sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Os Jasmins da Lwena (21) «Olhem! Digam lá no vosso chefe que nós não vamos votar nele!»



Algures no bairro da Cuca, as desgraçadas petrolíferas com os seus produtos para venda ao ar livre, que conseguiram no crédito do banco popular das amigas, aguardavam pacientemente como pescador na paciência que algum peixe se anzole. Mas os defensores da imposição da Nova Constituição rondam-nas como ratos. E de surpresa caiem-lhes em cima e espoliam-nas, recebendo o prémio da independência… ficarem de mãos vazias, arrestadas. E as marginalizadas do petróleo gritam-lhes nas calmas: «Olhem! Digam lá no vosso chefe que nós não vamos votar nele!»


Somos uma fábrica de lixo ambulatório. Onde chegamos, ficamos, poisamos, deixamos tudo lixado. As nossas mentes fabricam imundícies.
A população com dedicação falsifica documentos. Cumpre o dever, o endereço do poder executivo, falsário poder.
O falso poder é narcótico, entorpece, adormece.
Quando os preços do petróleo sobem os bancos aumentam. Quando os preços baixam demasiado, os bancos também.
Há povos que ascendem à escravidão. Há povos que sempre dominarão.
Prefiro mil vezes viver humilhada na pátria dos colonizadores do que morrer à fome no meu reino.
Quando um maldito morre alegram-se os corações porque a maldade diminuiu. É sol curto, outro nasce, e grandes choros e tristezas renascem.
A morte prova que não há ninguém imprescindível.
Quando um reino não tem estradas, viaja-se pé ante pé.
O vulgar da gente, de quem não sabe fazer mais nada, especialmente os preguiçosos, inventa, festeja o dolce far niente.
Zebra, onde vais? Sem pés, sem pernas, sem cascos!
O comportamento infantil e juvenil é o espelho dos adultos O comportamento zebra espelha os outros animais.
Para sobreviver, o mais fácil é revender.
Com palavras se elege democraticamente o próximo governante, mas o que trabalha com denodo não é eleito.
Com tanta prostituição e droga, não é possível avançar, melhorar.
Já não há instantes, tudo é distante.
A arrogância, desumanidade, desrespeito pela vida humana, e o belicismo dos poderosos, fortalecem o comunismo, islamismo e o terrorismo.
Um governo tem o direito de se defender dos ataques internos e externos.
Serão válidas eleições com generais no poder?!
Nascemos para beber, só o álcool nos liberta.
Quando um milionário elogia… elogiou os serviços prestados durante trinta anos de um subordinado destacado, e depois o despede alegando que era insignificante, esse homem milionário merece ser ensacado com serpentes e lançado no mar.
As tempestades que nos devastam são o opróbrio, o merecimento da indignidade humana.
Para destruir uma cidade, não é necessária uma guerra.
Não sei de que lado a bondade está. Ela e a maldade deram-se as mãos.
Quem vive feliz, é porque fez alguém ficar infeliz.
O amor... são muitos sentimentos, qual deles devemos seguir? Normalmente mergulhamos no sentimento da carne, mais tarde amaldiçoamo-nos pela escolha. Terminamos na eterna dúvida, não sabemos o que é amar, não sabemos o que é o amor. Nos ritos do casamento, o sacerdote costuma prevenir: «Neste dia unem a plenitude dos tempos eternos. Mostrem-se tolerantes quando se provocarem. Mantenham-se firmes no amor, nos muitos momentos difíceis, e momentâneos felizes».
É como a amizade. Tive muitas mas nunca consegui descobrir quem era de facto amiga. Também tive muitas amigas, também fiquei sem saber qual delas me era fiel. E assim continuamos nesta angústia do augusto eterno. E tudo se acaba, se recompõe, tudo volta ao que já era.
Bendigo a Deus esses instantes que me lembram, que sempre me acompanharam, mas que só agora notei.
Iam com os embondos da adversidade nas cabeças. Aos quitundulos apressavam-se. Não havia tempo a perder. O destino das balas é muito rápido, macabro. A morte é muito paciente, sabe esperar. Não se preocupa muito, porque sabe que todos a procuram. Tem sempre um lugar vago na eternidade.
Retornaremos às matas, cumpriremos o nosso destino, a nossa odisseia. Defraudaram-nos os quitutes. Vamos para Kalunga, regressamos às nossas raízes, ao reencontro do tempo dos Aymaras, no templo do lago Titicaca.
Antes da chegada dos colonizadores, os Aymara viviam felizes no lago Titicaca.
Depois confinaram-nos, acamparam-nos, concentraram-nos em campos murados. Ainda existem muitos muros, agora nas ditaduras democráticas de contenção. E prometem que sempre existirão. Assim o garante o comunismo chinês que se prepara subtilmente para conquistar, impor ao mundo um sistema político e económico ultrapassado. Mais muros da fome, do arame farpado, electrificado dos monumentos do sofrimento da civilização: Auschwitz-Tsirkenau, Neuengamme, Bergen-Belsen, Mittelbaudora, Buchenwald, Flossenberg, Natzweiler, Ravensbruk, Sachsenhausen, Terezin, Dachau, Mauthausen, Stutthof, Chelmno, Gross-Rosen, Treblinka, Sobibor, Lublin-Maidanek, Belzec, Plaszow. Os campos de Valeriano Weyler, Nisei, Estaline, do marechal de campo britânico, Roberts, e do seu sucessor Kitchener.
Se tenho fome e não tenho nada para comer, que mal fiz? Porque não me dão comida? Vivo entre pessoas ou com seres irracionais? Espero que Zeus acabe brevemente com isto. Uns – a minoria – merecem viver. A maioria é para Jingola ver. Mas, quem merece viver?
Coloquem lá as nossas fotografias nos vossos murais da fome para que se lembrem de nós. De mais vítimas que tentaram atravessar os muros desumanizados da vergonhosa fome e não conseguiram. Agora impuseram-nos os campos modernos da concentração da fome global, globalizada.
O dia aparece, clareia, mais um, outro tempo sem esperança. Mais um dia de fome. Que comeremos hoje? Não sei! Não sabemos, ninguém sabe, ninguém quer saber. É assim a nossa vida. É este o legado da civilização do homem branco. Fome! Sempre fome! A civilização da fome. Não fazemos parte da História, perderam-nos nela.
Quando a fome aperta, os lobos descem das montanhas. Os humanos afirmam categoricamente que são animais muito perigosos, que devem ser abatidos. Mobilizam-se esforços, as feras estão esfaimadas, defendem-se para sobreviverem, os humanos também. Estes humanos destruíram o local onde os lobos viviam e comiam. Que diferença há entre os lobos e os humanos? Só uma: os lobos viviam pacificamente antes de os humanos chegarem. Haverá fera mais perigosa que o ser humano? Não, não há!
Qual é a espécie que merece ser extinta? «Os bípedes!». Quais?!
Aqueles que juram quando o anel lhes é colocado no dedo que:
E depois do casamento, das promessas de amor para toda a vida à sua amada, vão exercitar as suas armas nos pobres e indefesos animais para provarem a sua virilidade. Para oferecerem os troféus de caça da inglória infelicidade. Nesse dia pompas e arraiais são lançados. Mais um nobre cavaleiro foi edificado. Os Cavaleiros do Templo rejubilam. Mais uma estátua será erigida. O melhor, o que mais matou, o que mais fome e sofrimento provocou… recebe como prémio uma estátua e uma fundação. Durante mil anos ou mais, os seus seguidores proclamarão que ele inventou o amor. Sangue será derramado, mil vezes incontido. Todos levantarão as suas espadas ao ar e perante juramento dirão: este veio dos céus, e para sempre será abençoado.
Das pedras que restam da Terra surgirá uma espada gigantesca, tão enorme como o Universo, todos a verão. E dirão: que grande raio laser conseguiram para nos distrair. E de repente, depois da grande espada que subiu no Universo, ela desce sobre a Terra e espeta-se no grande Oceano. A Terra fende-se, abre-se em duas e o fim começa. Tudo o que é humano é arrastado, biliões de corpos são engolidos para o abismo. O fim da espécie humana, fim da Criação.
Surgem trovões no céu. Cantam-se salmos. Naves espaciais, os tais discos voadores, sobrevoam o que resta da Terra. Os que foram sempre chamados de Deuses, finalmente cumprem as profecias. Desceram, e aqui estão, aqui chegaram. Apresentam-se de vestes invisíveis, aquilo a que os mortais imploram, vestidos como a neve. Há muito que estavam entre nós, mas cegos como somos, nunca o notámos. Para quê? Pois se apenas nos contentávamos em amaldiçoar, fazer mal! E eles estavam lá… sempre disfarçados na neve.
E nós, na eterna superioridade da raça eleita… recebemos a ordem divina, de exterminar tudo o que estiver ao nosso alcance. E se mais não exterminámos, foi porque não conseguimos, porque já estávamos fartos. Mas havia sempre alguém que não se cansava… esses incansáveis que recebiam as últimas instruções. Umas parcas ou perdulárias moedas eram suficientes, e lá ia o pouco que restava da biologia.
Algumas espécies teimavam em resistir à extinção, como aqueles pobres loucos que ainda teimavam em acreditar no amor. Teimavam na chamada de atenção, imolando-se como Romeu e Julieta. De nada lhes servia, porque era mais um episódio da tragicomédia humana. Os humanos cansaram-se do amor.
A não ser que se ganhasse com isso… que desse para ganhar dinheiro com alguma reportagem de TV em directo. O negócio era mais importante. Daqui os humanos cavaram uma célebre máxima: primeiro o negócio, depois o amor. Vestiram-se, e depois despiram-se quando inventaram a lingerie. Provaram que sem isto não é possível fazer amor. Os fetiches são necessários, para despertar o instinto animal. Nas selvas dos castelos das muralhas humanas, um animal espreita-nos em cada ameia. Dia e noite as setas são lançadas ao acaso. Os opressores resguardam-se, os malfeitores vivem na sua sombra, os esfomeados vivem das setadas. Mas ai dos que escaparem das setadas, porque as infalíveis flechas de Ulisses estão sempre à espera.
A civilização branca entrou bem nas outras civilizações alegando que eram inferiores, selvagens, que ritualizavam sacrifícios humanos. Com estas justificações invadiram-nos e submeteram-nos à escravidão. Perguntavam-lhes sempre: onde está o ouro, onde estão os diamantes, onde estão as esmeraldas? Os povos não davam valor a essas coisas. Preocupavam-se em amar os deuses da sua natureza e da Natureza.