domingo, 5 de agosto de 2012

O Cavaleiro Mwangolé e Lady Marli na Demanda do Santo Graal (27)


A menina brincava no regato e as flores perseguiam-na. Ela afastava-as teimosamente e as flores redobravam a perseguição. A menina ria, ria, ria. Ela olhou e obrigou o regato a mudar de posição. E as flores ficaram tão embaraçadas, e a menina muito zangada bateu-lhes muito, de beijar. E elas choraram muito. A menina comovida disse para o regato voltar ao que era antes. E as flores voltaram à perseguição. E a menina ria, ria, ria.

Um amigo é aquele que estejas onde estiveres, te guarda eternamente no seu coração. Um amigo é aquele que te protege sempre, com ou sem tempestades. Um amigo é aquele que mesmo que lhe abandones o teu coração, ele entrega-te sempre o dele. Um amigo é aquele que mesmo ferido, abandonado, esquecido e desprezado por ti, guarda sempre o seu eterno amor, na esperança de que um dia regresses, e o seu coração se transforme num mar de amor, de jasmins, de perfumes, de fusão de dois numa floresta de recém-nascidos. Um amigo é aquele que te oferece o Universo, tudo, pois ele acha que só tu o podes valorizar. Um amigo é aquele que te entrega a sua alma sem nada exigir como retribuição. Finalmente, um amigo é aquele que olha sempre para ti sem jamais se cansar.
Que banalidade apresentar o amor como uma mercadoria.
O verde da vegetação pairava, fluía no rio, e a corrente do vai e vem do vento aprazível lançava gotas de sol prateadas sobre a sua superfície. As aves gratas teclavam no seu chilrear. Tudo agradecia porque parecia, não, tudo é a nona sinfonia de Beethoven.


Povo possesso pelos óbitos constantes, que são festas do voto eleitor que legalizou a votação da maioria absoluta para o submergir no extermínio da velha vida. Está tão idiota, tal e qual os sons desconexos que afligem o que resta dos seus circuitos neuronais. Resignou-se dependente tolamente das estações psiquiátricas dos comboios circulantes da loucura colectiva. Já não é povo, é o elogio da loucura. E tudo lhes serve de incitação ao alcoolismo, ao qual já é adepto propenso. Esta cidade (?) de Jingola jaz decretada, agigantada num necrotério de mortes súbitas. E a democracia tão absurdamente mal decretada por um poder no sonho da ilegitimidade. O povo Jingola votou nas urnas da morte, funerárias. E por isso os seus óbitos são as suas constantes farras horrivelmente barulhentas dos seus enterros abundantes. O povo jingola não nasce, não vive, só falece. Nunca é demais recordar que nas traseiras dos prédios abundam crimes contra a segurança do Estado Jingola. Nas infinitas imbecilidades reside o nosso futuro. Nos cofres da opulenta espoliação governamental acumula-se o desdém dos despojos humanos na selva petrolífera. Este povo já deixou de o ser. É apenas um campo de prisioneiros para a reentrada dos democráticos envenenamentos das câmaras de gás.

É um governo muito desportivo, apresentou mais um torneio: o girabola do sorteio de casas. Já não governa, é um casino das lotarias nacionais. Que desorientado o pastor deste rebanho está: a fase dos abismos terminou. Já não existe povo, apenas uma chuva de cadáveres. Viver é laborar no premente erro de ser humano. Errar é humano?! Não! Porque o homem é um erro. Logo, tudo o que faz está errado.

As cobras atacaram o hospital de Ondgiva e os doentes fugiram. Caminhamos bem, debaixo do salmo, da bênção da democracia chinesa. O problema não é económico, é político. O principal aspecto da invasão estrangeira é o rapto dos nossos empregos. O poder ufana-se em empregar estrangeiros, e desemprega-nos. Até as nossas almas venderam ao diabo deles. A nova Constituição veio para reforçar as banheiras nas cabeças das jingolas. É a Constituição do embrutecimento. Há governos que são como potentes terramotos, arrasam casas, casebres, tudo. Lutar contra o colonialismo branco foi relativamente fácil. Agora, lutar contra o colonialismo negro está difícil. Já não existem mentes libertadoras, apenas o culto da destruição. Jingola, a maior desilusão de todos os tempos. É como o amor: é muito bonito nos primeiros dias, depois vira palhaçada, não é possível conceber o amor numa sociedade de capitalismo selvagem. O amor é ingénuo, e de certo modo desonesto, porque já não é humano. Actualmente o amor é uma brincadeira, um passatempo. Transformaram o povo jingola numa outra gigantesca maré negra.

Dos jovens afogados em uísque bebido com cerveja, e na companhia dos mais potentes e loucos sons projectados dos carros estacionados, e de portas esventradas, escancaradas numa ode à idiotice dos analfabetos.

Estamos sem água e sem energia eléctrica, porque os prédios deles destroem, espoliam-nos o mais elementar, a luz e a água. Porque a lei do ruído demora muito a sair, está silenciosa. Até os escravos chineses já são senhores em Jingola e das aldrabices clonadas e comercializadas. Do esvaziar dos cofres nacionais e transferi-los, investi-los nas contas bancárias estrangeiras. Isto está bom, é para chinês, que até já constituíram um império natal, um paraíso celestial. Tantos facínoras organizados e em quadrilhas mandatados. A miséria cresce, e o desenvolvimento económico também, e o desenvolvimento social está betonizado na ESCOM, ODEBRECHT, e demasiado achinesado. E de outra vigarice dos setenta por cento dos trabalhadores jingolas nas obras chinesas, mas o neocolonizado é zerado.

Jingola no dia da África, e os discursos que ninguém escuta. Exceptuando a recolha do lixo, a prestação dos outros serviços em Jingola é a fingir, convém dizer, atestar que funcionam muito mal. Está igual aos que assentam em cima, os entronizados. Que desolação: o que resta da espécie humana, ou melhor, da espécie desumana, dos homens das soluções finais. Enquanto o jingola festeja, não se sabe bem o quê, como se fosse um partido das festas, festejos naufragados em álcool. Depois lamentam-se que os estrangeiros estão a dominar Jingola, a escravizar o jingolano. Povo que festeja as noites e os dias é povo sem futuro. O mwangole suicida-se nas cátedras alcoólicas. Está cursado, varredor nato colocado nos pódios das olimpíadas do amigo mais sincero, o álcool. Até já lhes chamam não jingolano, mas homo etilicus.

Se Jingola tivesse um presidente eleito de facto e de jure, decerto não estaríamos a fingir democracia. Este governo é uma fábrica de assaltantes. E em algumas zonas de Jingola há recolher obrigatório. Entretanto, a venda de Jingola aos estrangeiros prossegue. O que é que faremos com uma população feiticeira?! E o número da besta, está confirmado pelo Senhor, são quatro letras: quem souber que as desvende. Os portugueses foram os descobridores de Jingola, o actual poder é o encobridor.

É bom salientar que sem energia eléctrica qualquer projecto em curso é de fachada, cambalachada. Até quando continuaremos no fingimento de que aconteceu independência? E nesta república do bananal, já nenhum e nenhuma banana se aproveitam. Não deixa de ser muito interessante o facto de que a cidade jingola não foi destruída durante a guerra. Em pouco tempo de país a sua destruição está por demais evidente.

Todos os acontecimentos criminosos actuais têm que ser julgados e condenados sob a acusação de neocolonialismo. Dizem que o feiticeiro de Katete quando morreu, até os animais choraram. Se toda a oposição aceitou os resultados fraudulentos das últimas eleições legislativas em Jingola, então também são desonestos porque pactuaram com fraudes. Isto é o que se pode apelidar de república das bananas na extrema perfeição.

Ser mulher de casa não dá. Amante é que está bom, tem mais regalias. Num mundo de selvagens, mesmo nós honestos para sobrevivermos temos também que sermos selvagens. Mas que isso não nos cegue até ao ponto de vermos alguns valores morais que apesar de tudo ainda resistem a todas as intempéries humanas. Esses valores permanentes devem-se respeitá-los, senão é o nosso fim e o de todos os selvagens humanos. Os Lordes estão irremediavelmente ultrapassados, o lixo da história espera-o. Isto é Jingola onde qualquer é presidente vitalício, e lá sentado no palácio presidencial ousa jamais dele sair, justificando que foi eleito pelos nossos antepassados. É este o destino de Jingola e de quem se elege pelas suas divindades. A democracia moderna parece ser o auge da mais selvagem destruição capitalista. Lutemos e libertemo-nos desta suprema maldade.