporta cinquenta mil. A certa altura deste campeonato partidário, pelo que percebi, Bento Bento, o organizador do comício, esclareceu que os restantes novecentos e cinquenta mil ficariam no exterior do estádio. Depois apareceu um reverendo, nem me preocupei em anotar-lhe o nome, que pregava que o Presidente JES era e é o homem indicado, o salvador, e mais o habitual relambório dicionarista. Ainda tive a santa paciência de escutar um comunicado a informar que, não senhor, o director provincial da educação, André Soma, a obrigar toda a gente a ir para o comício norte coreano, que não era verdade, ele faria lá uma coisas dessas, nem sequer tem nada a ver com isso. Já sentia febre por todo o corpo, mas ainda consegui salvar-me a tempo de não ir parar no outro horror dos cuidados intensivos das outras rádios médicas. Consegui forças para sintonizar a Rádio FM Stéreo da RNA, e escapei-me das milícias da informação da RNA.
Custa a entender, então se lutaram e derrubaram o colonialismo, agora não conseguem lutar e derrubar este neocolonialismo? Então lutaram e derrubaram o quê?
Um anónimo no Club-k.net comentou que o meu amigo Reginaldo Silva merece uma carga de porrada e demais barras de ferro. Pergunto: e os corruptos merecem o quê?