quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Os Jasmins da Lwena (20) Com tanto ultraje à democracia, o nosso futuro é imprevisível



(Com tanto ultraje à democracia, o nosso futuro é imprevisível. Já não existe país, está retalhado numa fábrica que produz jovens delinquentes altamente perigosos. Este cais da democracia está muito inseguro, o navio do Politburo sente-se impedido de acostar. A âncora está solta e  o leme sem comandante. A luta pela democracia está adiada neste tempo imprevisivel, ávido de violência vampiresca.)


Mesmo sem trovoada oiço muitos trovões. Esses que saem dos escapes das motos. Esses mesmos, os da civilização Branca. Quando o fumo sai branco é bom. Quando escuro é mau. É contrário aos desígnios do deus Branco.
Um deus com cores: Preto, branco, vermelho, amarelo… um deus para cada cor, para cada povo, para cada raça. Ah, os humanos, só eles podiam inventar uma coisa assim. Ah, … tão cansada destas coisas estou, que já não sei o que sou. A relatividade do tempo gerou-me e estacionou-me na ceifa do divulgado, grandioso desastre ecológico. Por mais que tente desadapto-me a este dormente terreno.
Quando retornarei à nebulosa cometária? Há infindáveis anos espero que me venham resgatar. Impossibilito-me neste planeta. No outro vivia tão feliz… com os meus pais na irmandade familiar. Não sei, desfaço-me porque sou incapaz de entender. Quero voltar, levem-me!
No mundo dos desumanos vou morrer só, abandonada, ninguém me ligará. Para quê… não é preciso. Só pensam no dinheiro. Se isto é viver, que o meu Deus, o meu anjo Verde me ouça, que não me abandone, que me transporte.
ESTOU A ALERTAR PARA O RUMO QUE NOS QUEREM LEVAR. Não é o menino, não são as chuvas, vulcões, ciclones, tufões, maremotos, terramotos – isto sempre aconteceu, e acontecerá – são os malditos políticos que nos desgovernam, que querem o mundo só deles. RENEGUEMOS MAIS VIVER COM CONSTRUTORES DE PAREDES.
O esmeraldino das folhas das plantas desaparece. Sofre, porque as forças de intervenção rápida odeiam o verde. Tudo o que é cinzento, vermelho da cor do inferno em vida é negociável. Chegaram, estão entre nós, ninguém parece  aperceber-se. Estamos comandados, escravizados, por seres deste mundo, terríveis, impiedosos… parece ficção científica mas não é. A raça humana está a ser exterminada. Despertem gentes antes que seja tarde. Os que nos governam, os mais poderosos, os donos do nosso mundo, das nossas vidas, do nosso destino, aterraram na terra, não vieram de outro planeta. Vão acabar com as nossas vidas. OS SENHORES DO MUNDO SECRETO ESTÃO AQUI PARA SEMPRE.

O namorador adulterou-se com mais uma. Brilhou o popó, e abrilhantou-a numa serenata passeata. Dançaram, festejaram, farrearam, reviveram o paganismo. Concordaram-se no término do descaminho nocturno no rio da kanvuanza (falta de ordem, confusão). Encaminhavam-se bem às mil e uma apalpadelas. Cupido desarmou-se, esgotou as setas. Estavam já no momento oportuno das vias de facto sexuais quando ouvem forte restolhar. Alarmam-se, suspendem a emissão e a recepção. O namoradeiro vasculha a área, e o que vê deixa-o gélido. Treme-treme como um castelo assombrado. O instinto de conservação liga a ignição. De pé na tábua faz-se de disco voador, pára e não repara onde está. Deve ter voado uns cem quilómetros distanciado. Suores frios inundam-lhe o rosto e as costas. A namoradeira desperta-o com o resto do frio da noite. Ele justifica-lhe porque retirou tão abruptamente o pénis da sua quentinha.
- Meu bombom temos que avisar os outros para não virem aqui… era uma sereia.
Esta civilização está muito desenvolvida, dizem. Mas não perdemos os hábitos da idade da pedra.
A religião e a ditadura são as algemas da mente.
Os ditadores não deixam os democratas descansarem.
Gritos da morte na noite escura. Mais um esfomeado que disse adeus à ditadura.
Preciso de uma chave para abrir as sete chaves da fechadura desta ditadura.
Na democracia incipiente até os cães são hipócritas.
Nas sociedades modernas as prisões estão sempre com a lotação esgotada.
As esquinas da política enchem-se de aventureiros.
Vivemos sempre no receio, que a prisão da noite nos bata à porta.
Estamos sempre a reviver os momentos do Conde de Monte Cristo.
O melhor partido político é a fome, e esta é a melhor conselheira.
Os abutres estão no poder, mas o albatroz vigia-os.
As colunas militares avançam na madrugada. Vão enviar balas aos esfomeados.
A fome é proporcional aos discursos dos políticos.
Se mais petróleo houvera, lá chegara.
Sempre mais adiante há um fosso, mais um poço de petróleo.
Até o surdo ouve o murmurar das promessas de liberdade.
As estruturas do poder estão ferrugentas, cairão por falta de manutenção.
A maldade é a bíblia dos ditadores.
Para sentir o vento da liberdade basta uma janela aberta.
Somos como aves engaioladas na ditadura.
Até o surdo faminto consegue ouvir o barulho da fome.
Os incompetentes eternizam-se no poder, mas não são eternos.
As ondas do mar repousam na areia, os ditadores dormem nas areias movediças.
A noite termina, a manhã começa, o dia do poder não acaba.
A luz dos faróis deles cega-nos, roubaram-nos as lâmpadas da democracia.
As contas bancárias secretas são para alguns. O banco dos esfomeados tem muitos depósitos a prazo.
Receio que me amarrem o pensamento.
Muitos generais pouca democracia.
As seitas religiosas dão-nos o alimento caído do céu, as grandes corporações tiram-nos o petróleo.
Camaradas! Do alto deste palácio milhões de esfomeados nos contemplam.
Sinto-me na prisão como o Conde de Monte Cristo, de lá sairei.
Se uma família tem um país debaixo de mão e havendo eleições, isso chama-se guerra intestina.
Se a bondade surge das seitas religiosas, então somos escravos da mentira.
Tudo tem uma saída, basta encontrar, procurar o Caminho.
Sou apenas um dos biliões, uma vítima da miséria, da fome, da maldade humana.
As coisas não se vêem, sentem-se.
Olhem para as folhas de uma planta. Tudo acaba e recomeça numa semente.
A bebida extrema a sabedoria. É por isso que os bêbados se acham sábios.
E o Governo finalmente decidiu-se: decretou benefícios para os esfomeados e isenção de impostos: premiou-os com água, electricidade, saúde, livros, habitação, vestuário, automóvel, cartão de crédito, etc.
Nunca supus, mas vi um país com oposição política silenciosa.
Os animais humanos fugiram do jardim zoológico, é por isso que vivemos na selva.
Quem governa mal supera o lodaçal.
Os maus filhos são como os maus governos. Quando os esperamos numa desdita dizem-nos sarcásticos que gastaram o dinheiro em banquetes.
Nunca acreditar em mestiços, negros e brancos. Defendem os mesmos princípios, mas diferem nos fins: aviltam o erário público e estatal. De noite todos os gatos são pardos.
São medievos os sons actuais nas noites destes sonhos eleitorais.
Nas batalhas da vida de todos os tempos, o amor é sem dúvida a mais terrível.
A demagogia é a arma atómica da política.
Há povos que nasceram para construir, outros nasceram para destruir.
As nossas bibliotecas são alcoólicas. Estão apetrechadas com os piores mestres da vinicultura mundial
O ódio, a corrupção, o racismo, o alcoolismo são maus conselheiros.
A corrupção é a lei. As leis protegem os legisladores.
O tempo muda, os tempos mudam, este poder não.
As nossas ruas são imensos navios negreiros encalhados.
Os reis absolutos perseveram, não acabam. É a inflação reinante.
As injustiças e a fome alimentam revoluções. Grandes naus, grandes tormentas.
Governar é comandar. A chefia não se impõe, nasce naturalmente.
Leio muitos livros para quê?! Os livros não me dão dinheiro, dão-me perda de tempo?! Mas eu não quero dinheiro! Somente sabedoria para compreender porque vocês perdem o tempo no dinheiro!
A História da Humanidade? Nasceram, viveram e morreram na maldade.
E todos ficaram presos da maldade, porque a bondade terminara. Como um rio na prisão de uma grande represa.
Depois da tempestade vem outra.
Democracia ornamental é: se roubar um pão recebo a graça da prisão.
Milhares de anos-luz a lutar contra a fome, e não conseguimos vencê-la. A melhor estabilização económica é matar o povo à fome… e também o meio mais eficaz para combater a inflação.
Não se perde tempo com leituras. O tempo é para exagerar, amealhar, e carregar para as neometrópoles.
Quando se revoluciona sem bibliotecas, as vivas – bibliotecas – são desvalorizadas, despersonalizadas.
O maldoso já foi bondoso. Vinha com bondade, viu tanta maldade…
A faceta mais subtil do ser humano é a doentia traição, patologia da razão. Inundada de goleadores, a sua mente não tem sabor, nem cor.
Preparei-me para a fragilidade do sono da noite. Deus existe ou subsiste?
O choque do humanismo com a selva humana é como um mar infestado de tubarões.
Há alguma guerra legal? As guerras são legais? Invadir um país é legal? Não… é a letargia letal.
Estamos devidamente preparados para sermos neocolonizados. Servos voltam a servir medievos.
Não havendo ideais humanistas as nações esmorecem.
A Bíblia, a Revolução Francesa e Marx alavancaram a História. Biliões de mortos testemunham-nos.
Quando se aprova o orçamento geral dum reino absoluto, vota-se a continuação da miséria na generalidade.
Imagem: Aléxia Gamito